Dia 26/05 foi um movimento reacionário! Seguir nas ruas e preparar a greve geral contra o ajuste do governo Bolsonaro/Mourão

No último domingo, 26 de maio, ocorreram os atos em apoio a Bolsonaro em várias cidades. Uma manifestação chapa-branca, de apoio ao governo, financiada por empresários e pela família Bolsonaro, com pautas ultrarreacionárias, como a defesa da reforma da previdência, o pacote repressivo de Moro e pautas diretamente golpistas como “fechamento do congresso e do STF”.

Não se pode menosprezar o fato de que o dia 26 juntou gente em apoio a pautas ligadas centralmente ao grupo ideológico ultradireitista, aos ruralistas ligados a pistolagem, aos fundamentalistas, aos seguidores de Olavo de Carvalho, o clã Bolsonarista ligado ao crime organizado e as milícias e pautas de retiradas de direitos. Algo que devemos rechaçar de forma veemente e repudiar essas pautas de forma categórica.

Os atos bolsonaristas foram menores que o tsunami do 15M

Os bolsonaristas tentaram medir forças com as manifestações de rua que estão ocorrendo desde março e deram um salto no dia 15 de maio. E esperavam uma maré direitista nas ruas. Porém, numericamente e politicamente, as manifestações bolsonaristas foram muito menores do que foi divulgado e esperado pelos organizadores, menores do que os atos do impeachment e os atos eleitorais.  Também foram menores do que se esperava para um presidente no início de mandato, que foi eleito com quantidade razoável de votos e até sua posse contou com expectativa e apoio de setores da classe trabalhadora e populares. Nem mesmo a longa lista de empresários que patrocinaram os atos, na reta final depois de idas e vindas, conseguiu aumentar qualitativamente o público. O interessante é que até agora não há números oficiais nem dos organizadores, nem do presidente, e nem da PM. É por isso que os setores simpatizantes de suas pautas jogam o movimento pra cima.

Nas redes sociais, no mundo político e sindical se instalou a inevitável comparação com o Tsunami do dia 15 de maio, que evidentemente foram muito maiores em números de manifestantes e na quantidade de cidades e estados em que ocorreram.

Os atos demonstram que o apoio ao governo Bolsonaro/Mourão diminui, conforme também se nota nas últimas pesquisas. Os milhões que votaram no presidente, por acreditar que iria resolver os problemas da corrupção e a crise econômica, os que votaram unicamente para rechaçar aos demais partidos (PT, PMDB, PSDB), começam a romper com Bolsonaro. Algo que teve expressão nas manifestações de diversas categorias no dia 22 de março e se nota na construção da greve geral de 14 de junho. Esses setores, que não se deslocaram na época do “viravoto” e do EleNão, agora se deslocam nas ruas e foram parte do movimento de oposição nas ruas, que está em curso desde o 8 e 14 de março, e explodiu no ato unificado da educação no mês de maio.

O movimento do dia 26/05 não fecha a crise política

Chamou atenção que a manifestação do dia 26/05 não colaborou para unificar o governo, os setores que elegeram Bolsonaro e nem unificou a burguesia (mesmo que um setor tenha tentado embalar os atos numa roupagem ultraliberal de defesa da reforma da previdência). O ato não contou com a participação de organizações de direita que tiveram um papel chave nas manifestações pró-impeachment e na eleição de Bolsonaro, como MBL e Vem Pra Rua. Causou discordâncias em várias alas ultrarreacionárias do governo, como os militares e até parlamentares e dirigentes importantes do PSL.

Em meio à crise do governo, disputas das frações da burguesia, crise com o congresso, divisões no interior do bolsonarismo e do PSL, fica patente que o dia 26 não reverte a crise do governo Bolsonaro/Mourão. Não por acaso, Bolsonaro especula negociar em melhores condições com os presidentes do Senado e da Câmara, ambos do DEM, e com o presidente do STF. E tenta costurar um acordão, um novo “pacto” em prol da reforma, na tentativa de amenizar a instabilidade política e a aprovar a reforma da previdência. Aposta nessas negociações até mesmo com os governadores de oposição, com os quais manteve reuniões e em cujo evento esteve presente no Nordeste (um movimento errado por parte desses governadores que nada contribui para a construção de uma efetiva oposição).

O governo Bolsonaro aposta nas negociações e vive um momento difícil. No entanto, não podemos subestimar o governo da extrema direita e nem minimizar suas propostas que atacam os trabalhadores, a juventude, as mulheres, LGBTs, negros e negras, e os indígenas. O governo Bolsonaro/Mourão representa o que há de mais atrasado, é ultraliberal na economia e ultraconservador nos costumes. É pró-imperialista, capacho de Trump, defende o torturador Ustra e o golpe de 64. O plano de ajuste e as propostas autoritárias necessitam ser derrotados nas ruas, através da mobilização operária, popular e estudantil, nos atos do dia 30 de maio e através da greve geral.  E após os fortes atos do dia 15 de maio estamos numa conjuntura favorável para o desenvolvimento da mobilização.

Ocupar as ruas dia 30 e preparar a Greve Geral 14/06 para derrotar o ajuste e o autoritarismo de Bolsonaro/Mourão!

Neste cenário, diversas manifestações estão sendo articuladas para o dia 30 de maio, convocadas pelas entidades da educação (UNE, UBES, ANDES, FASUBRA, SINASEFE, CNTE) contra a reforma da previdência e os cortes. Que podem ser muito importantes, centralmente pela possibilidade da participação estudantil. Muitas entidades sindicais não convocaram paralisação nesse dia e a convocação geral, mesmo na juventude, não está igual ao 15M. Por isso será uma jornada diferente, sem paralisação, o que seguramente afetará as concentrações. Ter essa visão é importante para construir melhor o dia 30, os atos unificados de forma bem planejada e a continuidade da mobilização, que deve crescer em direção à greve geral de junho.

Os atos do dia 30 vão servir mais como esquenta rumo à greve geral. Neste processo é fundamental que as centrais sindicais construam efetivamente o movimento. A possibilidade de derrotarmos a reforma e os cortes na educação é real. A construção da Greve geral com assembleias, seguindo o exemplo da construção do 15M é fundamental. Diversas categorias já definiram cruzar os braços no 14J, como metroviários de SP, Nordeste e Sul e a plenária do transporte de SP, que ocorreu no dia 27/5, com a presença de centrais sindicais, federações, confederações e diversos sindicatos de base, para preparar a greve geral do dia 14 de junho, foi um importante passo que deve ser estendido.

É necessário que as direções das principais centrais, como CUT, CTB, Força Sindical, UGT, e partidos como PT, PCdoB, PDT, convoquem a greve geral com todas as suas forças. Cabe as centrais prepararem, desde já, orientando a realização de assembleias de base nas categorias e plenárias nos estados. Temos tudo para repetir os 40 milhões que cruzaram os braços na greve geral de 2017.  Nosso partido, o PSOL, bem como nossos parlamentares devem colocar todas as baterias a serviço da construção da greve geral. Líderes políticos de oposição como Fernando Haddad, Manuela D’avila e Ciro Gomes devem colocar toda sua influência a serviço dessa data. Da mesma forma, os governadores do PT do Nordeste têm que romper as negociações e pactos com o governo Bolsonaro e colocar seus mandatos a serviço da construção da greve geral.

Ao mesmo tempo temos que exigir das direções que convoquem uma nova assembleia da classe trabalhadora para aprovar um Plano nacional de Lutas que construa a continuidade da luta, por meio de uma nova greve geral em julho, contra a política econômica, antissocial e os planos e ideias ultrarreacionárias do governo Bolsonaro, e que comece a debater a necessidade de um plano econômico alternativo a serviço da classe trabalhadora, da juventude e das mulheres, que defenda o não pagamento da dívida pública e que reverta todas as contrarreformas impopulares aprovadas até agora.

29/05/2019

CST/PSOL

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