A convenção do PSOL Amapá é uma traição ao lastro de coerência do PSOL

Na grave crise econômica, social e política pela qual o Brasil está passando, o Amapá vive a sua pior situação desde a fundação do Estado. Temos alguns dos piores indicadores sociais do país e a maior taxa de desemprego nacional. Nossa capital Macapá, que concentra quase 70% da população do Estado, é a sexta capital mais violenta do país, sendo os homicídios os crimes que mais cresceram. Também é em nosso Estado que está um dos maiores níveis de desigualdade e concentração de renda, onde os 15% da população mais abastada, concentram cerca de 80% de toda a renda que circula no Estado.

Esses números revelados pelas pesquisas oficiais, se tornam mais graves quando sentimos na pele a dificuldade que nosso povo está passando. É diante deste quadro de crise, que a convenção estadual do PSOL realizada neste sábado dia 04 de agosto, aprovou sua chapa de candidatos a deputados estaduais e federais, não apontando nenhum nome para concorrer ao governo do estado. Primeiramente esse fato nos estranhou, pois na convenção nacional do PSOL a Unidade Socialista havia informado que o PCB iria indicar a cabeça de chapa, o que não aconteceu. Além disso, a convenção foi realizada em conjunto com o PMN, partido que em nada lembra a tradição de luta e o lastro de coerência nacional que o PSOL carrega. Coube ao PMN uma das vagas ao senado e o PV realizou convenção paralela.

Posteriormente, soubemos que o PCB decidiu por não compor a chapa, tendo provável relação com a  negativa por parte do PSOL em garantir ao PCB a indicação da vaga ao senado e o sentido geral da construção política que foi feita. Com a saída do PCB, reforçou-se a tendência de se tratar de uma coligação comum, que em pouco ou nada se difere das demais coligações que disputarão as eleições do estado este ano. Mais grave ainda é a possibilidade real de que o fato de não termos candidaturas ao governo do estado ou ao senado, tenha relação com acordos políticos com figuras ainda mais abjetas que estão em outras coligações. É absolutamente surreal que o partido com o maior número de filiados do estado não tenha apresentado uma alternativa à população. Mais uma vez, o povo do Amapá estará à mercê dos velhos e novos clãs políticos que dirigem o Estado há mais de 20 anos.

Também causa indignação o fato de que durante todo o ano de 2018 não ter ocorrido nenhum fórum, nenhuma reunião sequer com os filiados do partido, com a militância, absolutamente nenhum espaço de debate político onde os filiados pudessem opinar sobre as alianças e a condução partidária. Ao contrário, os filiados só sabem de alguma movimentação do partido através da imprensa.

Nos preocupa se a campanha nacional de Boulos e Sônia Guajajara será realmente realidade no estado. Que palanque Boulos e Sônia terão para subir? Em qual palanque ao governo do estado, de fato, estará a direção partidária? Qual a orientação de voto a governador e senadores para os 13 mil filiados que o PSOL tem?

Para nós trata-se de uma traição feita claramente para garantir os acordos que envolvem a composição da prefeitura de Macapá, e é lamentável que o PSOL esteja reproduzindo este tipo de prática da velha política.

De nossa parte, faremos campanha para a nossa chapa presidencial e nossos candidatos locais, sempre denunciando o papel nefasto que historicamente tanto Waldez Góes (PDT), Capiberibe (PSB), e Davi Alcolumbre (DEM), cumprem em nosso estado.

Chamamos o conjunto dos filiados, militantes e organizações do PSOL a repudiarem os encaminhamentos e os rumos que PSOL do Amapá tem tomado sob a condução da Unidade Socialista.

Macapá, 5 de agosto de 2018

Assinam:

CST, Resistência e independentes

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