2018 : Seguir a luta contra a reforma da previdência e pela revogação da reforma trabalhista!

O presidente hospitalizado, sem dar declarações, enquanto Rodrigo Maia abatido anunciava o adiamento da votação da reforma da previdência era o símbolo da crise que existe em Brasília. O governo Temer/Meirelles, os banqueiros, as multinacionais e o presidente da câmara perderam a batalha da previdência em 2017. A classe trabalhadora, a juventude e os setores populares vêm protagonizando fortes lutas, superando as traições da burocracia sindical, e poderiam impor uma greve geral como a de abril deste ano ou novas mobilizações como em junho de 2013 caso a reforma fosse votada no dia 19/12. Um exemplo disso foi a assembleia massiva da Volkswagen, em plena rodovia Anchieta (SP), onde a pressão do operariado metalúrgico do ABC forçou os sindicalistas pelegos a votar uma greve dia 18 ou 19, com piquetes. Perder a votação da reforma, com o povo nas ruas, com greves e ocupações – como está ocorrendo na Argentina – era o fantasma que rondava o Palácio do Planalto e a BOVESPA. Por cautela, vendo a fragilidade do governo, a impopularidade do parlamento, o desgaste do STF, a debilidade da burocracia sindical, a burguesia foi obrigada a adiar o embate. Uma vitória das ruas, das mobilizações e da insatisfação que existe em todo o país.
 
O acordão que salva os corruptos sai desgastado
O grande acordo nacional, envolvendo executivo, legislativo, os maiores partidos (PMDB, PSDB e PT), o STF e a burocracia sindical conseguiu paralisar a luta por alguns meses mas foi incapaz de “pacificar o país”. Não era pra menos, já que a classe trabalhadora e os setores populares teriam que suportar a perda de direitos, rebaixamento de seu nível de vida e aguentar a impunidade de Temer, Lula, Aécio e todos os corruptos. O escracho contra Romero Jucá num voo comercial e a repercussão nas redes sociais é um termômetro da alta indignação popular. Ao mesmo tempo, o acordão esgotou as energias dos velhos pelegos que estão à frente da cúpula das centrais, pois foram obrigados a convocar greves gerais que eles mesmos tinham que desconvocar, ganhando ódio não só das bases, como no dia 30/06. No dia 05/12, quando a greve nacional foi cancelada por telefone, pipocaram críticas de dirigentes de Confederações, Sindicatos de Base, que desacatavam as ordens e mantiveram os protestos, numa dinâmica explosiva.
 
Plenária de sindicatos, federações e centrais em janeiro: organizar Greve Geral dia 19/02
Para avançar é fundamental combater a trégua que as direções querem impor. Ao invés de distensionar as bases, deveríamos utilizar o adiamento da votação da reforma da previdência para seguir adiante, revogar a reforma trabalhista, bem como derrotar o arrocho e as demissões. Deveríamos ter mantido os protestos do dia 19/12 pelo Fora Temer para colocar pra fora todos os corruptos. O que faz falta é um polo sindical democrático e classista em cada manifestação. Em geral a esquerda capitula aos lulistas ou ajuda a desmontar as greves, como o que vimos no desmonte da greve da FASUBRA. Por outro lado, no campo classista e da esquerda sindical, a última reunião da nossa central, a CSP-CONLUTAS, foi inteiramente pautada por debate de cargos, passando ao largo da situação política. A CSP-CONLUTAS, em nossa visão, deveria propor as centrais uma greve geral no dia 19/02 e uma plenária nacional em janeiro, ao mesmo tempo em que as oposições e militantes de nossa Central deveriam levar essas propostas a todos os sindicatos, confederações e federações onde atuamos.
 
Por uma frente de esquerda, com PSOL, PSTU e PCB
Ao mesmo tempo Lula segue com seus comícios e sua campanha eleitoral, igual a Ciro Gomes, ou figuras como Alckmin e Dória e Bolsonaro. Faz falta uma alternativa política, uma Frente de Esquerda com PSOL, PSTU e PCB. Porém, a maioria do PSOL segue atrelada ao tempo político de Lula, esperando Boulos, sendo incapaz de apresentar uma alternativa que supere os governos petistas. E no âmbito da esquerda radical, o PSTU vem se negando a construir uma Frente, um erro que esperamos que seja revertido. No interior do PSOL, com a pré-candidatura de Plínio Jr., em conjunto a várias organizações e dirigentes defendemos uma agenda conectada às jornadas de junho de 2013 e à greve geral de abril. Um programa anticapitalista, vinculado às pautas da classe trabalhadora: suspensão do pagamento da dívida pública, que drena nossa riqueza para a farra do sistema financeiro; a revogação de todas as contrarreformas que retiram direitos realizadas por FHC, Lula, Dilma e Temer. Chamamos aos filiados e eleitores do PSOL a entrar nesse movimento por uma nova orientação para o PSOL e uma Frente de Esquerda Socialista!
18/12/2017
Executivo Nacional da CST

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