Plenária de base para debater a entrada de Úrsula Vidal no PSOL!

Corrente Socialista dos Trabalhadores – CST – Regional Pará

A militância psolista acompanha nesta semana o anuncio da entrada de Úrsula Vidal às fileiras do partido. Úrsula recentemente rompeu relações com a REDE-Sustentabilidade, sigla que compôs e por onde disputou ao pleito municipal em 2016, chegando ao terceiro lugar. Um fato consumando sem debate com a militância e com os eleitores do PSOL. Por isso queremos apresentar nossa visão sobre essa importante questão.

É necessário fazermos uma breve avaliação de Úrsula em seu período na REDE de Marina Silva, e consequentemente refletirmos como deverá se portar ante aos métodos e programa psolista, caso seja referendada a sua filiação numa plenária de base. Desde que iniciou a sua empreitada na disputa de um espaço como “o novo”, a REDE Sustentabilidade apenas representou o mais do mesmo da velha política. Marina Silva, sua principal expoente, é uma representante do eco-capitalismo, pois apesar de pintar-se de verde, é diretamente financiada por multinacionais, como o Itaú e Natura – esta que degrada diretamente a floresta -, ou seja, não rompe com a economia capitalista.

Em 2014, diante do segundo turno das campanhas presidenciais e ao governo do Pará, Marina Silva apoiou bravamente Aécio e Jatene, ambos do PSDB. Inclusive, a própria Úrsula Vidal subiu ao palanque com Jatene nesta ocasião e chamou voto no atual governador.

Já em 2016, na campanha para a prefeitura, Úrsula Vidal assumiu a política e o programa burguês da REDE, servindo ao capital e defendendo a ordem estabelecida sem atacar a raiz dos problemas sociais que enfrentamos em Belém. Apresentou um programa palatável, do que era possível fazer, como qualquer candidatura da direita faz, sem convocar o poder de mobilização da população pobre e trabalhadora para romper com a Dívida Pública e a Lei de Responsabilidade Fiscal, por exemplo, dois dos mecanismos diretos que o Estado capitalista utiliza para atacar os serviços públicos e direitos dos trabalhadores.

Sem contar que estamos falando da REDE, que em Macapá-AP ataca os servidores municipais com arrocho salarial e restrições democráticas; que atacou os docentes em 2014 e aplica religiosamente a cartilha do ajuste fiscal-neoliberal, receitada pelo FMI e transmitida por Temer/PMDB, Meirelles e Maia/DEM. É, dessa forma, um projeto antagônico do qual o PSOL e sua tarefa histórica se propõe a construir no dia-a-dia das lutas.

Está errado o que a US (setor que dirige o PSOL majoritariamente) fez ao conduzir a filiação de Úrsula. Como dissemos, se trata de uma figura pública que por razões eleitorais migra de uma sigla burguesa que é a REDE para um partido de esquerda como o PSOL. É preciso que a direção partidária convoque a base do partido, afinal, no PSOL não cabem oportunistas e piratas, que se aproveitam da boa imagem do partido e o tomam de assalto, como vimos com Meg Barros em 2012, que após ser eleita vereadora com a bancada psolista pulou fora meses depois para se abrigar no PROS. Úrsula não chegou ao posto de governante, nem parlamentar, isto é, não aplicou a política e agenda econômica neoliberal da REDE contra os trabalhadores; sequer estamos dizendo que irá ocorrer o mesmo que ocorreu com Meg, mas é preciso pontuar isto para não repetirmos os erros do passado ou erros recentes que se repetem em outros estados com nosso partido abrigando carreiristas e figuras da ordem em busca da utilização eleitoral do prestigio do PSOL.

A discussão central aqui é de que as práticas da REDE não cabem no PSOL. O fisiologismo conservador praticado por Marina Silva não deve ser a prática do PSOL. O mesmo conservadorismo que faz Marina ser contra o aborto, que faz alianças com os partidos burgueses “puro sangue”, e que na semana passada lançou nota em apoio à intervenção militar na cidade do Rio de Janeiro ou declarações em apoio a Lava Jato. E Úrsula sai da REDE enaltecendo esse projeto patronal e de direita, louvando o papel de Marina Silva, como se a REDE e sua porta-voz fossem progressivos. E isso é algo absurdo.

Nós da CST, uma tendência interna fundadora do PSOL, apostamos na aplicação do programa fundacional do partido, o qual define que o determinante para o triunfo da classe trabalhadora e a garantia dos direitos básicos está na sua própria luta e mobilização permanente, sem lançar ilusões de que o processo eleitoral burguês e todas as suas regras sujas trarão transformações positivas profundas, e é o descrédito do conjunto da população com este jogo de cartas marcadas que está colocado em questão. Porém, sabemos da importância de disputar este espaço. E aí defendemos que uma Frente de Esquerda seja conformada, entre o PSOL, PSTU, PCB e todos os movimentos sociais combativos que não se venderam aos privilégios da ordem capitalista. Esta diferenciação de dois projetos distintos faz parte da batalha fundamental que travamos internamente contra a política conciliadora e métodos burocráticos da US, que sustenta cargos na prefeitura burguesa de Macapá-AP, ao lado da REDE e DEM.

A partir das considerações acima exigimos, junto a executiva ou diretório estadual do PSOL-PA, a realização de uma plenária de base que  debata a filiação de Úrsula. O PSOL não pode se igualar às práticas dos grandes partidos da ordem, que em meio ao troca-troca de cadeiras caminham conforme os seus interesses parlamentares falem mais alto, sucumbindo os princípios e o programa partidário. Por fim, seguiremos defendendo o nome do companheiro Fernando Carneiro, como candidato ao governo do estado, impulsionando o PSOL contra a falsa polarização de tucanos, barbalhos e petistas.

O PSOL é um partido vivo, com militância ativa em várias frentes de luta e tem nomes para apresentar dentre seus parlamentares, dirigentes sindicais e dos movimentos sociais. Buscaremos esses nomes para seguir essa batalha por meio de prévias estaduais. A base precisa discutir o programa, o arco de alianças e decidir qual será o nome que garanta um PSOL de cara própria nas eleições.

Belém, 2 de março de 2018

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