Morreu Fidel Castro, principal liderança da gloriosa Revolução Cubana de 1959

Com sua morte, desaparece um dos líderes indiscutidos dessa revolução tão cara a todos os latino americanos, mas também para os revolucionários do mundo inteiro, pois se tratou de uma revolução que marcou gerações e uma época histórica. O povo cubano o chora, assim como milhões no mundo, aos que expressamos nossa solidariedade. Assim como repudiamos todas as expressões dos reacionários do mundo, especialmente dos gusanos de Miami, Trump e Bolsonaro, que saíram a festejar sua morte. Os valorosos combatentes encabeçados por Fidel, Camilo Cienfuegos  e Che, entre outros, em janeiro de 1959 entraram triunfantes na Havana, num processo democrático que começou contra a ditadura de Batista.

Mas logo eles compreenderam que não tinham saída: frente às pressões imperialistas e ao forte ascenso do movimento de massas, romperam politicamente com a burguesia e com o amo do norte, e dedicaram-se a tomar medidas drásticas:  romperam os pactos que atavam Cuba aos EUA e fizeram a revolução agrária, iniciando a expropriação dos latifundiários e entregando as terras aos camponeses. Nacionalizaram as mais importantes companhias e empresas; suspenderam o pagamento da dívida externa e outras medidas com as quais conseguiram começar a reverter os profundos problemas sociais das massas cubanas, do campo e da cidade. Que em poucos anos Cuba tenha se colocado na vanguarda da educação e da saúde, resolvendo assim problemas dramáticos que nenhum país capitalista do continente conseguia resolver, se deveu precisamente à expropriação da burguesia, marcando assim a primeira revolução socialista no nosso continente.

A 58 anos daquela gloriosa revolução, a tarefa dos socialistas revolucionários é tirar lições e aprender com os acertos e os erros de Fidel e da direção cubana.

Em primeiro lugar, Fidel e o Movimento 26 de Julho, movimento pequeno burguês nacionalista, enfrentaram um imperialismo muito mais forte do que o atual, e a só 100 km dos EUA. Estes revolucionários empíricos que encabeçaram uma luta que tinha por objetivo derrubar Batista, como parte de um movimento democrático que teve num primeiro momento o apoio de diversos governos burgueses do continente, e até um “deixar correr” do imperialismo chegaram pela via dos fatos numa determinada situação objetiva à concepção da revolução permanente, visto que seus objetivos democráticos somente chegaram a se cumprir atacando as bases da propriedade privada capitalista/imperialista. Demonstração cabal que a revolução é possível e necessária!

 A essa revolução e aos seus líderes, que em 1959 cometeram a proeza de derrotar um ditador e começaram a construir o socialismo, começando por Fidel, lhes dedicamos nossa homenagem e nosso reconhecimento. E continuamos reivindicando o Fidel que em fevereiro de 1962, na segunda Declaração da Havana afirmou: “O dever de todo revolucionário é fazer a revolução”.

A política de Fidel e da direção Cubana após o acordo com a burocracia soviética

Infelizmente, a partir do pacto com a burocracia da ex. URSS, o processo começou a retroceder. Não somente no terreno democrático, visto que e consolidou a teoria do “partido único”; a ausência de sindicatos autônomos e das liberdades individuais, as prisões aos dissidentes, mas em primeiro lugar das tarefas internacionalistas. Sabíamos que uma Cuba isolada não poderia avançar. Mas a oportunidade chegou em 1979 com a revolução sandinista que abriu a possibilidade de estender o processo revolucionário ao conjunto da América Central a partir da derrocada de Somoza pela Frente Sandinista, e ao forte ascenso pelo qual passava El Salvador. Mas Fidel, já com fortes vínculos com Moscou e morto o Che na Bolívia em 1967, declarou: “Nicarágua não será outra Cuba”. E não o foi, vivendo hoje o governo da “dinastia” Ortega, como um dos países mais miseráveis depois do Haiti, na América Central.

Em 1968 Fidel apoiou a invasão das tropas soviéticas na Checoslováquia que vivia um processo de “primavera democrática”. E mais recentemente, o apoio ao governo nacionalista burguês de Chávez na Venezuela, com sua mentira de que estaria implantando o “O Socialismo do século XXI”, de Morales na Bolívia, de Cristina Kirchner na Argentina e de Lula no Brasil são parte do retrocesso do processo cubano. Pelos acordos com a burocracia da ex. URSS, Ramon Mercader, o assassino de León Trotsky a mando da camarilha de Moscou, refugiou-se na ilha até sua morte, muito bem relatado no livro de Padura “O Homem que amava os cachorros”. No interior de Cuba, foram se liquidando com o passar dos anos as conquistas da revolução. Desde finais do século passado, foi impulsionada uma política de confiar nos capitais estrangeiros, foi se abrindo a economia primeiro às multinacionais canadenses e europeias, posteriormente com a visita de Obama e do Papa, se suspendeu parcialmente o bloqueio (uma vez que já inúmeras multinacionais ianques já estavam na ilha) . Assim hoje Cuba voltou a ser capitalista.

Mas não era “inevitável” pois havia outro caminho. O Che, chamado por Nahuel Moreno como “herói e mártir da revolução cubana” foi o dirigente mais internacionalista dessa geração, que defendeu fazer “dois, três, muitos Vietnã”. Infelizmente com um método equivocado, que fez do método da guerra de guerrilhas uma estratégia. Assim, morreu sozinho na Bolívia, com seu pequeno grupo dizimado, mas influenciando toda uma geração de revolucionários que esse era o método correto, o que terminou em catástrofes e derrotas.

É hora de reflexões.

A morte de Fidel nos encontra num mundo conflagrado por uma crise da economia capitalista/ imperialista cuja receita  os de cima, grandes empresários e banqueiros, procuram, descarregar nos ombros do povo trabalhador. Há resistência e luta por todos os cantos do planeta. Do que se trata é de construir um partido e uma direção unindo os revolucionários que se disponham a seguir esses primeiros passos da revolução cubana, sem frentes progressistas nem alianças com governos e partidos patronais, com a coragem de defender de forma consequente as bandeiras do povo trabalhador contra os planos de ajuste e a corrupção e se proponham a construir governos independentes da burguesia, com os trabalhadores, os camponeses, os sem teto, e a maioria do povo como protagonista desse novo poder.

 Viva a Gloriosa Revolução Cubana!

CST –PSOL –  26 de  novembro de 2016

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