Manifesto Juventude contra Bolsonaro!

Manifesto da Juventude Vamos à Luta, rumo ao 57° CONUNE que será realizado de 03 a 07 de Julho em Brasília. Mais do que nunca está colocada a necessidade da mais ampla unidade para enfrentar o inimigo número 1 da juventude: o governo Bolsonaro.

Bolsonaro foi eleito com um discurso anti-sistema e contra a corrupção mas, em pouco tempo de governo, quebrou as expectativas de sua base eleitoral. Do combate à corrupção passou ao laranjal do PSL e posteriormente surgiu a ligação de Flávio Bolsonaro com as milícias do Rio de Janeiro (as mesmas que assassinaram Marielle). Sérgio Moro, antes “paladino da justiça”, agora não vê, não ouve e pelo visto ficou mudo frente aos escândalos de corrupção. “Brasil acima de tudo” ficou só no slogan, escancarando a submissão do país a Trump e aos EUA.

Queremos dinheiro para educação, não para banqueiro!

A Educação também vive uma crise brutal que se aprofundará com o corte de R$5,8 BI. As áreas da Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia (que recebem apenas 5% do orçamento federal) têm sofrido sucessivos cortes de verbas, segundo os governos “para salvar o país”, mas quem de fato está sendo salvo?

Não somos nós. Nas universidades faltam políticas de permanência estudantil e o contingenciamento de verbas tem levado ao fechamento dos restaurantes universitários ou que funcionem com filas enormes. As moradias estudantis são escassas e quando existem estão caindo aos pedaços e superlotadas. Há anos não existe contratação de servidores e os cortes de R$2,1 bi na Ciência e Tecnologia podem significar o fim das bolsas de pesquisa e extensão até julho. No fim de abril o Ministro da Educação Abraham Weintraub anunciou corte de 30% no orçamento da UnB, UFF e UFBA, utilizando critérios puramente ideológicos. No dia seguinte ele estendeu esse corte para todas as Universidades e Institutos Federais do país.

Os cortes de verbas que desmontam a pesquisa e precarizam universidades são feitos para garantir o pagamento de juros e amortizações da Dívida Pública, um mega esquema de corrupção que devora quase metade do orçamento federal e que Bolsonaro quer que fique ainda maior. Acreditamos que a dívida do país é com o futuro da juventude. Por isso exigimos a imediata suspensão do pagamento da Dívida Pública

Democracia não rima com Bozo!

Para impor sua política de precarização, Bolsonaro e o ministro Abraham Weintraub querem acabar com a democracia e o caráter público das universidades. Ao invés da eleição democrática dos reitores e paridade nos espaços de decisão o governo quer indicar reitores biônicos para as federais e acabar com o debate crítico e o pluralismo de ideias no ambiente acadêmico. Um exemplo dessa ofensiva ocorreu na Unirio: uma manobra do governo retirou o reitor eleito democraticamente para colocar um capacho do governo: a resposta dos estudantes e trabalhadores foi a mobilização. Da mesma forma rechaçamos os ataques aos cursos de Filosofia e Sociologia.

Bolsonaro quer que a juventude trabalhe até morrer!

Bolsonaro/Mourão e Guedes querem acabar com nosso direito à aposentadoria por meio de Reforma da Previdência. Nessa reforma a idade mínima para se aposentar aumenta para 65 anos para homens e 62 para mulheres, aumenta o tempo de contribuição para 40 anos para ter acesso a 100% da aposentadoria, penaliza ainda mais os aposentados pobres, dentre outras barbaridades. Esse projeto está sendo amplamente rejeitado pelo povo e por isso Bolsonaro ofereceu R$40 milhões em emendas para comprar os deputados. É velha política do toma-lá-dá-cá.

A juventude será duramente atingida por esse projeto. Por isso temos de construir unidade com os trabalhadores a luta contra mais esse ataque. Não à Reforma da Previdência!

A juventude quer ir à luta e vai! E a UNE?

O MEC se tornou uma fábrica de crises e teve seu presidente Ricardo Vélez exonerado, o que foi uma vitória dos estudantes. A visita de Bolsonaro à universidade Mackenzie foi frustrada por uma mobilização massiva dos estudantes e as estaduais da Bahia e do Piauí estão em greve o que demonstra que o sentimento do #ELENÃO segue nas universidades que hoje são um barril de pólvora.

O mês de março foi marcado por fortes mobilizações impulsionadas pelo movimento feminista no 8 de marco e no 14 por justiça para Marielle e Anderson. O Dia nacional de luta contra a Reforma da Previdência (22 de março), demonstrou que a classe trabalhadora não vai aceitar trabalhar até morrer: os trabalhadores de fábricas e empresas, rodoviários e professoras fizeram paralisações, além de dezenas de assembleias, atos e piquetes. Em abril os trabalhadores da educação realizaram uma paralisação nacional no dia 24 e os povos indígenas ocuparam Brasília em protesto pela demarcação de terra. Em cada cidade, as banquinhas de abaixo-assinado contra a Reforma Da Previdência recolhem milhares de assinaturas. Frente aos cortes brutais no orçamento das universidades anunciado por Bolsonaro é tarefa da UNE organizar as lutas contra o contingenciamento de verbas e demais ataques do governo com ações concretas e pela base com os DCEs, CAS e DAS.

A Primavera feminista continua nas ruas

A primavera feminista que derrubou Cunha em 2015, lutou contra a cultura do estupro e pela legalização do aborto, segue viva no Brasil e no mundo. Mesmo antes de Bolsonaro ser eleito as mulheres organizaram o movimento #ELENÃO e o Vira-voto, sendo que o 8 de Março contou com plenárias de construção por todo o país. Vincular a luta contra a Reforma da Previdência à luta contra o machismo, pelo direito aos nossos corpos e pela legalização do aborto é nossa tarefa, sobretudo tendo Damares encabeçando um ministério antifeminista e o projeto escola sem partido, querendo calar o debate sobre gênero e política nas salas de aula.

Contra o extermínio da juventude Negra e pobre. Justiça para Marielle, Anderson e Evaldo!

O governo Bolsonaro é cumplice do processo de extermínio da juventude negra. Um racismo institucionalizado e disfarçado de política de “segurança pública”, ou suavizado por termos como “pacificação”. O ministro Sérgio Moro busca intensificar esta realidade, com o seu Projeto de Lei “anti-crime” que consiste, dentre outras coisas, institucionalizar uma licença para policiais militares matarem, sem que sejam responsabilizados, ainda que as investigações apontem que não foi por “legítima defesa”. Sua solução para a juventude negra é antiga, porém mais intensa: provocar o extermínio da juventude negra e periférica, cada vez mais vulnerável socialmente.

O governo Bolsonaro, desde a campanha eleitoral, é inimigo declarado das mulheres, da juventude negra, indígena, LGBT e dos setores oprimidos da sociedade. Por isso é necessária nossa mais ampla unidade contra a política machista, racista e LGBTfóbica do Governo, derrotar o pacote anti-crimes do ministro Moro, o estatuto do nascituro da Ministra Damares e o Projeto Escola sem Partido, dentre outros.

Vamos parar tudo! Construir a greve geral no dia 14 de junho

As estaduais do Nordeste tem sido vanguarda na luta contra o ajuste na educação. Sendo que na Bahia o Governador do PT cortou o ponto dos professores em greve! Um absurdo que deve ser rechaçado! Os governadores do PT e do PCdoB não podem seguir a cartilha do Bolsonaro. É necessário que mudem sua política e transformem seus mandatos em trincheiras de oposição contra o governo federal. Desde já devem atender as reivindicações dos grevistas e parar de aplicar o ajuste contra os servidores.

Infelizmente medidas parecidas foram aplicadas pelos governos de Lula e Dilma nos 13 anos que governaram o país, atacando as universidades com cortes, criminalizando as greves da FASUBRA, tentando dividir o ANDES reconhecendo o Proifes (sindicato pelego) e cooptando a direção da UNE.

Nesse momento em que o Governo Bolsonaro articula uma série de ataques aos trabalhadores e as trabalhadoras, a CUT e demais centrais sindicais devem concretizar a construção da Greve Geral!

Infelizmente a majoritária da UNE não atendeu ao chamado da CNTE e do ENE, de paralisações no dia 24 de abril. Todas as mobilizações nacionais do último período passaram por fora da UNE porque os coletivos que na maioria da direção da entidade não apostam nas ruas para derrotar o governo. As Centrais Sindicais marcaram o dia 15 de Maio como um dia importante de mobilizações contra a reforma da Previdência e o dia 14 de Junho como data da Greve Geral! A UNE deve sair da apatia e construir nas suas bases essas duas datas!

Por uma nova direção para o Movimento estudantil

É preciso ir além e construir uma nova direção para o movimento estudantil: combativo e pela base. Quem hoje está à frente da entidade trocou as ruas pelos gabinetes, por isso, fazemos um chamado ao conjunto da Oposição de Esquerda (UJR, UJC, Juntos!, RUA, Afronte, Enfrente, Manifesta, Stopim), ativistas e estudantes independentes a construir desde as bases das universidades chapas unificadas contra a burocracia que domina a UNE rumo ao CONUNE e batalharmos como um polo alternativo durante o congresso. Um chamado que estendemos a juventude Rebeldia que voltará a participar dos espaços da UNE.

É um equívoco acreditar que a oposição de esquerda não é mais necessária e os coletivos que encampam essa linha precisam mudar urgentemente sua política, pois só com um campo alternativo fortalecido no dia a dia das universidades e conectado com suas lutas será possível romper a paralisia da direção majoritária. Para construir uma alternativa frente à falência da velha direção, a luta é o que deve nos unificar: mobilizar o 15 de Maio, e parar tudo no 14 de Junho, em defesa da Educação e contra a Reforma da Previdência!

  • Em defesa da educação pública, gratuita, democrática e de qualidade!
  • Não aos cortes! Dinheiro para Educação não para Dívida Pública!
  • Contra a Reforma da Previdência!
  • Justiça para Marielle e Evaldo. Contra o extermínio da juventude nas periferias!
  • Prisão e confisco de bens de todos os corruptos!
  • Todo apoio a greve das estaduais do Nordeste!
  • Fora Damares!

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