Barrar o autoritarismo de Bolsonaro e Mourão

Novamente os Bolsonaro demonstram o caráter  autoritário e antidemocrático de seu projeto. Eduardo Bolsonaro, deputado eleito, declarou num vídeo que se pode fechar o STF utilizando as forças armadas. Interditando a justiça civil, ficariam em seu lugar os Militares. Uma declaração absurda que deve ser rejeitada energicamente, pois outros políticos militares do PSL repetem esse discurso na eleição.

Nenhuma crítica aos erros absurdos dessa justiça burguesa e as suas inúmeras togas privilegiadas pode nos levar a concordar com sua substituição pelas botas, fuzis e capacetes do aparelho repressor militar. Tal retrocesso se voltaria imediatamente contra a classe trabalhadora, os setores populares e a juventude, restringindo nossas liberdades democráticas e de livre manifestação.

Igualmente autoritário e antidemocrático foi o discurso de Jair Bolsonaro aos seus eleitores na Avenida Paulista. Ele atacou os movimentos sociais, como o MTST e MST, como se fossem “terroristas” e declarou que seus opositores têm apenas dois caminhos: sair do país ou serem presos, reivindicando leis inexistentes. Falou ainda que em seu governo vai ter mais tiro, porrada e bomba e que a PM terá liberdade pra matar. E por fim, disse que os jornais que divulgam as ilegalidades de sua campanha, como o financiamento empresarial ilegal, têm que acabar, citando nominalmente a Folha de SP.

Atacar sindicatos e movimentos sociais com repressão, não vai resolver os problemas da moradia, do campo e dos baixos salários e péssimas condições de trabalho e desemprego. Aumentar a intervenção militar nas favelas e periferias não resolverá o problema da segurança, como vimos recentemente na intervenção federal no Rio de janeiro. A tal liberdade, pregada por Bolsonaro, é a senha que estimula os grupos de extermínio e as chacinas policiais ao estilo da Candelária. Atacar jornais que divulgam notícias verdadeiras, contradiz o discurso hipócrita de uma imprensa “livre”.

Os Bolsonaro voltam a flertar com os piores expedientes da ditadura militar de 64, seus torturadores e censores, de onde provém o núcleo fundamental de seu núcleo político. Não por acaso o vice, general Mourão, falou abertamente de um “auto-golpe” durante a campanha.

Esse projeto autoritário está diretamente vinculado ao projeto econômico privatista que retira direitos e acaba com órgãos públicos. Para passar uma receita tão amarga será preciso recorrer a mais repressão. Por exemplo, para cobrar mensalidades nas universidades, Bolsonaro pretende impor reitores Biônicos.

Uma das medidas que retiram direitos é a reforma da previdência. Basta ver as negociações e negociatas de Bolsonaro sobre a futura presidência da câmara, onde se especula votar essa reforma ainda esse ano após as eleições (em troca do acordo com Rodrigo Maia). E Rodrigo Maia tenta retribuir pautando temas ligados ao PSL de Bolsonaro.

É preciso enfrentar desde já esse autoritarismo e esse projeto patronal a serviço dos banqueiros e empresários. É preciso votar e lutar contra Bolsonaro, os representantes dos  banqueiros e os generais oriundos da ditadura de 64.

É preciso enfrentar esse projeto nas urnas nesse segundo turno. Contra Bolsonaro votamos criticamente em Haddad, sem ter nenhuma ilusão ou expectativa (mantendo todas as denuncias q sempre fizemos). Votar 13 é depositar um voto contra a vitória de Bolsonaro e contra seu projeto.

Sabemos que muito trabalhadores não votam no PT e a eles propomos que não deem nenhum voto em Bolsonaro, não se comprometendo com esse projeto patronal e autoritário.

É preciso continuar nas ruas, seguindo o exemplo das mulheres que organizam os atos do “Ele não”. É preciso fazer como a juventude que está na vanguarda dessa batalha.

Nesse sentido, exigimos da CUT, CTB e demais centrais um plano de luta desde já,  organizando assembleias de base e uma forte campanha das medidas antioperarias que estão por vir. Um plano de luta com um forte dia nacional de mobilização. Data que deveria ser debatida numa plenária unificada nacional, com a presença das federações, confederações, sindicatos, UNE, UBES, MST.

Será nas ruas, nas greves, nas ocupações que decidiremos verdadeiramente o futuro do país e a unidade da classe trabalhadora e setores populares contra qualquer medida que retire direitos ou restrinja nosso direito de livre manifestação. Essa deve ser a batalha do PSol, PCB, PCR, PSTU, do MTST e da CSP-conlutas.

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