Na França estamos com os “coletes amarelos” e os sindicatos rumo à greve geral de 5/2

Traduzido por Bianca Damacena

Sob a pressão da luta de classes e das reivindicações dos setores sindicais de base que participaram da mobilização dos coletes amarelos, a burocracia sindical da CGT, após mais de seis semanas de mobilização, foi forçada a convocar uma greve intersetorial nacional em 5 de fevereiro de 2019. Imediatamente, os coletes amarelos e seus principais líderes, em particular Eric Drouet e François Boulo, convocaram greve geral por tempo indeterminado, já que desde o início a principal demanda desse histórico movimento de massas é a renúncia de Macron. A FSU Solidaire apoia a greve e as manifestações em todo o país.

Os coletes amarelos refletem uma rebelião popular contra a política de Macron e ajustes contra as classes populares, é um movimento heterogêneo e inter-classista. Dado o ímpeto que as mobilizações estavam tomando, o governo teve que recuar no imposto sobre o combustível, mas o movimento foi mais a fundo e questionou sua política econômica, que está a serviço das grandes finanças e empobrece o trabalhador e a pequena burguesia da cidade e do campo.

O governo tentou isolar e criminalizar a revolta popular, mas sem sucesso. A repressão da polícia foi brutal, causando 10 mortes, mais de 2000 feridos, dos quais 100 estão em estado muito grave, além de milhares de pessoas presas. Macron quer impor um corte de liberdades democráticas e ataca, através de leis, o direito de protestar. Entretanto, na 12a semana de luta, em 2 de fevereiro, dezenas de milhares voltaram para as ruas para denunciar a repressão do governo e homenagear os feridos.

Dada a sua impotência para conter a situação, o governo pediu um “grande debate cidadão” como um meio de neutralizar o potencial de protesto na rua, mas a população tem recusado categoricamente. Dessa forma, é o governo que parece cada vez mais isolado e questionado, enquanto o Fora Macron ganha, cada vez mais, um lugar central nas manifestações.
Grupos fascistas se infiltraram nas mobilizações, em alguns casos como um serviço de ordem, tentando instrumentalizar a rebelião popular e a indignação. Em uma das marchas, eles atacaram seriamente a coluna do partido de esquerda NPA e em outros enfrentaram aqueles que exigiam uma política de solidariedade com os imigrantes. Em várias manifestações, foram expulsos.

A confluência com os sindicatos, primeiro em algumas manifestações, agora na greve geral de 5 de fevereiro, representa um salto qualitativo na luta para derrotar o governo Macron e impor as medidas de emergência exigidas. Esse é o caminho para um governo popular e operário que rompe com o capitalismo e se coloca a serviço dos trabalhadores e da juventude.
Nós da UIT-QI apoiamos a greve geral de 5 de fevereiro e convocamos a tomar iniciativas de solidariedade internacional em frente a embaixadas e consulados em apoio à luta popular e operária na França.

Unidade Internacional do Trabalhadores – Quarta Internacional (UIT-QI)

4 de fevereiro de 2019

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