Ocupar as ruas contra a reforma da previdência e a corrupção de Temer

Editorial do Jornal Combate Socialista, n 80, março de 2017


 

A crise política e a instabilidade do governo Temer (PMDB/PSDB) se aprofundaram.  A delação de Claudio Melo Filho para os procuradores da Lava Jato, as declarações de Jose Yunes à PGR (Procuradoria Geral da República) e o depoimento de Marcelo Odebrecht ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) confirmam que o PMDB e a Chapa Dilma-Temer em 2014 receberam financiamento de forma ilícita. Após a realização de um jantar no Palácio Jaburu, residência do vice-presidente, foi acertado entre Temer e a Odebrechet o montante de 10 milhões de reais para o PMDB, sendo 4 milhões para o atual ministro Eliseu Padilha. As declarações de Yunes, ex-assessor especial da presidência, demonstram que existiu caixa 2 através de repasses do empresário Lucio Funaro, que está preso em Brasília. É importante denunciar que o Juiz Sergio Moro vetou perguntas de Cunha endereçadas a Michel Temer, envolvendo justamente as questões chaves da atual crise, protegendo o atual presidente.A crise política devastou o núcleo do governo Temer e desgastou caciques do PMDB: Romero Jucá, Geddel Vieira, Yunes e Padilha, para não falar da queda de outros ministros e da prisão do ex-governador Sergio Cabral. Na Câmara dos Deputados essa crise tem como símbolo a declaração da bancada mineira do PMDB contra a indicação de Osmar Serraglio para o Ministério da Justiça e sua postura crítica em relação ao Planalto às vésperas da votação da reforma da previdência. Sendo que, vários deputados da base aliada se colocam em oposição a pontos crucias da reforma, tanto para barganhar cargos como por medo de votar um projeto impopular próximo das eleições para a Câmara dos Deputados. O fato é que Michel Temer não consegue estabilizar a situação política, encontrar apoio social e corre o risco de não concluir seu mandato.A base real que explica a crise política é a crise econômica e social, que deixa 22% da força de trabalho subutilizada, situação que é pior para jovens entre 18 e 24 anos. De acordo com o IBGE são mais de 24 milhões de desempregados ou subempregados. Os dados do Banco Central sobre a atividade econômica mostram que o quadro tende a piorar, pois estamos numa estagnação só comparável à de 1929. Para o Banco Mundial até o fim do ano quase 4 milhões de pessoas terão retornado para abaixo da linha do que eles definem como linha da pobreza (R$ 140 por mês!). Uma situação de convulsão social, gerando novos protestos, greves, ocupações e rebeliões populares, impondo a necessidade de uma Frente de Esquerda e Socialista.

Unificar as lutas e ocupar as ruas!

A luta contra a reforma da previdência é central nos próximos 30 dias. Ela está diretamente ligada à PEC 55 que congela recursos nas áreas sociais e ao pagamento dos juros da dívida aos banqueiros. É para encher o bolso dos banqueiros e dos empresários que Temer pretende acabar com o direito a aposentadoria e em seguida acabar com a CLT. Portanto, é preciso fortalecer os atos do dia 8/03 e construir efetivamente o dia 15/03. Até agora as direções da CUT, CTB, MST, UNE não se jogaram para transformar esses dias de lutas em efetivos dias de mobilização para barrar a reforma da previdência e derrotar Temer nas ruas. As direções desses movimentos, o PT, PCdoB, Consulta Popular, mantem sua orientação de criticar Temer e realizar uma oposição institucional, construindo atos burocráticos. Para manter Temer no limite da sobrevivência como um zumbi até 2018, para então disputar a eleição com Lula. Uma estratégia que explica a traição da luta da CEDAE no RJ, deixando Pezão, em crise, aprovar a privatização da Companhia na ALERJ.A rejeição a reforma da previdência está na boca do povo. É tão massiva que até nas páginas eletrônicas de movimentos de direita, como MBL e Vem pra Rua, existem enxurradas de comentários negativos a reforma. Ou seja, existem condições para realizar fortes manifestações e construir uma greve geral para barrar essa medida. Por isso propomos:

1- Unificar as lutas para barrar a reforma da previdência! Fora Temer! Por uma plenária nacional das Centrais Sindicais para discutir a continuidade da luta (marcha nacional, atos nos estados, construção da greve geral). Propor ao FONASEFE a greve unificada dos servidores federais em unidade com a luta dos servidores estaduais.

2- Que as Centrais Sindicais, o FONASEFE, sindicatos, DCE’s, construam um plano econômico e social alternativo contra a carestia, o desemprego, o arrocho salarial, as privatizações e o congelamentos das verbas sociais. Pelo não pagamento da dívida interna e externa e canalização desses recursos para as áreas sociais: um plano de obras federais, concursos públicos e investimentos na educação, saúde e aposentadoria. Estatizar o sistema financeiro para acabar com a farra dos banqueiros, baixar os juros e pôr fim às isenções às empresas.

3- Prisão e confisco de bens dos políticos e empresários corruptos! Expropriação das empreiteiras e empresas envolvidas em esquemas ilícitos! Abertura do sigilo bancário, fiscal e telefônico dos políticos que defenderam a anistia do caixa 2.

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