Mobilização autônoma do povo trabalhador pelo Fora Maduro!

Nem Trump, militares, nem Guaiadó e os partidos patronais da Assembleia Nacional. Não à ingerência imperialista dos EUA, União Européia e do Grupo Lima.

(Partido Socialismo e Liberdade, PSL)

28 de janeiro de 2019. A situação na Venezuela é insuportável, e gravíssima a crise política e social. Ninguém aguenta mais a fome, a escassez de alimentos e a repressão. Os trabalhadores querem a saída de Maduro e o fim do seu regime cívico-militar, e aumentam a luta e os protestos populares.

No dia 23 de janeiro teve lugar em Caracas uma gigantesca mobilização, com a participação importante de trabalhadores e sectores populares. Esta massiva mobilização também ocorreu nas principais cidades do país, onde milhares de pessoas se manifestaram contra o governo de fome de Nicolás Maduro.

Nesse dia, como nos anteriores, milhares de moradores dos bairros populares de Caracas e outras cidades saíram em protesto contra o governo, ergueram barricadas e trancaram ruas.

Os partidos patronais agrupados na Assembleia Nacional (AN) convocaram a mobilização para favorecer a intervenção militar e a ingerência de Donald Trump. A AN e seu presidente, Juan Guaidó, subordinados ao imperialismo e com o apoio total dos governos patronais reunidos no Grupo de Lima, buscam dividir as Forças Armadas com o objetivo de criar condições para o golpe.

A Lei de Anistia para civis e militares visa a proporcionar garantias e criar uma espécie de salvo-conduto que resguarde os violadores dos direitos humanos, agentes repressores e membros corruptos do governo que aceitarem renegar Nicolás Maduro. Nosso partido rejeita energicamente essa lei de anistia, destinada apenas a salvar a cara de militares e da boliburguesia enriquecida às custas da fome do povo.

A tentativa golpista dos partidos da AN é parte do descarado plano de intervenção do imperialismo norte-americano e de seus aliados, governos ultra-reacionários como Bolsonaro no Brasil, Macri na Argentina e Duque na Colômbia, que aplicam programas de ajuste e são repudiados pelo povo em seus respectivos países.

O Partido Socialismo e Liberdade entende que os recentes protestos refletem a saturação do povo trabalhador ante um governo que nos mata de fome. Basta!, é o que disse o povo venezuelano.

Maduro deve partir, mas pela mobilização da juventude, dos trabalhadores e do povo. Nem Trump nem os militares, nem Guaidó nem os partidos patronais da AN têm o direito de interferir na decisão do povo venezuelano, que quer o fim do falso socialismo de Maduro.

Nosso partido, ao mesmo tempo em que repudia categoricamente a ingerência do governo ultradireitista de Trump, rejeita também a intervenção dos governos da Rússia, China e Turquia, entre outros, que apoiam politicamente o governo de Maduro e, paralelamente, realizam todo tipo de negócios lucrativos às custas de nossos recursos.

É preciso que se intensifiquem os protestos populares nas ruas. Há que seguir o exemplo dos jovens de Catia, Cotiza, San Martín, Petare, El Valle e outras zonas populares do país, que entre 21 e 23 de janeiro saíram em protesto contra o governo de Maduro por não suportarem a fome, a carência de medicamentos, transporte, energia e serviços essenciais.

O PSL aposta na ampliação das mobilizações e sua extensão a todos os bairros e comunidades. Que o povo mobilizado passe por cima do governo e dos partidos patronais da AN e se amplie a rebelião popular, afastando Maduro do poder e derrotando a ingerência imperialista.

Lutamos pela liberdade de todos os que foram presos por protestar e discordar, tanto trabalhadores como dirigentes sindicais, políticos e comunitários. Queremos a plena vigência das liberdades democráticas. Segundo organismos de direitos humanos, já haveria 791 pessoas detidas e milhares estariam a sofrer medidas cautelares, sendo 27 o número de mortos como resultado da repressão aos protestos. Exigimos que seja respeitado o direito de greve e somos contra a criminalização do protesto popular. Queremos o fim dos licenciamentos e ameaças aos trabalhadores mobilizados das empresas estatais.

No nosso entender, a saída para esta terrível crise econômica e social não virá pela mão dos militares, nem de Trump ou dos partidos patronais da AN, que precisamente são os que traíram a rebelião popular de 2017. Os trabalhadores e o povo é que devem assumir o governo através de suas legítimas organizações, para levar adiante um Plano Econômico Popular com aumento de salários equivalente ao da cesta básica, importação emergencial de alimentos e medicamentos, confisco dos bens de corruptos e de todos os que se enriqueceram com importações fraudulentas. Que o petróleo seja 100 por cento estatal, sem empresas mistas nem multinacionais. Não ao pagamento da dívida externa; utilização de todos esses recursos para garantir salário, aposentadoria, habitação, saúde e educação; para a reestatização da PDVSA e empresas mistas, e pela implantação de uma reforma agrária que entregue terras aos trabalhadores.

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