O ato em Copacabana e os próximos passos da luta contra Temer

Segue a batalha pelo Fora Temer, contra as reformas e por uma nova Greve Geral

O país vive um momento decisivo de luta política, do enfrentamento a Temer e às reformas. Por isso é muito importante refletir sobre o ato realizado em Copacabana neste domingo. Cabe ao conjunto da esquerda socialista debater a política mais correta para dialogar com os milhões de insatisfeitos e ajudar a construir uma alternativa e um programa da classe trabalhadora.

A CST-PSOL esteve presente durante toda a parte política do  ato, entre 11h e15h, defendendo o eixo com o qual, corretamente, a Frente de Esquerda Socialista decidiu participar: “Fora Temer e suas reformas. Por uma nova Greve Geral já!”. Uma posição diferente da defendida pela organização do ato, cujo o aspecto principal e quase exclusivo era a convocação de eleições diretas.

No momento do ato político, antes dos principais shows, a atividade reuniu um número bem menos expressivo de pessoas. Havia pouca juventude e muito aparato das centrais sindicais, como CUT e CTB, com vários ônibus alugados para trazer as pessoas e até faixas de “volta, Dilma”. Diversos militantes do PSOL relataram sentimento de incômodo e constrangimento pelo ostensivo aparato do ex-governismo.

O ato foi aberto com a falas do PSB, que até semana passada estava no governo ilegítimo do Temer, da Rede e do PDT. Todos com foco nas eleições diretas! Em seguida, Wagner Freitas, da CUT, afirmou que somente convocaria nova Greve Geral caso Temer e as reformas não caíssem. Uma tese completamente contraditória e sem lógica. Diferente do ator Wagner Moura, que defendeu a necessidade de enfrentar o que ele chamou de “ovo da serpente”, que são as reformas do governo Temer. Ou seja, que não é suficiente derrubar apenas o governo, que é essencial derrubar também as reformas. Justamente queremos uma nova Greve Geral para acelerar a derrubada de Temer e suas reformas.

Concentrar forças no que unifica: Fora Temer, derrotar as reformas e construir uma nova Greve Geral

Mais preocupantes foram as falas dos companheiros Marcelo Freixo e Guilherme Boulos, justamente pela importância política destas lideranças. Ambos insistiam que o eixo universal das mobilizações deveria ser as “Diretas Já”. Freixo e Boulos sequer mencionaram a Marcha a Brasília do último dia 24 de maio, que foi o fato de maior polarização política do país contra Temer desde a Greve Geral. Boulos ainda enfatizou que a partir do ato de Copacabana neste domingo se inicia um novo movimento que vai percorrer todo o país, que é o movimento pelas “Diretas Já”! Uma avaliação bastante equivocada que ignora: as manifestações de março, que reuniram grandes multidões nas ruas em todo o país; a Greve Geral do dia 28/4, a maior da história nacional; e o ato em Brasília, que reuniu pelo menos o triplo de pessoas do ato em Copacabana no momento de ápice dos shows, tendo em vista que durante o ato político a presença foi bem reduzida. A imposição das Diretas como principal pauta, invisibilizando ou colocando em segundo plano o Fora Temer, a luta contra as reformas e a construção de uma nova Greve Geral, contribui para esvaziar, dividir o movimento e enfraquecer a unidade até então conquistada.

Essa posição aponta para um esvaziamento da luta prioritária com centro em derrubar Temer e as Reformas, pautas que vem mobilizando massivamente a classe trabalhadora. O foco deixa de ser a Greve Geral e as grandes manifestações, que polarizaram o país e enfrentaram a repressão recentemente, para dar lugar a atos culturais, com a presença de personalidades e grandes artistas, mirando a classe média. Saudamos a iniciativa de artistas como Caetano Veloso, Milton Nascimento e Wagner Moura, em compor atividades culturais e terem a firmeza de se posicionar contra o governo ilegítimo de Temer. Contudo, o chamado somente pelas eleições diretas, no momento em que Temer segue no governo e as reformas em pauta no Congresso não aponta a tarefa central do momento.

Queremos debater qual a política correta a seguir após a poderosa Greve Geral de 28A e da combativa Marcha de 24/5. Imaginemos se Freixo, Boulos e todos que se esforçaram para construir a atividade de domingo impulsionassem a defesa de nova Greve Geral, convocando trabalhadoras e trabalhadores, a juventude e todo o povo a ocupar as ruas até Temer cair. Tal como Boulos fez, corretamente, logo após a divulgação da delação da JBS. Com certeza estaríamos em condições superiores para construir uma nova Greve Geral ainda mais forte, para derrubar Temer e suas contrarreformas, para construir uma saída de classe.

Não somos iguais a eles: é preciso se diferenciar do ex-governismo do PT e PCdoB

Além disso, mesmo os setores de esquerda que participaram do ato não se diferenciam do ex-governismo. Não pode estar certo que no mesmo ato usem da palavra, Lindbergh Farias, Jandira Feghali e Quaquá, só para citar alguns nomes, e pelo PSOL se pronuncie apenas o companheiro Marcelo Freixo. É inclusive desproporcional à realidade do Rio de Janeiro. Desta forma, concordamos com o companheiro Vinicius Almeida, do Comunismo e Liberdade, corrente interna do PSOL: “Além disso, outro problema, os mesmos setores, que fazem parte da esquerda socialista, que impulsionaram o ato não fazem qualquer questão de, dentro do ato, se diferenciar dos ex-governistas, os mesmos que fizeram um tenebroso ajuste fiscal, várias contrarreformas, reprimiram, retiraram direitos e paralisaram os movimentos sociais que, agora, estão com grandes dificuldades de dialogar com o povo”.

 

28/05/2017

CST/PSOL

 

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