Ponto final à máfia do transporte!

A Operação Ponto Final deflagrada pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro, que colocou a nu um dos mais antigos esquemas de corrupção, não faz mais que confirmar a justeza de tantos protestos país afora contra aumentos das passagens, que teve seu ápice quando milhões de manifestantes se expressaram nas ruas no ano de 2013.

A justiça demorou muito para atuar. Os preços abusivos das passagens, as péssimas condições do transporte, a falta de cumprimento com compromissos que deveriam estar prontos para as Olimpíadas, como a instalação de ar condicionado, a concessão de subsídios e  créditos provenientes dos cofres públicos, eram elementos mais que evidentes do poderoso conluio estabelecido entre a FETRANSPOR e os governos estadual e municipal encabeçados pelo PMDB de Sérgio Cabral, Picciani, Pezão e Eduardo Paes.

Mais de uma dezena de empresários e políticos foram presos. Destaque para Jacob Barata Filho, o novo “Rei do ônibus”, Lélis Teixeira, presidente da FETRANSPOR e o ex-presidente do DETRO, Rogério Onofre, homem de confiança de Sergio Cabral. As denúncias dos esquemas, surgidas das delações feitas à justiça pelos “arrependidos” ex presidente do Tribunal de Contas do Estado, Jonas Lopes e pelo doleiro Álvaro Novis, ainda poderão oferecer novos nomes deste podre esquema que repartiu centenas de milhões entre a classe política corrupta e empresários do Rio de Janeiro.

A CPI dos ônibus e a LDO, duas pistas para chegar a mais corruptos

A CPI dos ônibus, criada em 2013 por iniciativa do vereador Eliomar Coelho do PSOL, foi rapidamente inviabilizada pelos governistas que respondiam a Eduardo Paes, na tentativa de evitar qualquer tipo de investigação. De um total de cinco integrantes, nomearam quatro, permitindo apenas a presença do companheiro Eliomar. Uma verdadeira “chapa branca”,  questionada por parte de  vereadores da oposição. Porém, a justiça mandou, no início de 2015, reabrir os trabalhos sem mudar a composição, demonstrando a cumplicidade de vários atores, principalmente de Eduardo Paes, para proteger a FETRANSPOR.

Outro fato gritante da existência deste esquema, que privilegia os empresários do transporte, foi revelado durante a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do estado. A bancada do PSOL junto a setores de oposição impulsionaram uma emenda que exigia a “divulgação do demonstrativo dos valores pagos pelo estado, o famoso dinheiro público, à empresa Riocard, discriminando o valor recebido por concessionária e por tipo de despesa: tarifa social, gratuidade, subsídio ao Bilhete Único ou outros tipos”. Esta simples emenda, que visava dar transparência às ações dessa corporação, foi rejeitada pela majoritária bancada governista! Agora, todo mundo sabe porque.

Recuperar o transporte público a serviço da população!

Não podemos ficar aguardando a Justiça. O próprio MPF declara que o esquema existe desde 1991, algo que todos sabiam, porém somente agora, quando o saque foi consumado, começam a prender esses bandidos. Há que unificar forças entre os usuários do serviço público para exigir ir até o fim no desmonte dessa quadrilha. As centrais sindicais, os sindicatos e as organizações estudantis, que abrigam a maioria dos usuários do transporte público, devem chamar a uma grande mobilização para exigir:

– Investigação e punição dos que se beneficiaram desse esquema;

– Confisco de seus bens até cobrir os R$ 500 milhões calculados pelo MPF;

– Reinvestir esse dinheiro no transporte público;

– Cassação das licenças de todas as linhas de ônibus  outorgadas por 20 anos em 2010 sob suspeita de fraudes, carteis e outras irregularidades;

– Que todas as empresas de ônibus fiquem sob o controle do estado, dos trabalhadores do setor e dos usuários até o fim das investigações;

– Que se anulem todos os aumentos de passagem desde 2010, data das licitações fraudulentas, e se volte ao preço de dezembro de 2009 de R$ 2,20 enquanto continuamos a luta pelo passe livre!

 
04/07/2017
CST – Corrente Socialista dos Trabalhadores
Combate 
Vamos à Luta

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