45 anos depois: viva a Revolução dos Cravos! Viva 25 de abril!

Do site da CSP-CONLUTAS:

A Revolução de 25 de Abril, também conhecida como Revolução dos Cravos, se relaciona a um momento muito importante da história da luta dos trabalhadores e do povo de Portugal. 45 anos depois, essa luta precisa ser relembrada pela heroica luta dos trabalhadores e do povo e por suas lições.

 

 

A revolução portuguesa foi o resultado de uma gigantesca mobilização política e social que tomou conta do país que, em 25 de abril de 1974, depôs o regime ditatorial de Antônio Salazar, vigente desde 1933. A mobilização deu início a um processo que viria a terminar com a implantação de um regime democrático com muitas conquistas sociais.

Durante a ditadura salazarista, a taxa de analfabetismo era de 26%. Mesmo depois do boom de crescimento do pós-guerra, 36% das habitações ainda não tinham eletricidade, 52% não tinham água canalizada e 41% não tinham esgoto tratado. A taxa de mortalidade infantil era de 55/1000 (hoje 2/1000).

Estes são alguns exemplos do atraso que os 48 anos de ditadura significaram para as condições de vida da classe trabalhadora. Eram as crianças sem sapatos, uma sardinha para uma família: miséria e pobreza. Por isso, entre 1960 e 1973, emigraram mais de 1 milhão e meio de portugueses.

O movimento teve início nas reivindicações corporativas na base das Forças Armadas e foi decisivamente impulsionado pela massiva adesão dos trabalhadores e da população, que reivindicavam democracia, paz, pão, habitação, saúde, educação e empregos.

As mobilizações feriram de morte o regime político salazarista. Com reduzido poderio militar e com uma adesão em massa da população ao movimento, a reação do regime foi praticamente inexistente e infrutífera, registando-se apenas quatro civis mortos e quarenta e cinco feridos em Lisboa, atingidos pelas balas da PIDE/DGS.

 

A revolução vitoriosa foi traída

Seguiu-se um período de grande agitação social, política e militar conhecido como o PREC (Processo Revolucionário Em Curso), marcado por manifestações, ocupações, governos provisórios, nacionalizações e confrontos militares.

O povo, não só experimentou as conquistas sociais da revolução (direito à greve, férias pagas, Serviço Nacional de Saúde, Salário Mínimo Nacional, Segurança Social, proteção no desemprego e doença), como o poder popular que concretamente ameaçou acabar com o capitalismo e construir uma sociedade governada pelos próprios trabalhadores, sem exploração nem opressão. Não por acaso, a Constituição portuguesa de 1976 diz que Portugal caminha para o socialismo – uma sociedade sem classes.

A derrota do regime salazarista colocou na ordem do dia a construção da sociedade socialista. Após meses de mobilizações e lutas, as direções do movimento, ligadas aos partidos PCP (Partido Comunista Português) e PS (Partido Socialista), traíram o movimento, conseguindo controlar e evitar que as mobilizações evoluíssem. Esses partidos concordaram em permitir que em 25 de novembro de 1975 fosse firmado um pacto, afogando assim a revolução na institucionalidade democrática.

O PS integrou diversos governos, o PCP consagrou-se como o grande partido de oposição à esquerda, inserido nos sindicatos e autarquias. Foi o “pacto social” em que PS e PCP participaram que permitiu estabilizar as relações capital x trabalho. O “caminho para o socialismo” foi, assim, a normalização do capitalismo.

Duas lições são fundamentais. As reformas alcançadas foram produto da luta revolucionária e não da boa vontade e negociação com os capitalistas. Mostrou-se que não existe transição gradual para o socialismo: ou os trabalhadores tomam o poder – e nenhuma das suas direções o queria – ou a revolução retrocede.

Homenagear abril? Só lutando por uma nova revolução!

As conquistas arrancadas pelas duras lutas dos trabalhadores durante a revolução de 74/75 foram sendo destruídas pelos sucessivos governos. A entrada na União Europeia serviu para afogar os conflitos sociais e aprofundou a dependência e submissão do país. A Geringonça (coalização de partidos de esquerda que atualmente governa Portugal) comemora o 25 de abril, mas não é diferente: diz-se de esquerda, mas mantém a austeridade e ataca os direitos democráticos mais básicos dos trabalhadores. Uma nova revolução ainda é só possível e necessária!

 

 

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