A abstenção humilhou Maduro

A maior abstenção em uma eleição presidencial em 60 anos deixou nu o governo cívico-militar encabeçado por Maduro y Cabello. A grande maioria dos venezuelanos deram as costas à farsa eleitoral, deixando as seções eleitorais e as ruas vazias em 20 de maio.

A imagem de Maduro, deixando seu local de votação e acenando triunfantemente para um campo vazio, além do qual se reuniam um punhado de militantes do partido oficial, resumiu o dia de domingo. Os 67% dos votos que o governo se auto adjudicou parecem fracos diante da abstenção oficialmente aceita de 54%, a mais alta em uma eleição presidencial na história do país. As estimativas independentes colocam a abstenção acima de 70%, um número corroborado anonimamente por funcionários do Conselho Nacional Eleitoral para agências de notícias internacionais. Embora as autoridades proibissem a filmagem do entorno das seções eleitorais, através das redes sociais circularam as imagens de ruas vazias e seções eleitorais sem filas, revelando uma baixa afluência de eleitores.

Mecanismos de extorsão política instituídos pelo governo, tais como o chamado “carne de la Patria”, registrado em postos de controle do lado de fora das seções eleitorais, para ver se as pessoas que recebem assistência social ou adquirem alimentos subsidiados participavam na eleição, demonstraram sua eficácia limitada. Desesperado, Maduro lançou no domingo de manhã o slogan “Votos ou balas” para tentar intimidar a população a participar da eleição. No final, tudo falhou, a maioria dos trabalhadores e os habitantes das comunidades populares boicotaram a eleição.

Tanto o candidato da oposição, Henri Falcon, como a Frente Ampla Venezuela Livre (que reúne a MUD e chavistas opositores como Nicmer Evans e o ex-ministro chavista preso, Miguel Rodríguez Torres), ignoraram o resultado e reclamaram a necessidade de realização de novas eleições. A falência política da oposição patronal e pró-EUA é total, eles se recusam a realizar qualquer ação contra o governo e chamam a confiar na pressão de governos estrangeiros, celebrando o não reconhecimento da eleição pela maioria dos governos do hemisfério. As vozes incoerentes e a imobilidade dessa liderança, cujos ziguezagueios e vocação negociadora contribuíram para a derrota dos protestos populares no ano passado, lhe renderam um enorme repúdio popular, superado apenas pelo repúdio ao governo de Maduro.

Ao celebrar seu triunfo eleitoral pícrico e fraudulento, Maduro fez um discurso grotesco no qual assegurou que agora sim, ele resolveria os problemas econômicos do país. Após mais de cinco anos no cargo, em que a economia encolheu pela metade, reduzindo as importações e a produção doméstica para sustentar os pagamentos da dívida externa, mergulhando o país em hiperinflação com preços dobrando a cada mês, aplicando uma repressão brutal com centenas de assassinatos e milhares de prisioneiros por protestar, forçando mais de dois milhões de emigrantes a deixar o país para escapar dos salários de fome, as perspectivas com Maduro são totalmente sombrias.

O Partido Socialismo e Liberdade chamou à abstenção e mobilização para derrotar a fraude eleitoral e a fome. Só a luta dos explorados e oprimidos pode derrotar o governo e impor as reivindicações de alimentos, salários decentes e saúde para todos, na perspectiva de uma mudança de regime e de sistema que coloque o poder verdadeiramente nas mãos das organizações de trabalhadores e populares.

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