25 de Novembro: Dia Internacional de Combate à Violência contra Mulher!

O ano de 2018 foi de muita luta e resistência das mulheres em todo mundo! Desde o chamado à Greve Internacional de Mulheres, no 8M, que se consolidou com milhões aderindo ao movimento na Espanha, passando pelas intensas mobilizações no Chile, as lutas na Argentina, Irlanda e nos atos pelo #EleNão no Brasil, as mulheres temos demonstrado que não aceitaremos mais a realidade de opressão, humilhações e assassinatos caladas!

ORIGEM DO 25/NOV: Em 1960, três jovens, conhecidas como as irmãs Mirabal, foram brutalmente torturadas e assassinadas na República Dominicana, por lutar contra a ditadura genocida e fascista do General Trujillo. Desde 1981, essa se tornou a data Mundial da Luta pelo fim da Violência contra Mulher.

Em estudo realizado pela ONU, em 2012, 92% das mulheres Indianas relataram algum tipo de violência sexual em espaços públicos. Já na União Européia, 43% das mulheres relataram violência psicológica vinda do companheiro. No Brasil, governado durante 6 anos por uma mulher, a realidade está longe de ser menos violenta. Em 2015, o Mapa da Violência revelou que, entre 2003 e 2013, o número de assassinatos de mulheres negras cresceu 54%, passando de 1864 para 2875 casos.

A violência contra mulher não é fruto de elementos metafísicos, mas da falta de políticas e financiamento suficientes para combater as origens da violência machista. Os Governos Lula, Dilma e Temer governaram com e para as elites, banqueiros e o agronegócio, sucateando os serviços públicos para garantir os repasses para a ilegal Dívida Pública, além de avançarem na retirada de direitos de trabalhadores, privatizações, terceirizações, demissões em massa, etc. Em todos esses casos, as mais afetadas são as trabalhadoras, que ainda somos as primeiras demitidas e últimas contratadas, as que ocupam os piores postos de trabalho e não recebem o mesmo salário pago aos homens. Esses elementos são fundamentais para entender por que as mulheres permanecem em relacionamentos abusivos, que muitas vezes nos levam a morte!

Bolsonaro quer aprovar a Reforma da Previdência

O Presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), promoveu antes e durante a campanha uma série de promessas de renovação na política e luta contra a corrupção, porém apenas algumas semanas após o resultado das eleições, ele já cogita dar a Michel Temer uma “saída honrosa” da Presidência, indicando-o como Embaixador do Brasil, na Itália. Ele e sua equipe econômica (centralizada em Paulo Guedes) já se comprometeram em aprovar a nefasta Reforma da Previdência, que foi a principal pauta da Greve Geral de Abril de 2017. Além de aumentar o tempo de contribuição e acabar com a aposentadoria integral, a Reforma da Previdência de Bolsonaro pretende equiparar o tempo de contribuição de homens e mulheres! Um brutal ataque a nós!

As mulheres nos aposentamos antes dos homens, pois ao longo de nossas vidas somos submetidas às chamadas “jornadas duplas e triplas”, quer dizer, além de trabalharmos fora, temos as obrigações do lar, que vão desde a gestação compulsória, como o cuidado com a casa (limpeza, compras, comida, lavagem de roupas etc), a educação quase exclusiva dos filhos, além do cuidado da saúde dos filhos e do próprio marido/companheiro. A aposentadoria anterior à dos homens é uma reparação a toda essa carga a que somos submetidas ao longo de uma vida inteira!

Apesar de muitas “idas e vindas” em suas declarações, o fato é que Bolsonaro pretende atacar brutalmente o direito de trabalhadores e trabalhadoras, e por isso se faz necessária a mais absoluta e ampla unidade com todos que se mobilizam contra esse governo, independente de quem votaram no segundo turno das eleições!

Como fizemos no dia 29/09 nos atos do #ELENÃO voltemos às ruas contra os ataques machistas, racistas, LGBTfóbicos, xenofóbicos e contra a Reforma da Previdência de Jair Bolsonaro.

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados em Agosto de 2018:

-O Brasil registrou 164 casos de estupro por dia, quase 60 mil por ano.

-193 mil mulheres registraram queixa por violência doméstica.

-Por hora, 22 mulheres acionam a Lei da Maria da Penha, no Brasil.

Além disso, o Brasil é:

4ª maior população carcerária feminina

5º país no mundo em número de feminicídios (71% maior contra negras do que brancas)

2º país no mundo em tráfico de mulheres

1° lugar em assassinato de travestis e mulheres trans

1º lugar na América Latina em exploração sexual de crianças e adolescentes

O Ministério dos Direitos Humanos também divulgou, em Agosto, o balanço do Ligue 180. Entre Janeiro a Julho de 2018 foram registrados 6471 casos de violência sexual, no Brasil.

23/11/2018

Comissão Nacional de Mulheres da CST/PSOL

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