Entrevista com Orlando Chirino | Aonde vai a Venezuela?

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Entrevistamos o companheiro Orlando Chirino, dirigente sindical e político do C-CURA e do PSL, (Partido Socialismo e Liberdade) sobre a realidade Venezuelana, após quatro meses de uma rebelião popular, que já conta com mais de 90 manifestantes assassinados pelas mãos da repressão e dos paramilitares do governo Maduro.


 

 CS: Companheiro Orlando, os protestos vão seguir?

Chirino: Os protestos não param, são na sua grande maioria espontâneos, e o que prima é a vontade do povo e da juventude de seguir lutando pela saída do governo do ajuste e assassino de Maduro. Na Venezuela estamos vivendo uma ditadura que não respeita os mais elementares direitos democráticas.

CS: No Brasil há setores de esquerda que acham que Maduro atua erradamente por não seguir o legado de Chávez.  Que opinas?

Chirino: Infelizmente, este é um dos resultados desastrosos da política de conciliação de classes. Criam confusão nas pessoas, que acham que se trata sempre de optar pelo “mal menor”. Quem não vê que na Venezuela existe uma autêntica rebelião popular contra um governo repressor, que apoiado nos militares, provoca fome, desemprego e desespero, não pode ser chamado de esquerda.

O que ocorre na Venezuela é resultado da política de Chávez que nunca rompeu com as multinacionais e que sempre cedeu a política da direita após o golpe de 2002, perdoando os golpistas. Um governo que reprimiu greves, deixou impune os assassinatos de dirigentes sindicais e indígenas, não respeitou os direitos sindicais, sempre apoiou ditadores sanguinários, como Bashar Al Assad, da Síria e Mubarak do Egito. E Maduro acaba de enviar dinheiro para a posse de Trump, enquanto o povo passa fome!  Infelizmente a MUD tenta se aproveitar desses imensos equívocos do PSUV. Por isso nos do PSL lutamos junto ao povo, por uma alternativa de classe, nem MUD nem PSUV!

 CS: Como foi o plebiscito de 16 de Julho convocado pela MUD*?

Chirino: Mais de 7 milhões de pessoas participaram do plebiscito expressando seu repudio ao governo. A alta votação em bairros populares que foram bastiões eleitorais do chavismo sofreu represálias por parte do governo. Houveram ataques paramilitares em um centro de votação no bairro popular de Catia em Caracas, com o saldo de uma mulher assassinada e três pessoas feridas a bala.

Sabíamos que a participação seria massiva. Por isso chamamos a votar SIM na primeira pergunta que era o repudio à ANC (Assembleia Nacional Constituinte), e NAO nas outras duas, na qual se destacava o papel “constitucional” dos militares e se propunha um governo de unidade nacional com setores do chavismo e dos empresários.

CS: E agora, como vai continuar, qual é a perspectiva dos próximos dias?

Chirino:  A paralisação cívica convocada pela MUD teve muita força, devido a extraordinária rebelião popular que já dura 4 meses. Existe uma tremenda disposição de luta do povo e dos trabalhadores de meu país, decididos a pôr um fim neste governo que aplica um ajuste brutal e reprime aos que se mobilizam contra seu governo. Nós participamos com uma posição independente no paro cívico. Nos parece que é hora de fortalecer a mobilização em direção a uma greve geral. Além disso, defendemos que sejam os trabalhadores e os setores populares mobilizados os que devem governar. Devemos dar continuidade com ações mais contundentes e autônomas, até Maduro cair, organizando e preparando uma greve geral com assembleias democráticas, que tenha como protagonista aos trabalhadores. Devemos reunir com todos aqueles dispostos a lutar contra o governo e a fraude da constituinte. Existe uma grande pressão social pela saída de Maduro. Existe um chamado a greve de 48 horas para quarta e quinta desta semana, e depois uma grande marcha sobre Caracas vinda de todos os cantos do país.

CS: qual é a proposta do PSL frente a este quadro?

Propomos formar uma Coordenação Sindical Nacional Unitária, que agrupe todos os setores e correntes do movimento sindical para impulsionar a organização dos trabalhadores para fortalecer a mobilização operária e popular até derrotar a constituinte e acabar com um governo incapaz de garantir comida ao povo. Defendemos um plano econômico e social de emergência, que inclua comida e medicamentos para todos sem restrições; por aumento de salários a cada 3 meses, reajustados pela inflação! Basta de demissões e “suspensões” nas empresas públicas e privadas. Em defesa das liberdades democráticas, não aos tribunais militares, dissolução da Guarda Nacional. Não pagar a dívida externa! Petróleo 100% estatal, sem multinacionais nem empresas mistas!


 

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