NAHUEL MORENO: UMA VIDA A SERVIÇO DA REVOLUÇÃO SOCIALISTA

Trinta e dois anos da Morte de Nahuel Moreno. Hoje é um dia de relembrar, refletir, e redobrar as energias pra seguir batalhando. Em tempos onde a extrema-direita chega ao governo do nosso país, retomar o legado do “trotskismo obrero” de Moreno é fundamental.

Nessas pouco mais de três décadas da Morte do dirigente e fundador de nossa corrente histórica um dos pontos fundamentais que vejo foi sua obsessão pela intervenção do partido na classe operária. Moreno foi o dirigente que tirou o trotskismo dos cafés, da militância exclussiva nos círculos da pequena-burguesia e proletarizou a base social de sua organização nas poderosas greves dos frigoríficos lá no ano de 1945 na grande Buenos Aires. Moreno nunca abandonou a estratégia de que a classe operária deve governar, e estar junto a ela é o dever dos trotskistas.

Dentre as diversas batalhas que Moreno deu em vida por construir um Partido Revolucionário em escala nacional e internacional, ele deu muita atenção aos debates sobre o movimento sindical. Opinava que “os sindicatos seguem sendo a organização básica e fundamental da classe operária”.  Moreno foi obcecado por construir o partido revolucionário no seio da classe operária. Com esse objetivo, ao longo da sua vida, impulsionou ao lado de seus camaradas, fortes tendências sindicais antiburocráticas, que batalharam contra a patronal, os governos e pela democracia sindical, nas principais categorias do movimento operário argentino. Ele ainda nos deixou um importante alerta sobre a batalha incessante que nós trotskistas devemos dar contra a burocracia sindical. Em 1970, escreveu: “A luta contra a burocracia sindical dentro do movimento operário é a outra cara da luta contra a patronal. (…) Permanentemente deveremos insistir na necessidade que em todos os níveis tudo se resolva por assembleias soberanas do movimento operário. (…) Porém a batalha contra o burocratismo e pela democracia sindical não é suficiente, é preciso atacar a situação econômica privilegiada da burocracia: seus altos salários e diárias para viagens.”

Moreno também foi um fanático do internacionalismo militante. Ainda em vida, seu pensamento e sua política influenciaram milhares de militantes por diversos países.

Também temos que relembrar as diversas batalhas que Moreno deu em vida contra o revisionismo que dirigiu durante décadas a Quarta Internacional. Já em 1952, Moreno batalhou contra a linha de Pablo (principal dirigente da IV na época) na Bolívia, quando este orientou o POR Boliviano a apoiar o governo nacionalista-burguês do MNR. Depois, Moreno batalhou para reconhecer que em Cuba havia triunfado sim uma revolução socialista, mas ao mesmo tempo sempre alertando que deveria haver democracia operária e depois lutando abertamente contra o alinhamento da direção castrista com a burocracia contrarrevolucionária de Moscou.

Quando o governo de Frente-Popular encabeçado por Allende na aliança do Partido Socialista e Partido Comunista no Chile chegou ao poder, Moreno foi categórico na sua política de exigências e denúncias da estratégia do governo, exigiu armamento dos cordões industriais que se levantavam em luta, ao mesmo tempo em que disse claramente que a conciliação com a burguesia e seu estado levaria o processo chileno à derrota. A realidade lhe deu razão de forma trágica.

Depois em 1979, outro importante acerto. Na Revolução nicaraguense, Moreno manteve sua linha de combate ao revisionismo e deu exemplo de internacionalismo militante. Montou, junto aos camaradas que estavam com ele exilados na Colômbia, a gloriosa Brigada Simon Bolívar que lutou na queda da ditadura de Somoza. Porém, a direção sandinista, construiu um governo de conciliação com um setor da burguesia após a Revolução, e como consequência de sua política acabou expulsando os trotskistas da corrente de Nahuel Moreno da Nicarágua, pois eles defendiam a ruptura com a burguesia e a independência dos sindicatos frente ao estado. Infelizmente a direção majoritária da IV Internacional na época, apoiou o governo sandinista.

Nos anos 80 Moreno ainda batalhou contra o apoio crítico dado pela OCI de Lambert ao governo de Frente Popular de Mitterrand do Partido Socialista francês.

E hoje estamos aqui não apenas para fazermos uma saudação a bandeira, mas para contribuir, em que pese nossas grandes debilidades, à continuidade da obra que Moreno construiu em vida. Hoje o fracasso da estratégia de conciliação de classes implementada por Hugo Chaves na Venezuela, por Lula no Brasil, pelos Kirchner na Argentina, por Evo Morales na Bolívia, por Tsipras na Grécia, mostra que as batalhas que Moreno deu na sua vida contra os governos de conciliação de classes foram um de seus maiores legados e, transformaram ele, em nossa opinião, no dirigente do trotskismo com mais acertos políticos na segunda metade do século XX e isso não é pouco.

Retomemos a obsessão militante de Moreno dia após dia. Confiemos profundamente na luta da classe operária. Sejamos parte ativa das trincheiras que vão se erguer para enfrentar Bolsonaro e as reformas.

Viva a classe trabalhadora! Viva Nahuel Moreno!

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