Executiva Nacional do PSOL | Contribuição da CST sobre conjuntura nacional e orientação

Na reunião da executiva nacional do PSOL, realizada no dia 06/06, a CST apresentou uma contribuição para o debate sobre a situação política e a orientação do PSOL. Em contraponto, a US e RZ apresentaram oralmente a proposta de manter a linha de “frente única contra o golpe” e “participação no dia 10/06” da Frente Brasil Popular-Povo Sem Medo. A US obteve o voto da Insurgência. O MES e APS se abstiveram.

Propomos aos militantes do partido um debate sobre esse documento, durante as convenções municipais que estão ocorrendo.

A seguir o texto votado pela CST:


EXIGIMOS DA CUT, CTB E MTST: GREVE GERAL PARA DERRUBAR MICHEL TEMER!

Derrotar o ajuste fiscal e a corrupção nas ruas, com piquetes e ocupações! Fora Todos!

Esse texto é uma contribuição da CST para a reunião da Executiva do PSOL. Estivemos nas batalhas decisivas de 2003 com os parlamentares Radicais e a greve dos Servidores para fundar o PSOL e construir uma alternativa de esquerda diante da traição do PT. Hoje essa tarefa é mais urgente após a falência do Lulismo e seu programa burguês. Para ser uma alternativa é preciso reorientar o PSOL com uma política classista contra PMDB, PSDB, PT, PCdoB, REDE. Combater Michel Temer, sem blindar Lula ou Dilma. O PSOL deve ser oposição de esquerda ao governo Temer e propor uma luta para derrubá-lo nas ruas por meio de passeatas, ocupações e greves. Exigir da CUT, CTB, demais centrais, MTST, a unificação das greves, ocupações, campanhas salariais, visando uma greve geral para derrubar Temer, barrar o ajuste fiscal e a corrupção.

1- O governo Temer é fraco!

O impeachment não garantiu governabilidade nem força social para Temer aplicar sua agenda. A instabilidade continua porque existe uma crise econômica e social. É a queda do nível de vida das massas que explica o processo de ruptura com o PT, o desgaste de Dilma e Temer. A debilidade do governo Temer pode ser comprovada pela queda de 2 ministros. Um deles, Romero Jucá, um dos principais assessores de Temer, ex-líder de FHC, Lula e Dilma. Temer teve que recuar sobre o MinC, o MCMV, retirou a urgência do PL257, manteve os acordos de 2015 com os SPF’s e adiou o anuncio da reforma da previdência. É grande a probabilidade de que esse governo não termine o mandato, o que gera um debate na burguesia sobre uma “conciliação” que salve todos. Uma das hipóteses é um acordão antecipando as eleições presidenciais. Os diálogos de Sergio Machado com Romero Jucá, Renan Calheiros e Sarney, confirma o que falamos. Eles tramam um “pacto nacional”, para encerrar as investigações da lava jato contra o PMDB, PSDB, Aécio, Dilma e Lula: “o Michel assumiria e garantiria ela e o Lula, faria um grande acordo…. A melhor solução para ela é um grande acordo que a turma topa” (FSP 25/05). E buscam uma saída como o que “foi feito na Anistia com os militares”. Esse debate segue em função da debilidade de Temer, da corrupção e da unidade sobre o ajuste. Algo que se acentua com as delações do Odebrecht que prejudicam Lula. Repudiamos esse “pacto”. Reivindicamos a divulgação dos áudios e informações em poder da justiça. Defendemos mobilização pelo fora Temer, Renan, Cunha, Aécio, Dilma e Lula! Fora Todos. Exigimos punição, prisão e confisco de bens dos políticos e empresários e a estatização das empresas corruptas.

2- Unificar todo o PSOL na batalha pela greve geral

A diminuição da polarização sobre o impeachment liberou forças contra um governo e regime ainda mais desgastados. Há muita disposição de luta como se vê na greve dos educadores do Rio de Janeiro e que se combina com greves da educação no CE e no RS. Ato com mais de 15 mil pessoas no Paraná, greve da saúde do Pará. Greve de rodoviários em São Paulo, Belém e Florianópolis, dos servidores de Campinas, de 72 horas da UFRGS e paralisação dos servidores do RN. Greve geral unificada dos servidores do MT. Passeata dos metalúrgicos do ABC, paralisações dos bancários no Rio. Há ainda a juventude secundarista e as estaduais paulistas. Sem falar no junho feminista, cujas fortes passeatas lembram o clima de “2013”. Haverá plenária unificada dos Correios e plenárias de Confederações e Federações dos SPF’s. Por isso, é importante a batalha pela greve geral ainda em junho. Temos que exigir da CUT e demais centrais a unificação das campanhas salariais e a construção de uma greve geral. Ou seja, lutar para que essas centrais abandonem o eixo no “volta Dilma” e lutem pelas pautas da classe. Para essa batalha podemos utilizar as resoluções da greve da educação do Rio de Janeiro, onde se votou construir: a)  “uma greve geral no RJ”; b) “uma greve nacional da educação”; c) participação nos fóruns que visem construir uma greve geral; d) indicativo para 16/06 junto com a paralisação da rede municipal do Rio e do ato nacional do Fórum Nacional dos Servidores Federais.

  3- Luta contra Temer sim, Volta Dilma não: O PSOL deve romper com o ato do dia 10!

Os dirigentes do campo Lulista convocam manifestações contra Temer, com eixo na “defesa da democracia” (“volta Dilma”).  A próxima atividade da Frente Brasil Popular-Povo Sem Medo é o dia 10, com eixo contra o “golpe”. A nota que convoca a manifestação blinda Dilma, pois esconde que o próprio PT iniciou a reforma da previdência, retirou direitos trabalhistas via MP’s, implantou o PPE que reduz salários, cortou verbas das áreas sociais, desvinculou receitas da União, atacou as escolas técnicas e patrocinou a lei antiterrorismo. Tudo para defender o “volta Dilma” e preparar o caminho do “Lula Lá”. Nós defendemos a unidade de ação contra o governo Temer e suas medidas, por que sabemos que é preciso unidade para derrotá-las. Porém não esquecemos que essas propostas foram iniciadas, de uma ou outra forma, pelo PT. A defesa do “Volta Dilma” impede a massificação, já que milhões repudiam Dilma. O PSOL deve se retirar do dia 10/06. Propomos ações concretas contra Temer, sem o “volta Dilma”. Fora Temer! Fora Todos!

 4- PSOL como oposição de esquerda!

Nas últimas semanas, o presidente do PSOL e o líder da bancada, denunciaram corretamente Romero Jucá, pedindo a prisão do ex-ministro do PMDB. Também ocorrem representações contra Alckmin e Cunha. Porem nada fez contra Renan Calheiros e José Sarney, que protagonizaram conversas de conteúdo idêntico ao de Jucá. Ao mesmo tempo em nenhum texto dos atuais dirigentes do PSOL se menciona que a tentativa de acordão envolvia a salvação de Lula e Dilma. Na verdade, os textos que estão disponíveis no site do PSOL, seja o de Ivan Valente ou de Marcelo Freixo, denunciam Temer, Jucá, Aécio, mas nem sequer mencionam Lula. E até agora o presidente do PSOL ou o líder da bancada nada fizeram publicamente contra Renan. E por fim, nunca é demais lembrar que os áudios de Lula e Dilma são semelhantes aos atuais, pois ambos tramavam barrar as investigações da lava jato contra Lula. Ou seja, o campo majoritário do PSOL atuou com seletividade, transformando em inimigos apenas os que estão contra Dilma e Lula e blindando os que são do PT e/ou estão próximos do PT, como é o caso do coronel Renan Calheiros. Algo que contradiz a história recente do PSOL que protagonizou o Fora Sarney e Fora Renan no senado. Para não repetir esse erro, o PSOL deve rever sua atuação, rompendo a frente social/política com o PT, PCdoB.  É preciso construir um caminho alternativo à polarização entre PMDB/PSDB e PT/PCdoB. Uma verdadeira esquerda que batalhe por uma saída operária e popular, diferente de partidos capitalistas como a REDE. Deve lutar contra Temer, Cunha, Aécio, Andre Moura, Renan, Sarney, Katia Abreu, Dilma e Lula. O PSOL deve propor a direção do MTST e a INTERSINDICAL a construção de uma alternativa classista em unidade com as organizações que constroem o Espaço de Unidade e Ação, impulsionado pela CSP-CONLUTAS. O PSOL deve propor aos sindicatos, comandos de greve, escolas ocupadas, organizações políticas, movimentos, a realização de uma plenária sindical, popular e estudantil para discutir a saída para a crise. Defendemos o fortalecimento das lutas para batalhar por um governo de Esquerda, dos Trabalhadores e do Povo.

Mesmo defendendo essa saída estratégica, que seguiremos debatendo no PSOL e com os lutadores, entendemos que é urgente uma batalha para que a CUT e demais centrais, que estão falando em “ações contra Temer” passem das palavras aos fatos. Pois uma greve geral acabaria com o Governo Temer muito mais rápido que dezenas de atos Lulistas pelo “volta Dilma”. Reafirmamos a proposta de exigir da CUT, CTB, demais centrais, MTST, a unificação das greves, ocupações, campanhas salariais, visando uma greve geral para derrubar Temer, barrar o ajuste fiscal e a corrupção.

06 de Junho | Corrente Socialista dos Trabalhadores – PSOL

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