Declaração unificada: Rejeitamos categoricamente a tentativa de golpe de Guaidó e do imperialismo.

Nem ingerência imperialista, nem Juan Guaidó! Os trabalhadores devem tirar Nicolás Maduro através da mobilização!

 

Quando nos preparamos para publicar esta declaração, houve uma tentativa de golpe de Estado, liderada por Juan Guaidó, os partidos patronais da Assembleia Nacional e setores militares, apoiados pelo imperialismo dos EUA.

Nós, que escrevemos esta declaração, rejeitamos categoricamente a tentativa de golpe pró-imperialista, que não conseguirá resolver os principais problemas que hoje enfrenta o povo trabalhador. Esta tentativa surge completamente distanciada do povo e dos trabalhadores. Foi uma jogada planejada entre as cúpulas da direita tradicional e setores militares. Inclusive, foram públicas as negociações entre setores do governo e o imperialismo, de costas do povo. Esta posição não significa dar nenhum apoio ao governo Maduro. Ao contrário, acreditamos que somente o povo e os trabalhadores mobilizados de forma independentemente de qualquer variante burguesa, seremos os únicos que devemos tirar este governo que nos mata de fome e reprime o povo.

Os trabalhadores e o povo estão passando pela maior tragédia social da história contemporânea de nosso país

O governo do falso socialismo chavista aplica um ajuste capitalista e anti-operário brutal, matando de fome a milhões de pessoas. Nossos salários estão totalmente destruídos. Ninguém pode viver do salário na Venezuela. O trabalho, como fato social e mecanismo de satisfação das necessidades do povo, está completamente distorcido. Milhares de trabalhadores optam por deixar de trabalhar. Os salários não são suficientes sequer para pagar o transporte diário. Em hospitais, escolas, universidades, empresas públicas e privadas, as renúncias são em massa, muitos saem do país. Quase 4 milhões de venezuelanos e venezuelanas já emigraram, e estima-se que até o final do ano haverá mais de 5 milhões em outros países. Não são discutidos os acordos coletivos de trabalho ou simplesmente suas cláusulas são violadas. Os trabalhadores que protestam ou discordam são perseguidos e aterrorizados. Também são obrigados a comparecer a passeatas e atos do Psuv, sob pena de sofrer sanções. Os sindicatos foram reduzidos a sua mínima expressão. O governo impõe no setor público tabelas salariais de fome, decididas de forma unilateral, e se instrumentaliza o memorando 2792, mediante o qual o salário e é liquidado. É eliminada a negociação coletiva de trabalho dos setores público e privado. E pretendem nos enganar com uma caixa Clap de comida, o Carnê da Pátria e abonos miseráveis.

Os serviços estão destruídos, o Metrô de Caracas colapsado, com escadas rolantes danificadas, roletas que não funcionam, sem água nem eletricidade. E isso não é o resultado de qualquer ataque eletromagnético, como o governo diz, mas um pretexto para esconder a responsabilidade de Maduro na destruição da infraestrutura e serviços, decorrente de anos de burocratismo, corrupção, desinvestimento e também de falta de manutenção.

Três meses de ingerência imperialista e do “autoproclamado” Guaidó.

É assim como de janeiro, o imperialismo lança uma contraofensiva, tentando tirar proveito da falência do país e do ódio generalizado a um governo que espalha a repressão e a fome. Já são 20 anos de todo tipos de acordos obscuros, corrupção, importação fraudulenta de alimentos, entrega de recursos naturais a transnacionais de petróleo, telecomunicações e importadores. Pagamento da dívida pública aos banqueiros chineses e russos, mas também gringos, japoneses e europeus.

Com a autoproclamação de Juan Guaidó como “presidente interino”, Donald Trump, os governos patronais do Grupo de Lima, e os partidos burgueses da Assembleia Nacional da Venezuela, visam incentivar um golpe de Estado. Esse era o objetivo da operação na fronteira para tentar repassar ajuda humanitária. Na verdade, foi a utilização interessada do desespero e angústia de um povo que sofre uma  tragédia real, com o propósito de quebrar as forças armadas e provocar um golpe, orquestrado e financiado pelo imperialismo norte-americano.

Repudiamos a ingerência abusiva por Trump e seu fantoche Guaidó, e a tentativa de golpe de Estado em 30 de Abril de 2019. Ao mesmo tempo repudiamos Maduro. E afirmamos que somente o povo trabalhador mobilizado, de forma independente de qualquer variante burguesa, é quem deve derrubar Maduro e derrotar o seu pacote de ajuste.

Guaidó anunciou o chamado Plano Pais, que nada mais é que miséria e ajuste contra o povo trabalhador. Privatizações, entrega da PDVSA a transnacionais, e salários miseráveis como anunciado por José Guerra, economista do Primeiro Justiça, um dos arquitetos do plano, que propõe salários de 20 e 30 dólares. É isso que a burguesia oferece, chefiada por Guaidó, que pretende se apresentar como uma alternativa ao desastre chavista. Os fatos refletem que eles não são uma opção para o povo trabalhador.

Pela independência política dos trabalhadores

Em 1º de maio foram marcadas duas manifestações patronais, distantes ambas das necessidades populares. Os burocratas sindicais alinhados com o governo e aqueles ligados à direita tradicional, queriam que os trabalhadores marchassem atrás de suas bandeiras. A CBST (Central Bolivariana Socialista dos Trabalhadores), o VOS (setor de petróleo) e os sindicalistas “vermelhos, vermelhinhos”, o Ministro do Trabalho, querem que marchemos atrás do governo de fome e repressão do Maduro. Enquanto isso, a CTV (Confederação de Trabalhadores da Venezuela), a ITV (Intersetorial de Trabalhadores da Venezuela), os adecos (seguidores do partido Ação Democrática), copeyanos (seguidores do partido conservador COPEI), Voluntad Popular, Primeiro Justiça, etc., querem que nós trabalhadores sigamos Juan Guaidó, o “presidente interino” imposto por Trump.

A principal característica nos acontecimentos dos mártires de Chicago, foi a total independência política da patronal e seus partidos. A luta pelas 8 horas de trabalho por dia, que custou inúmeras vidas de trabalhadores, não esteve subordinada a nenhum governo nem patrão, muito menos ao imperialismo. Por isso, não podemos ir atrás de opções que defendam os interesses da patronal.

A Intersetorial de Trabalhadores Venezuelanos (ITV) foi capaz de estabelecer-se como uma alternativa autônoma e independente de qualquer variante burguesa, porem optou por ficar atrás do Guaidó, Trump, o Grupo de Lima, e deixou de convocar mobilizações por nossos direitos. Tornou-se claro que ter autonomia do governo não é suficiente, é preciso também manter a nossa independência tanto no terreno sindical quanto no político, no que diz respeito a qualquer variante burguesa.

Para uma alternativa política-sindical dos trabalhadores

Nesse contexto, é necessário levantar uma alternativa político-sindical dos trabalhadores e trabalhadoras, independente de Guaidó e de qualquer variante patronal. Que chame todo o povo para se mobilizar contra o governo de Maduro. Temos de seguir o exemplo do povo do Sudão e da Argélia, que com a sua mobilização independente, derrubaram os ditadores Al Bashir e Bouteflika.

Propomos formar uma aliança, um polo ou frente de batalha político-sindical de trabalhadores e trabalhadoras para derrubar através mobilização o governo de fome Maduro, derrotar o seu pacote de ajuste e lutar por um governo dos trabalhadores que impulsione um plano econômico popular que tenha entre seus objetivos: um plano nacional de importação massiva de insumos produtivos, alimentos e medicamentos; o não pagamento da dívida pública; uma indústria petrolífera 100% estatal e sem empresas mistas ou transnacionais; o confisco dos bens dos corruptos e repatriamento dos bilhões de dólares levados para o exterior; uma reforma agrária que permita avançar na auto abastecimento de alimentos; a eliminação do IVA e uma reforma tributária progressiva; a eliminação dos gastos do Estado com a repressão e as despesas suntuosas do governo, tudo na perspectiva de que sejamos os trabalhadores quem governem o país. Liberdade para todos os trabalhadores detidos, como Rodney Álvarez, Alfonso Román e Rubén González; pela reintegração de Deillily Rodríguez (Metrô de Caracas), José Patines e Jesús Serrano (Chancelaria); pela suspensão de medidas cautelares para trabalhadores e ativistas populares; pelo fim da perseguição daqueles que discordam do governo e protestam pelos seus direitos; pela liberdade de expressão, não mais detenções de jornalistas; pelo direito de greve. Não à criminalização das lutas!

Convocamos a todos os ativistas da esquerda, cansados deste desastre, àqueles que participam da Frente Nacional de Luta da Classe Trabalhadora, os ativistas de esquerda que participaram da ITV, incluindo Marea Socialista, para construir esse polo alternativo para se postular como a direção política dos trabalhadores.

Nesse sentido, vemos como muito positivo o apelo feito por várias organizações políticas e sindicais, incluindo SinatraUCV, para o encontro previsto para a próxima sexta-feira, 10 de maio, na UCV.

 

Sirtrasalud Distrito Capital

Marco García, Secretário de Relações e Propaganda do SinatraUCV

Unidade de Trabalhadores Socialistas (UST)

Partido Socialismo e Liberdade (PSL)

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