Agora é Plínio Jr. pré-candidato à Presidência da República! Resgatar o projeto original do PSOL e fortalecer uma Frente de Esquerda! 

O VI Congresso do PSOL ocorrerá em meio à construção da Greve Geral de 05/12. Isso impõe reflexões e tarefas ao partido. Devemos militar para que a Greve Geral se efetive e exista unificação contra as reformas neoliberais do governo Temer/Maia, superando as manobras da burocracia sindical. A ação direta é a melhor forma de enfrentar o acordo nacional pela salvação dos corruptos, capitaneado pelo Executivo, Legislativo, STF, PMDB, PSDB e PT. Ao mesmo tempo, é importante considerar que existem candidaturas do sistema disputando parte do imaginário popular. Apesar das divergências, essas candidaturas integram o partido da ordem: Doria, Alckmin, Bolsonaro, Marina, Ciro e Lula. Todos, independentemente do espectro,  visam salvar a república das empreiteiras, manter o pagamento da dívida e preparam ajustes contra os trabalhadores.

O que está ausente, em meio às lutas que existem desde a revolta de junho de 2013, é um terceiro campo classista, com um programa operário e popular e lideranças que vocalizem esse projeto político. Isso faz falta aos 40 milhões que cruzaram os braços na Greve Geral de abril e à juventude que ocupou escolas e universidades. Devemos compreender a insatisfação contra Temer, suas reformas e tudo isso que está aí como uma oportunidade para reafirmar o projeto anticapitalista e antiimperialista que deu origem ao PSOL. Esse é o caminho para fortalecer uma alternativa de esquerda para os que estão nos piquetes, nas marchas, nos atos feministas e do movimento negro.

É a hora e a vez do PSOL e de uma Frente de Esquerda!

No entanto, a política da direção majoritária do PSOL (US) transforma o Partido numa “ala crítica” do lulismo e numa legenda que governa com a direita no Amapá. Essa política se expressa numa reunião realizada no Pará, para construir o “campo progressista” com PT, REDE, PDT e PCdoB naquele estado, onde o PSOL tem importante peso. Da mesma forma, pretendem construir algo com esse “campo” nacionalmente. Outro erro da US é esperar o desfecho da candidatura de Lula para decidir o nome do PSOL. É fundamental que o VI Congresso reveja essa orientação e resgate o caminho original do PSOL. Lula, Dilma e o PT governaram a serviço das multinacionais e por isso fizeram a reforma da previdência contra os servidores públicos, comprando votos. Os radicais (Heloisa, Luciana Genro e Babá) não aceitaram essa traição, apoiaram a greve dos servidores, foram expulsos do PT e ajudaram a fundar o PSOL. O PT colocou Temer de vice de Dilma e governou o Rio de Janeiro ao lado de Sergio Cabral e Picciani. O desastre que a aliança PMDB/PT produziu no RJ é visivel na destruiçao dos serviços públicos, o crescimento da violência e da corrupção. Nacionalmente a coalizão PT/PMDB foi responsável por privatizações, aplicação de ajustes, o pagamento religioso da dívida ao sistema financeiro e esquemas mafiosos no congresso e nas estatais. Dilma deixou a presidência, após a lei antiterrorista, cortes nas áreas sociais, MPs 664 e 665 (restringindo o abono salarial, seguro desemprego, pensões por morte e auxílio doença), o PPE (que permitia a redução de salário nas fábricas) e a apresentação de um pacote fiscal onde constavam medidas semelhantes a EC 95 (PEC da Morte) e a atual reforma da previdência, além de 12 milhões de desempregados. Hoje o PT está ao lado de Renan Calheiro e Katia Abreu e vai realizar coligações com o PMDB em vários estados e juntos estão envolvidos em esquemas de corrupção.

Do mesmo modo, discordamos da proposta de aguardar a definição de Guilherme Boulos. Infelizmente, Boulos segue atrelado ao lulismo, impulsionado o Vamos com Gleisi Hoffmann, Lindberg Farias e Tarso Genro. Essa estratégia é um erro. Sabemos que o MTST lidera ocupações por moradia e agora está em luta em São Bernardo do Campo, lutas que devem ser apoiadas. Mas isso não significa concordar com a política do grupo dirigente do movimento. Boulos participou de eventos da campanha eleitoral do ex-presidente petista e está esperando uma definição de Lula. Ou seja, não se trata de um dirigente independente e alternativo, e não reúne condições para representar o PSOL. Para construir uma alternativa é preciso romper com os lulistas.

Plínio Jr. pré-candidato à Presidência da República pelo PSOL

Para sermos coerentes com as bases fundacionais do PSOL, construindo uma alternativa contra a falsa polarização, é  fundamental que o Congresso do PSOL decida por uma pré-candidatura que expresse o mesmo perfil das campanhas eleitoriais de 2010 e 2014 e decida pela construção de uma Frente de Esquerda com PSTU e PCB, como fizemos em 2006. Buscando nos espelhar no exemplo positivo da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT, em espanhol) que vem obtendo bons resultados na Argentina. Existem pré-candidaturas já lançadas, como Plínio de Arruda Sampaio Júnior e Nildo Ouriques. Além desses nomes, a companheira Luciana Genro, que foi porta-voz do PSOL nas últimas eleições, foi apresentada como uma opção à disposição do partido pelo congresso do PSOL do Rio Grande do Sul.

A CST apoia Plínio de Arruda Sampaio Jr., pois ele é o pré-candidato que reúne as melhores condições para a unidade das correntes da esquerda partidária. Uma pré-candidatura anti-sistêmica, combatendo a velha e falida república de 1988 e as alternativas políticas da ordem; enfrentando a velha direita e as falsas alternativa de esquerda, como Lula e o PT. Plínio defende uma agenda conectada às jornadas de junho de 2013 e a construção da Frente de Esquerda com PSTU e PCB. Defende a construção de um programa alternativo contra o capital, vinculado às pautas da classe trabalhadora: suspensão do pagamento da dívida pública, que drena nossa riqueza para a farra do sistema financeiro; a revogação de todas as contarreformas que retiram direitos realizadas por FHC, Lula, Dilma e Temer. Plínio defende uma estratégia conectada com a revolução brasileira, colocando sua campanha a serviço das lutas e da greve geral.

Por isso, defendemos que o VI Congresso defina esses dois temas – alianças e pré-candidatura – sem postergar mais esta questão. Defendemos também uma chapa unitária das forças de esquerda e democráticas. Duas batalhas que a pré-candidatura de Plínio está realizando desde já.

28/11/17,

Corrente Socialista dos Trabalhadores – PSOL

3 thoughts on “Agora é Plínio Jr. pré-candidato à Presidência da República! Resgatar o projeto original do PSOL e fortalecer uma Frente de Esquerda! ”

  1. Daniel Marçal says:

    Apoio totalmente a visão mostrada.
    Candidato próprio e com raízes no Psol.
    União com PSTU e PCB!

  2. Sergio Granja says:

    Por que apoiamos Plínio Jr.

    1.
    Lênin, ao tirar a lição da derrota da revolução na Europa ocidental, concluiu que era chegada a hora de substituir o ataque frontal pelo assédio ao poder.

    2.
    Gramsci, de sua parte, estabeleceu a distinção entre “Ocidente” e “Oriente”, postulando que a “guerra de movimento” exitosa no “Oriente” deveria dar lugar à “guerra de posição” no “Ocidente”.

    3.
    O desenvolvimento do capitalismo se dá de uma forma que, em vez de incluir cada vez mais trabalhadores ao sistema produtivo, substitui mão de obra por maquinário, automatiza em larga escala o processo de trabalho, gerando um ‘exército de reserva’ inchado, precarizando o mundo do trabalho, desestruturando a vida dos trabalhadores e marginalizando-os em escala crescente. As seis pessoas mais ricas da Terra agora possuem mais riqueza do que a metade mais empobrecida da população mundial — 3,7 bilhões de pessoas. E o 1% do topo tem agora mais dinheiro do que os 99% restantes. Desse modo, rompe-se o frágil equilíbrio social e, no rastro da desestabilização da sociedade, o ‘Ocidente’ assume ares de uma barbárie pós-moderna.

    4.
    Nesse novo quadro, a ‘guerra de posição’ ganha contornos que a aproximam em muitos aspectos da velha ‘guerra de movimento’. A luta de classes opõe um proletariado em grande parte precarizado a uma burguesia cada vez mais monopolista. E os direitos democráticos das massas são reduzidos e mutilados pelo capitalismo monopolista de Estado, que é a fusão dos interesses do capital monopolista com o aparelho estatal, arranjo no qual a corrupção é da ordem da reprodução ampliada do capital (vide delações de Odebrecht, JBS, etc.).

    5.
    Acrescente-se a essa situação a crise estrutural do capitalismo, que força a passagem de uma exploração capitalista baseada na extração de mais-valia relativa (o “ganha-ganha” – no qual se amplia a distância entre os de cima, que ganham muito, e os de baixo, que também ganham, mas muito menos) para uma nova fase de extração brutal de mais-valia absoluta (na qual os de cima ganham sozinhos às expensas de toda a sociedade). Essa virada regressiva do sistema capitalista vem acompanhada, como não poderia deixar de ser, de um ataque frontal do capital contra os direitos trabalhistas e sociais, e à própria democracia política.

    6.
    No Brasil, 5 bilionários têm a mesma riqueza que a metade da população mais pobre do país. O ilegítimo governo Temer é a expressão disso.

    7.
    Para enfrentar a ofensiva do capital, urge organizar uma contraofensiva estratégica anticapitalista. Mas, para isso, há que se considerar as mediações necessárias, ou seja, o encadeamento progressivo das táticas para as sucessivas conjunturas que se configurem.

    8.
    Por essa razão, estimulamos o diálogo com outras forças políticas, afins ou não, principalmente o diálogo sobre questões programáticas que possam unificar o mais amplo leque de forças populares e democráticas (e são populares e democráticas não no abstrato, mas no marco de uma conjuntura concreta), desde que feito à luz do dia, de forma aberta. Por conseguinte, somos favoráveis ao entendimento em torno das lutas concretas que possam destravar o atual quadro político, com transparência e sem exclusões ou manipulações.

    9.
    Que se trata de um processo inicialmente reformista e não revolucionário, não há dúvida. Mas devemos descartar os processos reformistas? Não. Essa atitude nos colocaria à margem dos embates reais, à espera de um “grande dia” que nunca há de chegar se não for laboriosamente construído nas lutas cotidianas.

    10.
    É claro que é preciso alertar para as limitações dos processos reformistas, desconfiar de suas debilidades, principalmente das hesitações de forças que não inspiram confiança. Mas o processo deve ser levado avante com o nosso apoio até seus limites. E o fracasso ou sucesso dele depende em larga medida da capacidade das forças mais consequentes em provocar o aprofundamento das reformas num sentido progressivo, vale dizer, anticapitalista. Isso fica na dependência da correlação de forças, que não é estática. Ou seja, é preciso ampliar o espaço do possível, o que só se faz com luta.

    11.
    O primeiro passo é construir um programa mínimo, o que evidentemente implica compromissos. Isso vem sendo ensaiado em diversos encontros. De posse do programa pactuado, o próximo passo será definir uma candidatura de consenso, que pode não levar a uma vitória eleitoral imediata, mas resultará certamente na construção de uma força social anticapitalista capaz de acumular para mudar a correlação de forças e propiciar uma profunda transformação social.

    12.
    Na primeira eleição do Lula (2002), a esquerda perdeu essa oportunidade e deu no que está aí. Para construirmos uma nova oportunidade de intervenção sobre o real, precisamos reconstruir um polo de atração capaz de operar deslocamentos ideológicos e organizacionais. A candidatura de Plínio Jr. é um impoprtante elo nesse processo. Por isso, merece o nosso apoio entusiástico.

    13.
    O PSOL necessário é plural e de lutas, um partido socialista de massas e democrático. E, nesse momento, isso se faz com um processo de prévias que construa coletivamente um programa anticapitalsita para os dias de hoje e escolha um candidato a Presidente legitimado pelas bases partidários.

    José Luís Amálio da Silva (Zé da Lata)
    Marisa Menezes Pinto
    Sergio Granja
    Suely Branco

    1. CST-PSOL says:

      Iremos lutar para que o PSOL tenha um candidato que defenda o programa fundacional do partido.
      Muito bom saber que estamos juntos nessa luta. Contem conosco Zé da Lata, Marisa, Sergio e Suely para garantir um PSOL que não esteja com a VAMOS e permaneça bem longe de Lula.

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