Resolução alternativa sobre a situação nacional

No dia 20 de maio, a Executiva Nacional do PSOL, se reuniu para avaliar a crise política e as denúncias envolvendo Temer e a JBS, deliberando uma nota que está no site oficial do Partido. Trata-se de uma posição votada pela US e RZ juntamente com Insurgência, Comuna, APS e TLS. Os companheiros do MÊS não votaram nenhuma posição.

Considerando o texto recuado em relação a crise geral da nação e os desdobramentos da luta de classes, as correntes LRP e CST apresentaram um texto alternativo na reunião.Seguimos a batalha pela unidade das forças de esquerda, semelhante ao que fizemos no último DN do PSOL.

É importante realizar esse debate nos diretórios estaduais e nas plenárias de base, visto que logo mais iniciaremos as várias etapas de nosso 6º congresso. A seguir confira o texto:

 

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Resolução alternativa sobre a situação nacional

1- A crise ganhou contornos dramáticos. Desde a noite de 17/05 o governo e o congresso estão paralisados. As revelações de novos esquemas do PMDB, PSDB e de Temer coloca o governo diante do precipício. A crise paralisa conjunturalmente as contrarreformas. A saída de ministros, o movimento na bolsa, a posição de FHC e do Globo mostram que todo um setor da burguesia abandona Temer. Ao mesmo tempo importantes manifestações ocorreram, com epicentro no dia 17 em SP e no dia 18 no RJ. Domingo outras mobilizações unificadas vão ocorrer. Dia 24 ocorre o “Ocupa Brasília”. Há ainda outros enfrentamentos no país, como a luta dos povos originários contra as reformas e pela demarcação e dos povos quilombolas. O impacto da greve geral de abril fortaleceu a classe trabalhadora, a juventude e os setores populares. É sob o signo da greve geral que presenciamos a crise nas alturas, a instabilidade no andar de cima. A burguesia tem medo de uma nova jornada grevista. Somos contra as eleições indiretas tal como está na constituição de 1988 e como é defendido pela rede globo. Somos contra esse acordão das elites por cima. Com o povo nas ruas derrubaremos Temer, sua agenda neoliberal e todos os parlamentares corruptos e corruptores e podemos construir uma saída pela esquerda.

2-Concordamos com o camarada Nildo Ouriques, quando no texto “Sobre o futuro da agenda liberal”, afirma que “O sistema petucano apodrece diante de nossos olhos. Nem tucanos, nem petistas podem apresentar uma saída popular. Ambos são parte do problema, não da solução. Nosso compromisso deve ser apenas um: dar protagonismo às ruas”. E mais adiante “O novo governo, nascido de um eventual pacto (produzido naquele covil de ladrões que é o congresso nacional) ou de eleições diretas, terá que fazer as reformas que agora não possuem sequer sustentação parlamentar. Portanto, uma vez derrotadas agora, as reformas voltarão como agenda do novo governo. Nossa única obrigação nas circunstâncias atuais é acumular forças nas ruas, elevar o nível de consciência de milhões, aumentar a capacidade organizativa das classes populares para derrotar a agenda liberal”. Para essa batalha é preciso fortalecer as mobilizações. Infelizmente as Centrais acabam de fazer uma reunião sem marcar a data da greve geral, bloqueando essa forma de luta. Por isso temos que batalhar na base das categorias a exigência da greve geral, tomando em nossas mãos essa necessidade, construindo um programa anticapitalista para enfrentar a crise. Nossa estratégia é uma revolução popular, com a classe trabalhadora como sujeito social juntamente com os demais setores explorados e oprimidos.

3-Por fim acreditamos que diante da falência da velha forma de fazer política, do desgaste dos partidos ligados a classe dominante, é preciso seguir nas lutas e construir uma alternativa política, contra Temer, o PSDB, as contrarreformas, combatendo a traição de classe do Lulismo. Construir um terceiro campo, uma alternativa da esquerda anticapitalista:

a– Fortalecer a mobilização unificada, o protagonismo popular, a ação direta nas ruas contra Temer e a agenda liberal das contrarreformas, principalmente o 21 e o “Ocupe Brasília” no dia 24 e batalhar por uma nova greve geral.

b– Batalhar nos sindicatos, Federações, Fóruns unitários por uma nova greve geral preferencialmente na primeira semana de junho, exigindo das Centrais que concretizem esse calendário. É urgente convocar um Encontro Nacional da Classe Trabalhadora para decidir os rumos da mobilização, tarefa das entidades sindicais e populares, Centrais Sindicais, Frentes e Fóruns de luta. É necessário construir uma plenária nacional do sindicalismo classista que possa reunir entidades combativas como ANDES-SN, FENASPS, SINASEFE, FASUBRA, Sindicatos como SEPE do RJ, Metroviários de SP, oposições sindicais e organizações.

c– Apresentar uma plataforma alternativa com medidas urgentes, de combate a crise, que inclua medidas contra o arrocho salarial e o desemprego; a anulação das contrarreformas que foram e que venham a ser aprovadas; a efetivação da suspensão do pagamento da dívida e a realização de uma auditoria da dívida pública com participação popular, canalizando recursos para um plano de reconstrução dos serviços públicos; a punição de todos os corruptos e corruptores com o confisco dos bens acumulados indevidamente e estatização de empresas como a Odebrecht e JBS, dentre outras propostas conectadas com a revolução brasileira.

d– Articular com aliados a construção de uma reunião nacional de emergência das organizações da esquerda anticapitalista e movimentos combativos, envolvendo o PSOL, PCB, PSTU, MAIS, UP, MTST, CSP-CONLUTAS, INTERSINDICAL, MRP, Movimentos de Resistência Camponesa e Urbana, movimentos feministas, negros, povos originários e quilombolas, entidades estudantis, para formular coletivamente uma saída pela esquerda, que contemple os trabalhadores, a juventude e demais setores explorados e oprimidos.

 LRP – Liberdade e Revolução Popular

CST – Corrente Socialista dos Trabalhadores

 

 

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