Hora de enfrentar Temer em defesa dos Direitos

Editorial do jornal Combate Socialista, n 79, fevereiro 2017


 

O governo Michel Temer, o Congresso e os governadores aceleraram os ataques contra os trabalhadores. Estão em pauta a contrarreforma da previdência (PEC 287/16), para elevar a idade mínima da aposentadoria para 65 anos e estipular 49 anos de contribuição para ter o benefício integral. Além da destruição da CLT e as privatizações. Propostas que agravam a crise social: desemprego, arrocho, destruição da saúde e educação públicas. Tudo para manter os compromissos com o sistema financeiro através do pagamento da dívida interna e externa. É preciso a mais ampla unidade de ação contra os ataques, unificando todos que queiram lutar. É preciso unir os calendários dos servidores, da iniciativa privada, juventude e setores populares em manifestações unitárias, seguindo a combatividade dos servidores do Rio de Janeiro.

 

Os maiores partidos defendem ajuste e a anistia dos corruptos

Michel Temer, acaba de recriar a Secretaria-Geral da Presidência e nomear Moreira Franco para o cargo. Assim, o novo Ministro, citado 34 vezes em delação de executivo da Odebrecht, passa a ter foro privilegiado. A nomeação de Moreira Franco foi questionada na justiça por meio de ação da bancada federal do PSOL.

O debate sobre a divulgação das delações da Lava Jato agita políticos e pode estimular novas delações como a de Eike Batista e Sergio Cabral, dois elos de ligação do PT com o PMDB. Entendemos que todas as delações, depoimentos e gravações devem ser publicizadas, bem como exigimos o fim do foro privilegiado dos políticos.

 

Ex-presidentes, Ministros e Senadores articulam contra o povo!

No dia 02/02, em meio à comoção provocada pelo falecimento de Dona Marisa, Michel Temer visitou o ex-presidente Lula no Hospital Sírio Libanês. A comitiva de Temer era conformada por José Sarney, Henrique Meirelles, José Serra, Eliseu Padilha, Helder Barbalho, Renan Calheiros, Eduardo Braga, Edison Lobão e Eunício Oliveira (PMDB), o novo presidente do Senado. Na mesma noite, Lula recebeu a visita de FHC. De acordo com a imprensa, Lula deu conselhos a Temer e se dispôs realizar outras reuniões. Temer estuda convocar um encontro dos ex-presidentes (Sarney, Collor, FHC, Lula) para debater temas como a reforma política. O tom ameno desse “diálogo nacional” se explica pela cumplicidade do PMDB, PT, PSDB com o ajuste e a corrupção. Não por acaso o PT e PCdoB votaram nos candidatos de Temer no senado e na ALERJ.

Alertamos que esse “diálogo nacional” no Sirio Libanês, e as “negociações” que ocorreram nas eleições da Câmara, do Senado e nos estados, visam um acordão contra o povo: retirada de direitos, privatizações, anistia aos corruptos e garantia das instituições dessa republica das empreiteiras. Por isso mantemos nossa batalha pela construção de um “terceiro campo”, que reafirme a independência de classe, contra a velha direita e contra as traições da burocracia Lulista.

 

Ocupar as ruas e exigir um calendário unitário de mobilização

Em 2016 presenciamos longas greves da educação estadual e das estaduais Paulistas, ocupações estudantis, greves da educação federal, uma longa greve nacional bancária e uma poderosa manifestação dos metalúrgicos do ABC contra a reforma da previdência. Infelizmente as direções da CUT, CTB, UNE e MST isolaram essas lutas e se negam a unificar os calendários de mobilização. Essas entidades são comandadas por dirigentes do campo Lulista e sua única estratégia é a eleição de 2018, conforme acabaram de votar no encontro da Frente Brasil Popular. Não concretizam o seu chamado “rumo a uma greve geral” pois querem garantir o calendário eleitoral. Basta ver a participação dos governadores do PT e PCdoB na reunião com Temer e Meireles, legitimando o ajuste fiscal. Ou o diálogo de Lula com Temer, Sarney, Renan, FHC e Jose Serra. Não podemos confiar nessas direções pelegas e traidoras. Devemos apostar em nossas próprias forças. Em cada assembleia ou plenária temos que exigir das Centrais a unificação das lutas e campanhas salariais numa grande manifestação em fevereiro. Exigir uma plenária nacional das Centrais Sindicais, Federações, Confederações, Sindicatos, para votar um plano econômico e social, com medidas urgentes para combater o desemprego e o arrocho, além de votar um calendário de mobilização contra as reformas neoliberais, marcando a data da greve geral. O mesmo deveria ser feito pela UNE, UBES, Executivas, Federações, DCE’s e Grêmios.

Propomos reuniões estaduais e municipais de sindicatos e movimentos sociais, visando a construção de Fóruns de Lutas para encaminhar os dias de mobilização que existem. É preciso fortalecer os atos feministas de 8 de março e os dias de greve e manifestações votados pelo ANDES-SN e CNTE para o dia 15/03.https://ssl.gstatic.com/ui/v1/icons/mail/images/cleardot.gif

 

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