Após as Jornadas de Março construir uma efetiva Greve Geral no dia 28/04

O governo Temer vive dias difíceis. Semana após semana a instabilidade do governo se aprofunda. Após as jornadas de mobilização de março, a classe trabalhadora entrou em cena e tudo piorou para o PMDB. A crise das instituições da velha republica, com a Lava Jato, joga mais lenha na fogueira. De acordo com as pesquisas, apenas 10% dos entrevistados aprovam o governo Temer e mais de 80% são contra a reforma da previdência. Tudo isso em meio à convocação da greve geral do dia 28/04.

Após a forte paralisação do dia 15 de março, quando categorias estratégicas cruzaram os braços e cerca de 500 mil pessoas ocuparam as ruas para barrar as contrarreformas neoliberais, a base aliada de Temer ficou acuada. O governo perdeu a votação da cobrança de mensalidades nas universidades, pois o número de deputados que votam em projetos antipopulares vem baixando.  As lutas são cada vez mais politizadas, questionando Temer. A tal ponto que hoje não há votos necessários para aprovar a reforma da previdência. Uma crise que leva corruptos, como Renan Calheiros, a pular fora do barco para tentar salvar a própria pele.

No dia 31, enquanto estávamos nas ruas, Temer sancionou o projeto de Terceirização. Na impossibilidade de aprovar a PEC da previdência, fez esse gesto para tentar acalmar a burguesia que exige o ajuste estrutural. O governo pode tentar aprovar outros projetos no congresso, como a reforma trabalhista. Algo que só se explica pelo atraso das Centrais em marcar a greve geral, visto que após o 15 de março predominou trégua e as negociações com Rodrigo Maia, permitindo ao governo fazer essa manobra.

Construir uma greve geral efetiva

Agora, a greve geral marcada pelas centrais sindicais para o dia 28/04 é o melhor método para barrar as contrarreformas e a terceirização e concretizar o Fora Temer. A greve geral surge da pressão das bases, cujo motor é a insatisfação social e a negação às medidas draconianas de Temer e Rodrigo Maia. Um ataque tão profundo, feito por um governo corrupto, que empurrou as “classes médias” para a oposição, conforme se viu no fracasso dos atos de direita, organizados pelos MBL e VPR.

A construção efetiva da greve geral, portanto, é central e, se for bem organizada, pode nos levar a vitórias. Devemos seguir a orientação indicada pela Executiva Nacional do PSOL, realizada em Abril: “Construir essa manifestação com toda nossa energia, por meio de assembleias e comitês de base nas diversas categorias, reuniões nos bairros, favelas, igrejas, escolas e universidades para construir comitês populares, plenárias estaduais e municipais das Centrais, Sindicatos e movimentos sociais, para coordenar as principais manifestações, pronunciamentos no parlamento, campanhas de divulgação massiva. O PSOL, como em outros momentos, apoia e constrói a greve geral do dia 28 de abril e se coloca à disposição das Centrais e dos Sindicatos para ajudar no triunfo dessa mobilização unitária, para que a greve seja bem organizada com paralisações efetivas e fortes passeatas para barrar as contrarreformas de Michel Temer e Rodrigo Maia. Nossos militantes, dirigentes nos movimentos sociais, nossos parlamentares, estarão participando ativamente desse momento histórico. Convidamos nossos filiados e eleitores a se somarem nessa jornada, com a mesma dedicação de nossa última campanha municipal” (psol50.org.br). Propomos que o PSOL, MTST, CSP-CONLUTAS, INTERSINDICAL, Sindicatos como SEPE-RJ e Metroviários-SP, realizem reuniões para construirmos um polo combativo em meio à construção da greve, visto que a organização da greve nas bases será fundamental para seu sucesso.

Construir uma Frente de Esquerda e Socialista nacional

É importante saber que as lideranças que conduzem as maiores centrais não são confiáveis. De um lado as direções ligadas ao governo Temer, como é o caso de Paulinho da Força Sindical, cujo objetivo é barganhar mais espaço no governo e negociar benesses para a burocracia sindical de direita. Do outro lado, PT e PCdoB, cuja estratégia é tentar eleger Lula em 2018. Não por acaso, a defesa de Dilma favorecia Temer no TSE, propondo retirar do caso as delações da Odebrecht e garantir o calendário eleitoral. Uma estratégia que explica a tentativa de mudar o caráter da greve geral, convocando em alguns estados “Atos-Show” ao invés de passeatas, piquetes e ocupações. A inconsequência desse setor é tão profunda que a Fundação Perseu Abramo do PT e o Instituto FHC do PSDB estão realizando evento para “pensar o brasil”, nas palavras de Marcio Pochmann. Um “Diálogo nacional” em defesa das instituições burguesas e dos corruptos. No mesmo momento que Lula e Renan Calheiros se reaproximam.

É preciso construir um caminho alternativo, de oposição de esquerda ao governo Temer, que supere e enfrente a traição de classe do PT e de Lula. Construir uma Frente de Esquerda e Socialista semelhante a que existe no Rio de Janeiro, que é composta pelo NOS, MAIS, Comunismo e Liberdade, PCB, LSR, MRT, Coletivo Marxista, CST e várias outras organizações, que intervém concretamente nos calendários de luta. Devemos ampliá-la para todo país em meio a batalha por uma greve geral efetiva e a construção de um polo combativo nacional. Uma frente que defenda um programa alternativo para resolver a crise social, suspendendo o pagamento da dívida e destinando mais verbas para áreas sociais, repondo as perdas salariais e proibindo as demissões, confiscando bens de empresários corruptos, estatizando empresas envolvidas em fraudes e na Lava Jato. Essa é nossa proposta para o PSOL, MTST, PSTU, UP, Insurgência, MES, Esquerda Marxista e demais setores anticapitalistas e classistas.

Editorial do Jornal Combate Socialista Abril/2017

 

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