CHACINA EM CAMPINAS: misoginia em cena

No Réveillon de 2017 o Brasil inteiro se chocou com a chacina, que vitimou 12 pessoas, ocorrida em Campinas, SP. O crime foi cometido por Sidnei Ramis de Araújo, que assassinou a ex-mulher, o filho e mais 10 pessoas da família. A motivação, segundo carta deixada pelo assassino, seria que a ex-esposa, Isamara, dificultava a relação de Sidnei com o filho. Infelizmente o verdadeiro motivador dessa chacina é o que coloca o Brasil no 5ª lugar no ranking de violência contra mulheres: o machismo e a misoginia.

É necessário explicitar um fato: dos 12 mortos, 9 eram mulheres, o que deixa claro que o ódio de Sidnei era pura misoginia, o que fez com que até a ONU se manifestasse afirmando que foi violência de gênero, fruto do machismo e misoginia, e pedindo que as autoridades incorporem a perspectiva de gênero na investigação.

Os Governos são responsáveis!

Isamara já havia registrado cinco boletins de ocorrência contra o ex-marido e relatou as ameaças de Sidnei à Polícia Civil, porém nada foi feito de efetivo. A lei Maria da Penha, que é um avanço, não consegue diminuir a violência contra mulheres, um dos motivos é que os cortes de verbas dos Governos inviabilizam sua efetivação.

Tanto o Prefeito de Campinas Jonas Donizete (PSB), o Governador de SP Geraldo Alckmin (PSDB) e o Presidente Michel Temer (PMDB) são responsáveis! Ao governarem para os ricos e poderosos, eles mantêm a realidade de assédios, estupros, violência verbal, psicológica e física que as mulheres vivenciam!

Esses partidos aprovaram juntos o congelamento dos investimentos nas áreas sociais, a priorização do pagamento da dívida pública e o contínuo desmantelamento dos serviços públicos! Michel Temer ainda extinguiu o Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, e mantém Fátima Pelaes como Secretária de Mulheres, uma fundamentalista religiosa que já se posicionou contra o aborto, mesmo em casos de estupro! Agora está em curso uma nova Reforma da Previdência, que irá arrebentar mais ainda com a vida das mulheres trabalhadoras, que já sofrem com jornadas duplas e triplas, além da superexploração, e salários menores que os dos homens.

É importante ressaltar que todos eles governam juntos com Rodrigo Maia (DEM), Presidente da Câmara, e que quer rever a decisão do STF sobre o aborto realizado até o 3ª mês de gestação!

Uma política consequente contra o feminicídio

Como repúdio à esse crime e à violência contra mulheres, ato de rua foram chamados, como em SP e no RJ, o que demonstra que as mulheres estão indignadas e dispostas a lutar contra a brutal realidade que nos atinge. A violência contra mulheres não é fruto do acaso! O feminicídio é o fim de uma longa trajetória de violências que poderiam ser combatidas, se os governos tivessem uma política consequente para as mulheres trabalhadoras! Exigimos uma educação sexual e de gênero nas escolas e Universidades, sem machismo e sexismo! Para combater a violência contra mulheres é necessário também garantir delegacias de mulheres em cada bairro, com profissionais capacitados e concursados e casas abrigo para as mulheres e seus filhos! Para além dessas medidas é necessário garantir também que esse tipo de crime seja coibido, com penas mais rígidas para os agressores de mulheres e feminicidas! Nesse ponto, não podemos nos confundir, pois o encarceramento em massa por furto de alimentos ou “porte” de pinho sol não é equivalente ao espancamento e assassinato diário de mulheres pelo simples fato de que são mulheres em uma sociedade patriarcal, machista e misógina!

-Por mais verbas para a Política de Combate à Violência Contra Mulher!

-Aborto seguro, legal e gratuito!

-Por uma educação sexual e de gênero nas escolas e Universidades, sem machismo e sexismo!

-Por delegacias de mulheres em cada bairro, com profissionais capacitados e concursados!

-Por mais casas abrigo para as mulheres e seus filhos!

-Penas mais rígidas para os feminicidas!

Mulheres CST/PSOL

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *