Preparar o enfrentamento aos ataques do governo Bolsonaro/Mourão!

A dramática situação de Brumadinho é um verdadeiro crime que demonstra o descaso dos governos e dos políticos com normas ambientais e trabalhistas e a ambição de lucros de empresas como a Vale. O governo Bolsonaro pode dizer que não é responsável, mas é sim, na medida em que, durante a campanha e ainda depois de eleito, Jair Bolsonaro prometeu flexibilizar as regras de licenciamento e defender os empresários. “Essa questão de licença ambiental atrapalha” declarou em dezembro. Na mesma toada, Ricardo Salles, ministro de meio ambiente falou à imprensa que deveria se facilitar o licenciamento e que iria criar regras para punir os fiscais que apliquem multas. Brumadinho, é a prova que essas propostas do governo são desastrosas e de não ser revistas, causarão novas tragédias.

Mas além de Brumadinho, nestes primeiros trinta dias de mandato, o governo não conseguiu apresentar nenhuma notícia positiva à população trabalhadora, nem sequer a seus eleitores. Não poderia ser diferente. Eleito sob o discurso de combate à corrupção e de garantir a segurança pública, os fatos demonstram o contrário. O envio de tropas federais para o Ceará e o demagógico decreto sobre a posse de armas, não resolvem o grave problema da segurança. Além da nomeação de ministros investigados por corrupção, o novo governo não consegue dar explicações sobre os escândalos que envolvem o próprio clã Bolsonaro. As movimentações financeiras “atípicas” por parte de Fabrício Queiroz, estreito colaborador da família, assim como as relações com as milícias de Rio de Janeiro e o Escritório do Crime, são um enredo que ainda vai render muitas dores de cabeça aos Bolsonaros e ao próprio governo. Enquanto isso, o “justiceiro” Sergio Moro, não fala uma palavra.

É evidente que a luta contra a corrupção só foi um discurso de campanha. Tampouco é crível que alguém que elogia e condecora criminosos, como os integrantes das milícias, possa garantir a segurança pública. A alteração nas regras de aplicação da Lei de Acesso à Informação, o que de fato reduz a transparência da administração pública, e a Consulta Pública aberta pelo Banco Central para colocar fim ao monitoramento de movimentações financeiras de “parentes de políticos”, comprovam que ao governo não lhe interessa investigar.

Mas este governo, que está encrencado com fatos de corrupção e com criminosos, articulou com multimilionários reunidos em Davos, na Suíça, uma proposta de reforma da previdência e privatizações. Sua ala econômica, encabeçada por Paulo Guedes pretende aplicar um plano de ajuste para valer, para satisfazer o sistema financeiro, o “deus-mercado” que está “acima de todos”.

Já começou tirando dos mais pobres ao cortar 381 mil beneficiários do plano Bolsa Família. Entregou a demarcação das terras indígenas à direção da UDR, inimigos históricos dos povos originários; pretende aplicar mordaça aos professores a través do projeto “escola sem partido”, deseja impor reitores biônicos sem respeitar as consultas à comunidade universitária, tirou da pauta dos direitos humanos as comunidades LGBTs, pretende privatizar estatais como os Correios. Porém, o plano mais ambicioso do governo é a Reforma da Previdência. É por aí que pretendem saquear os trabalhadores para transferir mais de 1 trilhão de reais para o sistema financeiro e os fundos de pensão, dos quais o próprio Guedes faz parte. Será o principal ataque que planeja este governo para que os trabalhadores e o povo pobre paguem pela crise, por isso devemos organizar nossa tropa para impedir esse roubo.

Será uma dura queda de braço, mais ainda com a quantidade de militares estrategicamente localizados em cargos chaves, pouco acostumados ao diálogo e à negociação. Mas é preciso aproveitar que o governo não vive uma boa fase, nesse início de mandato, e buscar impedir que se vote essa reforma. Para tanto necessitamos da maior unidade de todos os que se opõem a essa medida.

As centrais sindicais convocaram uma plenária nacional para o dia 20 de fevereiro para organizar a luta. A resolução orienta realizar plenárias estaduais e assembleias nos locais de trabalho para construir a mobilização e decidirem formas de luta, greves e paralisações para enfrentar a proposta de reforma do governo. É uma boa iniciativa, mas nada vai sair do papel se não tomamos essa mobilização em nossas mãos. Com raras exceções, essas centrais permaneceram desmobilizadas e tentando dialogar com o governo. Desde a CSP-Conlutas e o PSOL, devemos participar ativamente da construção deste processo para unificar todos os setores e converter o 8 de março num dia de luta nacional. Nessa caminhada temos que nos esforçar para construir um polo classista e de esquerda que apresente um plano econômico alternativo a serviço da população trabalhadora.

Editorial do Jornal Combate Socialista nº96

 

 

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