5 de maio de 1818 – 200 anos do nascimento de Marx

De José Castillo, do Izquierda Socialista – UIT-QI

Karl Marx não se equivocou: o capitalismo continua gerando miséria, marginalização e exploração. Ainda está pendente a grande tarefa: que a classe trabalhadora tome o poder, exproprie a burguesia e comece a construir o socialismo, planejando democraticamente uma economia mundial a serviço das necessidades e do desenvolvimento da humanidade.

Brückenstaße 10, em Trier, na Alemanha. Ali está o museu Casa de Karl Marx. No primeiro piso se pode visitar a habitação onde ele nasceu, há 200 anos. Há 170 anos, escreveu o Manifesto Comunista. E há 151 anos publicou O Capital. Apesar das dezenas de tentativas de “enterrá-lo”, o legado e a mensagem de Marx seguem presentes.

E por que continuam presentes? Porque não se equivocou no que era essencial: o capitalismo, esse regime que chegou à história “esguichando lodo e sangue”, não oferecia nem oferece nenhuma saída para a humanidade. Só poderá gerar, e mais ainda em nossa época imperialista, mais exploração, opressão, miséria, marginalização, guerras e destruição do planeta. Por isso, nossa tarefa central é destruí-lo.

Um programa para a emancipação do proletariado

A concepção de Marx é clara. A classe trabalhadora tem que se unir para lutar por seus direitos e contra a exploração capitalista. Essa organização não pode ser alcançada sendo somente sindical. Há que se organizar um corpo político próprio: um partido, separado e diferente dos partidos patronais. E há que fazê-lo para que a revolução socialista triunfe, tomando o poder do estado capitalista. Aí, a partir de um governo dos trabalhadores, teremos de expropriar os meios de produção e começar a construir o socialismo, planificando a economia e, ao mesmo tempo, estendendo a revolução para todo o mundo – afinal, o socialismo só é realizável em escala internacional.

As traições “em nome de Marx”

Lamentavelmente se cometeram, “em nome do marxismo”, muitas traições à classe trabalhadora. Assim a socialdemocracia da II Internacional Comunista – grandes partidos socialistas que se organizaram no último terço do século XIX – começou a negar que para construir o socialismo é necessária a revolução. Assim, co-governaram com a burguesia e arquivaram, para os “dias de festa”, a necessidade de expropriar a burguesia e construir o socialismo. Suas máximas traições foram, sem dúvida, ter apoiado a Primeira Guerra Mundial, mandando a classe trabalhadora dos dois lados a massacrar-se mutuamente a serviço do capitalismo imperialista; e, posteriormente à Guerra, pôr-se a enfrentar a primeira revolução socialista triunfante da história – a revolução de Outubro de 1917, na Rússia – assim como as que começaram a estalar por toda a Europa a partir de 1918, chegando mesmo a assassinar líderes operários como Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo.

A outra grande traição seria a do estalinismo, que afundaria numa ditadura feroz e burocrática a maior conquista da história do proletariado mundial: o governo dos Soviets, nascido da revolução bolchevique dirigida por Lenin e Trotsky. A aberração de chamar de “socialismo em um só país” o que acontecia na Rússia, cercada de privações e contradições, seguiu-se de expulsões, silenciamentos, repressão e finalmente o assassinato em série de toda a velha guarda que dirigiu a revolução. “Em nome de Marx, Engels, Lenin e Stalin”, se traíram e afundaram revoluções em décadas seguintes. Mais adiante, seriam as próprias classes trabalhadoras que derrubariam esses regimes autoproclamados “marxistas” e “socialistas”, em um processo revolucionário cuja expressão mais emblemática foi a caída do tristemente célebre Muro de Berlim.

Nos últimos anos voltamos a ver as lições de Marx tergiversadas e arrastadas à lama, como a autoproclamação do “socialismo do século XXI” que, explicando ser possível “transcender o capitalismo” com economia mista e sem expropriação da burguesia, governa a serviço das multinacionais que saqueiam os povos, reprimindo e deixando o povo à fome, como hoje fazem Maduro na Venezuela ou Ortega na Nicarágua. Ou, ainda pior, vemos regimes como a ditadura capitalista chinesa, que continua se chamando “comunista”.

Mas o Marx sempre volta

O Capital volta a ser um best-seller. As obras de Marx são relançadas e reimpressas aos milhões em todos os idiomas. Novas gerações de lutadores se proclamam anticapitalistas e buscam, mais uma vez, um guia para a ação no velho alemão barbudo. O leva de volta ao capitalismo imperialista com suas crises, seus milhões de novos desempregados, suas multinacionais que depredam o planeta, suas guerras e massacres.

Por isso, apesar dos subterfúgios e traições, voltamos a Marx. Nahuel Moreno, fundador de nossa corrente internacional, sustenta que “os trotskistas hoje são os únicos defensores, segundo meu critério, das verdadeiras posições marxistas […]. Enquanto existir o capitalismo, no mundo ou num país só, não haverá solução a fundo para absolutamente nenhum problema […]. É necessária uma luta sem piedade contra o capitalismo até a sua queda, para impor uma nova ordem econômica e social no mundo, que não pode ser outra que não o socialismo”[1].

Porque, como propunha Marx, a grande tarefa é construir o partido e a internacional revolucionária da classe trabalhadora. Para continuar lutando por aquilo que escreveu esse grande revolucionário, nascido há 200 anos:

“Os comunistas consideram indigno ocultar suas ideias e propósitos. Proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados derrubando, pela violência, toda a ordem social existente. As classes dominantes podem tremer diante de uma revolução comunista. Os proletários não têm nada a perder nela, a não ser as correntes que os prendem. Têm, pelo contrário, um mundo a ganhar.

“Proletários de todos os países, uni-vos!”[2]

  1. Nahuel Moreno. Ser trotskista hoje. 1985
  2. Karl Marx e Friedrich Engels. Manifesto Comunista. 1848

Tradução: C.K.

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