A crise do governo Temer e a luta contra a Reforma Trabalhista

Nos últimos dias se aprofundou ainda mais a crise do governo Temer. A denúncia de corrupção passiva que o Procurador Geral da República apresentou contra Temer vai receber um parecer da CCJ da Câmara dos deputados dia 10-07 (segunda-feira). Temer, além de amargar recordes de impopularidade, foi o primeiro presidente da história a ser denunciado ao Supremo Tribunal Federal no exercício do mandato. Porém, para ser julgado pelo STF, a denúncia contra o presidente ilegítimo precisa ser aceita pela Câmara dos Deputados.

Os últimos dias foram de intensas movimentações no parlamento, evidenciando a perda de apoio ao governo Temer no covil de bandidos que é o Congresso Nacional. A declaração do presidente interino do PSDB, principal partido da base governista, Tasso Jereissati, dizendo que o governo não duraria mais de 15 dias e já admitindo um possível governo com o presidente da Câmara Rodrigo Maia, bem como a postura do vice-presidente do senado, o também tucano Cassio Cunha Lima, declarando que em 15 dias teríamos um novo presidente alimentou ainda mais a crise entre os governistas.

Essa crise “no andar de cima” evidencia as divisões e disputas entre os setores burgueses e partidos da ordem, que tem unidade na aprovação das contrarreformas, mas ainda não decidiram qual será o melhor caminho para fechar a crise, se será com Temer ou com algum sucessor. Essa situação tem sido gerada, sobretudo, pela intensidade que a luta de classes atingiu nos últimos meses, colocando os trabalhadores em cena com greves e mobilizações e abalando as estruturas do poder burguês instaurado no país.

Mesmo em meio a essa enorme crise, a criminosa agenda das contrarreformas não para e o Senado deverá votar dia 11 (terça-feira) a Reforma Trabalhista.

O Congresso corrupto, Maia e as eleições indiretas

Começam as especulações de um governo pós-Temer. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é cogitado por parte importante da burguesia e de seus parlamentares. A tarefa de destruir as leis trabalhistas e a previdência social, que tanto clama a burguesia e a “grande imprensa”, seria chefiada por Rodrigo Maia. A proposta seria varrer Temer e alçar Maia à presidência via eleição indireta. Segundo o jornal o Globo, Maia seria hoje “a preferência do mercado”, ou seja, setores importantes do capital financeiro começam a apoiar essa saída para o país, já que o atual presidente da Câmara, não faria mudanças e manteria a mesma equipe econômica encabeçada pelo banqueiro Henrique Meirelles. Essa proposta também tem apoio de setores importantes do PSDB e do próprio PMDB, partido de Temer. Ou seja, mais um corrupto que quer tirar nossos direitos assumiria o país. Uma mudança para não mudar nada.

É um escândalo que um Congresso de ladroes e bandidos da pior espécie decida os rumos do país. A rejeição desse congresso corrupto chega a 90%. É impossível que uma instituição apodrecida como essa apresente qualquer saída positiva para os graves problemas sociais que castigam duramente os trabalhadores e setores populares de nosso país.

Não ao acordão para salvar Temer, Aécio e Lula!

Um imenso acordão está em curso para salvar os corruptos desse podre regime político. Esse acordo envolve todos os principais partidos políticos que estão na base de Temer e na oposição. PMDB, PSDB e PT estão no centro dessa operação que conta com o apoio de setores do judiciário. A devolução do mandato de Aécio Neves e a liberdade do deputado “da mala” Rodrigo Rocha Loures se inserem nesse acordo. A salvação de Temer também. Não é a toa que Lula declarou: “Se o procurador-geral da República tem uma denúncia contra o presidente da República, ele primeiro precisa provar” (jovempan.uol.com.br).

Essa semana Lula ainda foi testemunha de defesa de Cunha e não fez nenhuma declaração contra o bandido que presidia a Câmara dos Deputados à época do impeachment de Dilma. Muitos defendem Lula falando que era obrigado a ir testemunhar ao ser convocado pela justiça. Não questionamos seu comparecimento, mas o papel covarde que cumpriu, fazendo sua parte no acordo espúrio que estão construindo para salvar os corruptos. Compareceu, disse que não sabia de nada, e foi embora. Perdeu a oportunidade de fazer um pronunciamento histórico, denunciando este regime corrupto a serviço dos grandes interesses capitalistas, no qual se inscrevem as denuncias contra Cunha, Temer, José Serra ou Aloysio Nunes, responsáveis pela situação de desemprego, salários de fome e a violência descontrolada que sofrem milhões de trabalhadores. Obviamente que Lula não poderia fazer isso. Primeiro porque ele e seu partido também estão envolvidos; segundo, porque esse acordão entre todos esses políticos garantiria que Lula não fosse condenado e pudesse concorrer em 2018.

A vergonhosa paralisia das maiores centrais sindicais

Força, UGT, CUT, CTB, foram fundamentais para evitar que no dia 30 de junho houvesse uma nova greve geral vitoriosa no país, como aconteceu no dia 28 de abril. Abriram uma negociação com o governo e trocaram a greve geral por um dia de atos e mobilizações. Mesmo assim, pela base, a classe trabalhadora impôs um forte dia de lutas, mobilizações e greves em diversas categorias.

Às vésperas da votação da reforma trabalhista, as centrais mais uma vez estão paralisadas. Marcaram uma reunião para o dia 5 desse mês para supostamente organizar a mobilização, mas adiaram a reunião! Como se não houvesse necessidade de enfrentar a reforma que vai arrebentar com os direitos trabalhistas! CUT e CTB estão preocupadas com a manutenção do imposto sindical e centralmente com o seu projeto de Lula 2018, por isso mão chamam os trabalhadores à mobilização. A verdade é que as principais centrais traem a luta dos trabalhadores e estão sendo cúmplices da reforma. Exemplo disso foi Paulinho da Força. Conhecido pelego, ele declarou que tem certeza que o fim do imposto sindical não entrará na reforma. Ou seja, para manter os privilégios advindos dos bilhões de reais do imposto sindical, saídos do bolso do trabalhador, as maiores centrais sindicais entregam todos os outros direitos dos trabalhadores.

É hora de tomar as ruas contra Temer, Maia e a Reforma trabalhista!

Apesar das centrais sindicais, a classe trabalhadora promoveu grandes mobilizações no primeiro semestre de 2017, dentre elas a maior greve geral da história do país, no dia 28 de abril e a massiva marcha a Brasília, que corajosamente, não recuou ante a violenta repressão policial. Ainda é grande o potencial de mobilização e a indignação dos trabalhadores contra as reformas, o Governo Temer e o Congresso corrupto. É preciso imediatamente organizar manifestações em todo o país para os dias 10 e 11 (dia em que será votada a Reforma trabalhista). Tomar as ruas contra as reformas segue sendo fundamental para derrotar de uma vez por todas os ataques deste espantalho de governo contra a classe trabalhadora.

Por um polo da esquerda para a batalha contra a traição das maiores centrais sindicais

Além disso, devemos discutir em todas as categorias a necessidade de organizar a luta, para barrar todas as reformas e derrubar Temer junto com esse congresso corrupto.

Para essa batalha, que causará um enfrentamento com as direções das maiores centrais sindicais, é necessário organizar um polo da esquerda e lutar pela base para exigir que as direções sindicais majoritárias chamem à mobilização rumo a uma nova Greve Geral. Esse é o chamado que fazemos ao PSOL, PSTU, PCB, Conlutas e Intersindical. Unificar em um polo o conjunto dos lutadores e organizações que não se venderam é uma necessidade prioritária para impedir as reformas neoliberais e impor uma saída favorável à classe trabalhadora e derrotar, no curso da luta, as direções que estão entregando nossos direitos.

9 de Julho de 2017

CST – Corrente Socialista dos Trabalhadores

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