Após ocupar Brasília, temos que parar o país! Fora Temer, o Congresso e as reformas!Marcar imediatamente a data da Greve Geral de 48h!

No último dia 24/05 mais de 100 mil pessoas marcharam nas ruas de Brasília em repúdio ao governo ilegítimo de Michel Temer e suas reformas neoliberais. Foi mais uma poderosa demonstração de força da classe trabalhadora e da juventude após a Greve Geral de 28 de Abril. Um protesto nacional, centralizado, que fortaleceu os de baixo e aprofundou a crise do andar de cima, desgastando ainda mais o governo do PMDB, mostrando que estamos num momento positivo para continuar a luta de forma massiva. Acuados, o presidente Temer e o da Câmara, Deputado Rodrigo Maia (DEM) desencadearam uma repressão brutal contra os manifestantes, utilizando até arma de fogo. Diferente da marcha contra a PEC 55, os trabalhadores de diversas categorias, juntamente com a juventude, resistiram heroicamente, se defendendo das bombas, tiros e fazendo a cavalaria retroceder. A vontade de vencer foi mais forte que o medo da repressão. A PM e a Força Nacional presenciaram uma vigorosa combatividade da classe trabalhadora. A ação direta massiva impôs “o “esgotamento das forças tradicionais de segurança pública“. Em pânico, Temer/Maia lançaram mão das forças armadas, por meio de um decreto que caiu poucas horas depois. Por fim, os manifestantes marcharam de cabeça erguida, agitando a necessidade de uma nova Greve Geral de 48h. Devemos repudiar toda tentativa de restrição ao direito de livre manifestação e a utilização das forças armadas. Ao mesmo tempo, responsabilizar o governo pelos mais de 50 feridos, principalmente o sindicalista atingido com arma de fogo que se encontra internado no DF. Por outro lado, torna-se necessário organizar grupos de autodefesa nos Sindicatos, Federações e DCE’s para nos proteger da repressão.

A esquerda e os sindicatos de luta estiveram na vanguarda do enfrentamento

As direções CUT, CTB, Força Sindical e UGT abandonaram os manifestantes diante da repressão. Em seguida criminalizaram os trabalhadores e jovens que resistiram. As várias forças da esquerda cumpriram seu papel e estiveram no enfrentamento. Sem dúvida, o destaque foi da CSP-CONLUTAS que cumpriu o papel fundamental de unificar os milhares de manifestantes abandonados pela burocracia. Com uma política correta, enfrentando a traição da burocracia, a CSP-CONLUTAS foi um ponto de referência para os manifestantes, o que pode produzir reflexos nos próximos embates. Acreditamos que a tarefa da CSP-CONLUTAS é construir um polo do sindicalismo combativo para lutar unitariamente na base das categorias visando adiantar a data da nova greve geral, construindo amplamente, em unidade com outras forças, essa linha. A proposta de indicativo, sem data, entre 26 e 30 de junho, a ser avaliada numa futura reunião das centrais está muito distante da realidade da luta de classes.

Repudiamos qualquer acordão de costas para o povo

Diante da paralisia do governo Temer/Maia, a possibilidade da queda do presidente é iminente. Por isso, os partidos da ordem e frações da burguesia articulam um acordão para evitar que a ação das massas derrube Temer. Até agora, fala-se de eleição indireta, permitindo foro privilegiado aos ex-presidentes e um novo governo de Nelson Jobin ou Gilmar Mendes, com objetivo de proteger os corruptos investigados na operação Lava Jato, buscando alguma estabilidade para aplicar as reformas neoliberais. No entanto, esse acordo, de costas às reivindicações da greve geral de 28 de abril, é difícil de ser concretizado. Há muita crise nas alturas e um julgamento da chapa Dilma/Temer no TSE. É preciso denunciar que esse congresso da Odebrecht e da JBS não tem moral para legislar sobre mais nada, muito menos eleger um presidente biônico pela via indireta. É importante destacar que o Lula e o PT são parte desse “diálogo” nacional, visando esse acordão, cujo objetivo é salvar a própria pele de seus dirigentes.

Manter a unidade nas ruas com as pautas da Greve Geral

É central manter a mobilização unitária com bandeiras que unifiquem o conjunto dos trabalhadores e dos setores populares: Fora Temer e Fora Reformas. Essas duas tarefas estão na ordem do dia. É preciso derrubar Temer, pois ele não vai cair sozinho ou renunciar por sua própria vontade. Derrubando Temer, estamos mais perto de derrotar as reformas neoliberais. Porém, surgiu uma polêmica e há um amplo setor colocando as “diretas já” como eixo central dos atos. O primeiro teste dessa linha foi na jornada nacional de 21/05 e resultou e atos muito reduzidos, menores que os anteriores (17 e 18/05 com eixo no Fora Temer). Agora, essa mudança de eixo dá um salto com o ato/show em Copacabana exclusivamente das “diretas já”. Atividade convocada por Freixo, Boulos e artistas como Caetano e Wagner Moura. O ato em si, as falas de Jandira Feghali, Molon, Wagner Freitas, Boulos e Freixo, ocorreram na presença de poucas pessoas, bem menos de 5 mil, coisa que as fotos, vídeos e a transmissão ao vivo podem comprovar. Um número muito abaixo do poder de mobilização dos convocantes, ainda mais para um domingo na praia. A base eleitoral do PSOL, sobretudo a juventude, não estava presente no ato. Na hora das falas deve ser destacado que o ambiente era dominado pela burocracia sindical (CUT e CTB), o que incluía gente paga para carregar bandeiras e infelizmente não havia um polo unitário da esquerda para afirmar uma alternativa anticapitalista. O público só cresceu na hora do show em si, após a parte política do evento ter acabado. É normal que tenha crescido pois era um show gratuito de Caetano, CriouloMaria Gadú, Milton Nascimento.

Focar nas “Diretas já” é um erro

Uma conclusão se impõe: os atos massivos até agora tiveram como eixo o Fora Temer e as Reformas. A pauta das diretas já, ou seja, da antecipação da eleição presidencial não gera mobilização ativa. Os dois atos no domingo, comprovam o que falamos. E o show de artistas consagrados não pode esconder essa realidade.  E isso é assim pois o eixo central da luta econômica e social se concentra nas reformas e politicamente prima pelo Fora Temer, que garantiu milhões nas ruas e a greve de abril até aqui. E mais, devemos levar em conta que milhões não votaram em ninguém nas últimas eleições, os chamados “ninguém” foram a maior força eleitoral em inúmeras capitais, sendo um amplo setor com o qual temos que dialogar pela via do Fora Temer e contra as Reformas. Mas, o grande problema é que as lideranças que convocaram o ato e o show na praia de Copacabana pretendem seguir adiante, com um eixo exclusivo nas diretas já. Além disso, há outros equívocos. Os companheiros Freixo e Boulos não fizeram qualquer menção às jornadas de abril, à greve geral de março ou ao ocupa Brasília de maio em suas falas. Seu ponto de partida foi a campanha das “diretas já” nos anos 1980, colocando que “se inicia aqui um grande movimento nacional capaz de resgatar a soberania do voto popular” ou que se iniciava “uma campanha vitoriosa para tomar de volta o direito de votar e escolher o presidente”. Em seguida, restringiram o movimento à legalidade atual, explicando que as diretas são legitimas, “constitucionais”, centrando a pauta na antecipação das eleições. E isso está desconectado da luta de classes nas ruas e do eixo central que levou milhões a protestar e realizar piquetes nos últimos 3 meses. Sem falar que do ponto de vista das pautas democráticas, nada disseram sobre a repressão em Brasília e no Rio de Janeiro e sobre a necessidade de combater a corrupção.

Não podemos deixar de destacar que, enquanto Freixo, Boulos e outros setores da esquerda davam credibilidade política ao PT, esse mesmo partido na semana passada encabeçava a votação na ALERJ que aumentou a contribuição previdenciária de 11% para 14% para todos os servidores estaduais! O PT, que agora promete auditar a dívida pública, fazer uma reforma tributária progressiva, critica os assassinatos no campo, durante 14 anos de governo foi cúmplice e aplicador da política dos ricos e poderosos do país. Por isso, foi com o PT no governo que se votou a lei antiterrorista e se colocou o exército contra manifestantes no leilão de Libra e contra o povo na Maré. Foi Lula quem encaminhou para votação, com o mensalão, a primeira Reforma da Previdência e seguiu pagando religiosamente a dívida aos banqueiros e não por acaso foi um poderoso banqueiro que disse que “ergueria uma estátua do Lula na Avenida Paulista”.

Seguir nas ruas, batalhar pela greve geral e construir uma alternativa de esquerda!

Entendemos que é preciso fortalecer a mobilização unificada contra Temer e a agenda liberal das contrarreformas, principalmente através de uma nova Greve Geral. Para isso, temos que batalhar nos sindicatos, Federações, Fóruns unitários por uma nova greve geral na primeira quinzena de junho, exigindo das Centrais que concretizem esse calendário e que convoquem um Encontro Nacional da Classe Trabalhadora para decidir os rumos da mobilização na sua próxima reunião nacional do dia 05/06. É necessário construir uma plenária nacional do sindicalismo classista que possa reunir entidades combativas, o que deve ser uma tarefa central da CSP-CONLUTAS, INTERSINDICAL e demais forças do sindicalismo classista. Precisamos apresentar uma plataforma alternativa com medidas urgentes, de combate à crise, que inclua medidas contra o arrocho salarial e o desemprego; a anulação das contrarreformas que foram e que venham a ser aprovadas; a efetivação do não pagamento da dívida, canalizando recursos para um plano de reconstrução dos serviços públicos; a punição de todos os corruptos e corruptores com o confisco dos bens acumulados indevidamente e estatização de empresas como a Odebrecht e JBS, dentre outras propostas. Articular a construção de uma reunião nacional de emergência das organizações da esquerda anticapitalista e movimentos combativos, envolvendo o PSOL, PCB, PSTU, MAIS, UP, MTST, CSP-CONLUTAS, INTERSINDICAL, para formular coletivamente uma saída pela esquerda, que contemple os trabalhadores, a juventude e demais setores explorados e oprimidos. Devemos lutar por um Governo da Esquerda dos Trabalhadores e do Povo.

29/05/17

Corrente Socialista dos Trabalhadores – PSOL

 

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