Ocupar Brasília e construir uma nova greve geral já!

Editorial do Jornal Combate Socialista. Maio de 2017


 

Ocupar Brasília e construir uma nova greve geral já!

A greve geral de 28 de abril mostrou a força da classe trabalhadora. Se aprofundarmos essa mobilização, construindo uma nova greve, teremos mais chances de derrotar as reformas da previdência e trabalhista e assim derrubar o corrupto governo Temer. Ao mesmo tempo em que nos esforçaremos para “ocupar Brasília” no dia 24/05, temos que batalhar para deliberar a data de uma nova greve geral. É importante destacar que as resoluções do FONASEFE e da FASUBRA apontam nesse sentido. A resolução das forças de esquerda no diretório nacional do PSOL inclui a necessidade de uma construção pela base ao indicar que o “PSOL necessita se constituir num partido de militantes, que participem ativamente das lutas dos trabalhadores e dos outros setores oprimidos da sociedade brasileira… Ao mesmo tempo, o PSOL deve orientar seus militantes para que participem e animem a criação dos fóruns e comitês de bairro e/ou de categorias contra as reformas, em torno da construção do Ocupa Brasília, da greve geral e do Fora Temer”.

 A crise política continua, em meio ao depoimento de Lula em Curitiba. Os maiores partidos envolvidos na corrupção com as empreiteiras e outras empresas tentam se salvar e garantir a impunidade, buscando um acordo nacional para chegar até as eleições de 2018 com Temer no poder e Lula como candidato. A soltura de presos da operação Lava Jato, como irceu e Eike, reflete essas movimentações. Porém, a fragilidade das instituições capitalistas e o desgaste do PMDB, PSDB e PT dificulta essa agenda contrária às reivindicações do povo. Mantem-se a instabilidade, a imprevisibilidade, como se vê nas delações do marqueteiro João Santana e numa possível delação do ex-ministro Palocci.

 Infelizmente, as maiores centrais do país se negaram a convocar uma nova greve geral. Uma atuação explicada pelo texto do COMBATE, MAIS, PSTU, LS e o Coletivo UFF em nossas Mãos no 8º Congresso do SINTUFF: “Há uma gigantesca disposição de luta e uma forte crise no governo e parlamento. Mesmo assim, Temer consegue aprovar medidas como a terceirização e reforma trabalhista na câmara. Isso está diretamente vinculado à necessidade de superarmos as velhas burocracias sindicais hegemônicas no movimento de trabalhadores Brasileiros, que se expressa por exemplo, no apassivamento das maiores centrais sindicais. De um lado a Forca sindical, do corrupto Paulinho, da base aliada de Temer, buscando barganhar o imposto sindical. Do outro a CUT e CTB, do campo do PT e PCdoB, que priorizam salvar Lula e levar a indignação para a campanha eleitoral de 2018, em detrimento da luta contra a aprovação da Lei de terceirizações irrestrita e a reforma trabalhista, aprovada enquanto esses setores vacilaram na convocação de uma greve geral no país.  Foi preciso uma forte pressão da base, contra as burocracias sindicais para forçar a construção unitária da greve geral do dia 28. E após o dia 28 de abril, não há nenhuma previsão de nova greve. Foi convocada apenas uma marcha nacional para o final do mês, o que é insuficiente pois o governo e congresso avançam com as votações da reforma da previdência”. A batalha pela continuidade é uma tarefa dos sindicatos, federações, oposições e correntes. É preciso que o FONASEFE, a FASUBRA, ANDES-SN, SEPE e Metroviários-SP, a CSP-CONLUTAS realizem uma reunião para construir um polo do sindicalismo combativo durante a construção da marcha de 24/05, coordenando ações por uma nova greve geral.

 Construir uma alternativa de esquerda

Ao mesmo tempo, precisamos construir uma alternativa política, fortalecendo um campo de independência de classe. Podemos partir da resolução das forças de esquerda do PSOL quando afirmam que “o PSOL deve buscar os meios para cumprir sua tarefa histórica: de constituir referência para a esquerda brasileira; de ser instrumento da luta dos trabalhadores na defesa de seus direitos e na construção da superação do capitalismo, distanciando-se das falsas alternativas que ainda defendem a conciliação de classes”. Ou da resolução da esquerda do 8º Consintuff quando reafirma o compromisso com “Um terceiro campo para disputar uma saída política independente, combatendo Temer, o PMDB, PSDB, sem confiar na burocracia sindical e na política de conciliação de classes de Lula, do PT e PCdoB, nem deixar o espaço para outras saídas conservadoras como Bolsonaro…. Por isso, precisamos construir uma unidade da classe trabalhadora, reunindo movimentos sociais, partidos e organizações, comprometidas com as bandeiras classistas e a independência de classe. Assim, precisamos construir uma alternativa de esquerda e combativa. Um terceiro campo com base num programa radical que inclua a anulação de todas as contrarreformas que foram aprovadas, medidas contra o arrocho salarial e o desemprego, bem como a efetivação da suspensão do pagamento da dívida e punição de todos os corruptos e corruptores com o confisco dos bens, dentre outras medidas”. O que em nosso entendimento poderia ser uma Frente de Esquerda e Socialista Nacional.

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