Greve geral para derrotar a Reforma da previdência de Bolsonaro

No mês de março, após o carnaval indignado, as mulheres iniciaram a onda de lutas contra o governo Bolsonaro/Mourão e sua agenda antipopular. Após protagonizar os imensos protestos do #EleNão seguem mobilizadas contra os retrocessos conservadores e neoliberais. Nos dias 8 e 14 de março reivindicava-se direitos econômicos e sociais, as pautas feministas e justiça para Marielle e Anderson. Pelo ânimo dos protestos, as mulheres não pretendem dar trégua a extrema direita e suas contrarreformas.

Em meio a crise política e a instabilidade do governo um setor da classe trabalhadora que havia votado em Bolsonaro nas eleições começa a refletir e se distanciar, alguns chegam mesmo a começar a mudar de opinião. O dado mais importante e qualitativo que indica essa mudança no humor de importantes setores do proletariado nacional pode ser visto no dia 22 de março contra a reforma da previdência, paralisando a produção e a circulação de inúmeros setores da economia.

O presidente Bolsonaro, em suas viagens internacionais, nada tem a apresentar para a classe trabalhadora e aos setores populares. Mostrou subserviência ao imperialismo norte americano e tenta se aproximar mais ainda de governo do estado sionista Israel que massacra o povo palestino. Ainda por cima, deseja comemorar o aniversário do golpe militar de 1964. Uma ditadura que assassinou opositores, fechou sindicatos, proibiu as greves, devastou movimentos camponeses e aumentou a exploração da classe trabalhadora. E é no governo de Bolsonaro e Moro que assistimos a justiça liberar corruptos da prisão, como o ex-presidente Michel Temer. Ao mesmo tempo em que se tenta autorizar legalmente as chacinas policiais nas favelas.

Devemos aprofundar as manifestações que já começaram em março e para isso vamos ter que batalhar em nossos sindicatos, associações, federações, DCE’s, grêmios e movimentos populares. As lideranças dos maiores movimentos e dos partidos que se dizem oposição não estão apostando nesse caminho. Devemos exigir que a CUT, Força Sindical, CTB e demais centrais marquem a data de uma greve geral para derrotar de vez a reforma da previdência e demais ataques de Bolsonaro e seus ministros, como defende a CSP-CONLUTAS.

Ao mesmo tempo é preciso construir uma plataforma emergencial, coerente com as reivindicações expressas nas jornadas de junho de 2013 e na greve geral de 2017. Por isso defendemos:

1- Barrar a reforma da previdência e o ajuste fiscal de Bolsonaro!

Pelo direito à aposentadoria para todos os trabalhadores. Revogar a EC 95 (que congela investimentos sociais) e a reforma trabalhista. Ajustar os banqueiros, os sonegadores e por fim as isenções fiscais aos empresários. Suspender o pagamento da dívida e investir nas áreas sociais, garantir empregos com carteira assinada, reposição das perdas salariais e serviços públicos de qualidade, baixar os preços dos combustíveis e dos preços das passagens dos transportes. Exigimos uma educação de qualidade, por melhores condições de trabalho e ensino, por democracia e contra a mordaça.  Reestatização da Vale e demais empresas privatizadas. Mais investimentos em infraestrutura para combater alagamentos.

2- Justiça para Marielle e Anderson! fim da repressão!

Investigação, julgamento e punição dos mandantes. Por uma comissão internacional independente, conformada por movimentos sociais, personalidade e partidos de esquerda, para investigar o caso e auditar toda a investigação policial do RJ.  Em defesa das pautas feministas e LGBTs: Fim das agressões, do assédio e dos feminicídios, criminalizar a homofobia. Em defesa do povo negro e contra a violência policial: responsabilizar o Exército pelos atentados contra os direitos humanos cometidos durante a Intervenção federal. Barrar a legalização das chacinas proposta pelo Ministro Moro! Punição ao supermercado extra, responsável pelo assassinato do jovem Pedro Gonzaga. Revogação do decreto de armas!

3- Chega de impunidade aos corruptos!

Prisão e confisco de bens de Michel Temer e toda quadrilha do PMDB! Fim da impunidade ao PSDB e Aécio. Afastamento imediato do Ministro do Turismo, Marcelo Álvaro! Fim do foro privilegiado. Investigação profunda de Flávio Bolsonaro, Queiroz e todos os envolvidos: Abertura do sigilo bancário, fiscal, eletrônico e telefônico dos assessores de Flávio e todos que receberam ou depositaram recursos nas contas de Queiroz. Exigimos que o presidente e a família Bolsonaro de explicações ao país sobre suas relações com o crime organizado.

Editorial do Jornal Combate Socialista N° 97

 

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