Argentina: 29 de Maio – forte greve geral contra o ajuste do Macri e do FMI

A CGT (Confederação Geral do Trabalho) definiu a convocatória para uma greve em 29 de maio, que foi acatada de modo maciço pelo povo argentino. A questão de como seguir essa luta ficou pairando sobre milhões de trabalhadores. O sindicalismo combativo e a esquerda têm uma resposta: convocar outra paralisação, agora de 36 horas e com mobilização, junto a um plano de luta para derrotar o ajuste.

Por Edgardo Reynoso (delegado ferroviário do Sarmiento)

Mais uma vez, a classe trabalhadora deu um forte sinal do seu descontentamento e desejo de lutar. Foi uma autêntica greve de massas, onde o governo e seu ajuste foram duramente atingidos. Na verdade, sobram razões para fazer greve: salários e aposentadoria pulverizados pela inflação, 200 mil empregos a menos, uma pobreza que cresce a passos largos, crescimento no valor das faturas de energia, água, e muito mais.

O governo “Cambiemos” (Maurício Macri) tentou responder com argumentos ridículos. A Ministra da Segurança Patrícia Bullrich disse “já estamos cansados das paralisações”. E nós respondemos à ministra que estamos cansados do aumento, duas vezes por mês, no preço de artigos de necessidade básica; das enormes operações de câmbio de dólares e pesos (conhecida como “bicicleta financeira”) ao serviço do superlucro dos bancos. Dificilmente um trabalhador seja “solidário” com esse cansaço do que fala Bullrich.

Muitos jornalistas alinhados com o governo levantaram uma hipótese que questiona se a greve “serve para algo”. Mas nós somos categóricos em afirmar que a greve serve sim! Uma greve é a principal ferramenta dos trabalhadores para enfrentar o ajuste. É o que nos permite mostrar a força da classe trabalhadora como um todo e assim, somar e coordenar as muitas lutas que, de outro modo, acabariam acontecendo isoladamente.

A contundência de cada uma das greves gerais demonstra que, para além das direções que as convocam, é possível derrotar o ajuste. Se as quatro greves gerais anteriores não conseguiram mexer no ritmo e na direção do ajuste do governo Macri, não foi devido ao método de luta, mas ao papel traidor das direções sindicais, em particular da cúpula da CGT. Foram eles que, durante os três anos e meio do governo Cambiemos, deram trégua após trégua. Eles, junto à oposição patronal peronista que, através de seus deputados e senadores, garantiram com seu voto as leis que o governo precisava para aplicar o ajuste, como foi no caso do pagamento aos fundos abutre (compradores de títulos de dívida), da redução das aposentadorias que votaram no final de 2017, ou até do orçamento feito à medida do FMI em outubro de 2018. Então, a própria burocracia sindical e as diferentes variantes do peronismo são os verdadeiros culpados de que Macri tenha chegado até aqui na aplicação do ajuste.

Essa greve foi convocada após uma longuíssima trégua que a direção da CGT deu ao governo, trégua que começou em setembro passado, usando frases do tipo “não vemos razão para fazer uma greve”. Mesmo tendo sido convocada a contragosto da CGT, a greve teve adesão maciça dos trabalhadores. “Apesar das” direções burocráticas e sem qualquer confiança do povo nelas, foram milhões que paralisaram suas atividades. O que prevaleceu foi a raiva e o desejo de atingir o governo e mostrar sua oposição ao ajuste.

Infelizmente, na coletiva de imprensa acerca do balanço da greve, tanto Héctor Daer quanto Carlos Acuña (direção da CGT) não fizeram o menor comentário sobre como agir para continuar lutando contra o ajuste. Hugo Moyano e a “Corrente Federal”, por outro lado, deram um tom mais eleitoral à coletiva de imprensa com a presença do prefeito da cidade de Merlo, Gustavo Menéndez. Nada de levantar qualquer tipo de continuidade na luta contra o ajuste. Pelo contrário, tudo voltado apenas para votar no peronismo contra Macri no próximo outubro. Assim, cada um dos diferentes burocratas, está se preparando para ver como se encaixa nas diversas variantes do peronismo em face das eleições.

Como dissemos nas greves gerais anteriores, desde o sindicalismo combativo e da esquerda afirmamos que a greve serviu para bater no governo, para mostrar a vontade de lutar dos trabalhadores e para reafirmar o descontentamento do povo.

Mas é preciso dar continuidade a tudo isso para conseguir quebrar a trégua que, repetidamente, as diferentes direções burocráticas acabam impondo. Sempre que possível, temos de fazer assembleias e aprovar pronunciamentos dos delegados para arrancar da direção da CGT e das CTAs (Centrais dos Trabalhadores Argentinos) a continuidade da luta com mais uma greve, agora de 36 horas e com mobilização, e lançar um plano de luta para derrotar o ajuste. Porque, para lutar contra o ajuste, não podemos depositar expectativas nesses dirigentes sindicais e seus partidos patronais. Os trabalhadores devem se opor ao programa de ajuste com seu próprio programa, operário e popular. E é isso o que a esquerda propõe.

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