TESE AO 57° CONUNE: Nosso futuro não cabe em seu governo

 

 

 

INDIGNADXS: JUVENTUDES DO MUNDO CONTRA OS GOVERNOS E OS AJUSTES

A crise econômica mundial dura mais de uma década. Os governos capitalistas encabeçados pelo ultradireitista Donald Trump vêm bombardeando as condições de vida dos trabalhadores. Na primeira linha do enfrentamento a essas políticas está a juventude.
Desde que a juventude da Espanha ocupou a Praça do Sol e a egípcia derrubou a ditadura em seu país em 2012, o mundo não é mais o mesmo. A partir de 2015, as jovens argentinas ocuparam as ruas por #NiUnaMenos e depois com seus lenços verdes na luta pela legalização do aborto num processo que se estende ao Chile, México, Brasil e diversos países. Jovens se levantam na Nicarágua e na Venezuela contra governos que se dizem
de esquerda, mas que na verdade são variantes brutais e repressivas do ajuste capitalista. São jovens palestinos que resistem bravamente ao Sionismo. São Jovens que vestem coletes amarelos na França e que no Sudão, Argélia, Haiti e recentemente em Honduras questionam os regimes políticos que lhes roubam o futuro. E nos EUA, coração do Imperialismo, 51% dos jovens se declaram simpáticos ao socialismo, um sintoma da primavera de jovens que enfrenta o governo Trump nas ruas.

Os governos se valem da nossa idade, nossa condição de estudantes e
inexperiência no mercado de trabalho para nos explorar ainda mais e das mais brutais formas de repressão para tentar nos calar. Somos a maioria dos desempregados e nosso futuro é constantemente ameaçado seja pela retirada de direitos, pelo aquecimento global ou pela repressão e extermínio nas periferias do mundo. Somos vítimas cotidianas do machismo, do racismo e da LGBTFOBIA. Por isso nos sobram motivos para ir à luta. Reivindicamos e nos solidarizamos com a luta das juventudes do mundo.
Por isso defendemos:

Fora Trump! Abaixo sua política de agressão imperialista contra os povos do mundo e dos Estados Unidos.
Toda solidariedade ao povo palestino!

Rejeitamos toda a interferência imperialista e a tentativa de golpe pela direita pró-ianque! Que Maduro seja retirado pelos trabalhadores e pela mobilização popular!

Nenhum ser-humano é ilegal! Toda solidariedade aos refugiados/as!

A JUVENTUDE NA LINHA DE FRENTE CONTRA O GOVERNO BOLSONARO

Bolsonaro e seu ministro da Educação, Abraham Weintraub, estabeleceram a crise no MEC com cortes bilionários, medidas autoritárias e um ataque frontal aos estudantes e educadores. Foram mais de 5,8 bilhões de reais contingenciados de diversos setores da educação. Universidades correm o risco de fechar as portas; o FNDE, responsável por livros didáticos, transporte escolar dentre outros sofre um corte de 1 bilhão de reais e a CAPES bloqueou 3.474 bolsas recentemente. Suas medidas afetam a permanência de diversos estudantes nas salas de aula, a produção de ciência e tecnologia no país e o futuro de todxs nós. É por isso que, pouco mais de um mês da greve geral que parou importantes categorias de trabalhadorxs em todo o país e balançou o governo Bolsonaro, concluímos que a juventude estudantil, ao lado dos trabalhadores, foi protagonista das lutas que ocorreram no primeiro semestre de 2019 e provocou um verdadeiro tsunami nas ruas para defender a educação pública, sem dar trégua aos governos e medidas que ferem os nossos direitos e impedem um futuro digno a todxs nós. Em março, construímos mais uma grande greve internacional feminista pelo fim da violência às mulheres, o feminicídio, a exploração capitalista e tomamos as ruas contra a reforma da Previdência aqui no Brasil e exigindo justiça por Marielle Franco e Anderson Gomes.
Em maio, após o anúncio dos cortes em 30% nas verbas da educação federal, assistimos o país inteiro se mobilizar nas ruas e com fortes paralisações de universidades, escolas e institutos federais de ensino nos dias 15 e 30. Foi neste período que a popularidade de Bolsonaro caiu com força e a sua rejeição passou a ser maior que os índices de aprovação, demonstrando que até mesmo a parcela da população que votou em sua candidatura na última eleição prefere ter seus direitos e de seus filhos e filhas garantidos do que defender um governo inimigo.

Fortalecer o ato da educação no dia 12 de julho em Brasília! É preciso
unificar a juventude com xs trabalhadorxs na luta contra Bolsonaro!

A UNE e demais entidades do movimento estudantil, de maneira acertada, convocaram para o dia 12 de julho um grande ato em Brasília, em defesa da
educação pública, contra os cortes de verbas e a retirada de nossos direitos. As entidades sindicais (CUT, CTB, FORÇA, UGT etc.) precisam seguir este exemplo e garantir a ampla participação de trabalhadorxs para fortalecer a unidade operária-estudantil. O chamado para a organização deste ato é importante e deve ser fortalecido. Porém, esta iniciativa precisa se converter em uma construção real, com o chamado de uma luta unificada entre trabalhadorxs e estudantes, com paralisações em cada instituição de ensino e investimento para que caravanas de todo o país se dirijam à Brasília. Assembleias nas universidades, institutos e escolas devem ser organizadas para debater e votar a participação dxs estudantes e trabalhadorxs ao ato em Brasília-DF. Convocamos também que as entidades, estudantis e sindicais, convoquem e organizem uma grande plenária nacional da educação para o início de agosto, com lutadoras e lutadores do ensino básico e superior, para organizarmos um calendário
permanente de lutas em defesa da educação pública, gratuita e com qualidade. Uma política consequente para seguir a luta contra Bolsonaro e seu governo de extrema-direita.

Contra a seletividade do Judiciário! Todo apoio ao trabalho do Intercept!
As mensagens de Sérgio Moro vazadas pelo site Intercept desnudaram ainda mais o caráter seletivo e viciado do Judiciário Brasileiro. O mesmo judiciário de Gilmar Mendes famoso por tirar corruptos da prisão que prendeu por anos o jovem Rafael Braga por portar uma garrafa de pinho sol. O mesmo judiciário que faz vista grossa às denúncias de Corrupção contra o clã Bolsonaro, que soltou Temer e protegeu FHC. Moro atuou de forma imoral abusando de seu poder para alterar o processo eleitoral, por isso exigimos seu imediato afastamento do ministério da justiça, um novo
julgamento ao ex-presidente Lula e investigação de todas as denúncias de corrupção envolvendo a família Bolsonaro, bem como dos “70% dos delatados” que Moro preferiu “deixar quieto”. É importante defender a liberdade da imprensa contra os querem calar Glenn Greenwald e o Intercept, e nos solidarizar com o jornalista e seu companheiro e deputado federal do PSOL David Miranda contra os ataques homofóbicos que têm
sofrido.

POR UMA NOVA DIREÇÃO PARA A UNE COM A UNIDADE DA OPOSIÇÃO DE ESQUERDA

Não temos dúvida que o momento nos exige a mais ampla unidade de ação para enfrentar do governo de ultradireita de Bolsonaro. No entanto os setores que dirigem a UNE seguem apostando em formas burocráticas e poucos transparentes para dirigir a entidade, atropelando a democracia estudantil. O respeito que todos nós exigimos à Democracia nas universidades e nas eleições para reitoria, não é aplicado pela majoritária nos processos eleitorais do CONUNE e na condução diária da entidade. A defesa intransigente dos nossos direitos é posta em xeque quando no Congresso se apoia a eleição do direitista Rodrigo Maia para a presidência da Câmara ou quando os governadores do PT, mesmo após a greve geral,
segue tentando negociar a Reforma da Previdência com o governo federal, ou ainda quando dirigentes da UNE declaram que os protestos de maio não eram “contra nem a favor ao governo Bolsonaro”. Por isso a necessidade de uma nova direção para o movimento estudantil segue atual, e essa batalha é uma tarefa fundamental para os coletivos que compõem o campo da oposição de esquerda ( Juntos, Correnteza, UJC, campo Juventude Sem Medo, nós da Juventude Vamos à Luta, etc.). Fundada em 2007, o campo da Oposição de Esquerda na UNE surgiu não apenas como uma saída política conjuntural, mas com um programa para o movimento estudantil e
um projeto de Universidade pública: pública, gratuita e com qualidade num momento em que campo majoritário da UNE se submetia aos governos petistas de Lula e Dilma, e à política neoliberal que enriqueceu os empresários da educação superior e avançou na privatização da Educação. A Oposição de Esquerda surgiu, portanto, para contrapor o programa de conciliação de classes empreendido pelo lulopetismo naquele momento e a ausência do setor majoritário que optou por sair do chão das universidades para ocupar cada vez mais espaços nos gabinetes palacianos. Segue atual a batalha estratégica por uma direção política ao movimento estudantil nacional que esteja alinhada à imprescindível unidade de ação nas lutas do dia-a-dia contra Bolsonaro, apontando para um programa que supere a conciliação de classes. Demos importantes viradas no processo de eleição de delegadxs para este CONUNE, com vitórias expressivas nas universidades que a OE saiu unificada. Temos que seguir estes exemplos para unificar a Oposição de Esquerda e construir uma nova direção ao movimento estudantil.

  • UM PROGRAMA PARA O MOVIMENTO ESTUDANTIL:
  • Unidade de ação nas ruas para Derrotar Bolsonaro. Por um calendário de lutas no segundo semestre e um comando nacional de mobilizações. Bolsonaro e seu governo inimigo da juventude precisa ser derrotado e para isso é necessário a mais ampla unidade de ação da majoritária à oposição de esquerda em cada universidade, IF ou escola. É preciso construir pela base um calendário nacionalizado de lutas para o semestre em defesa da educação e contra a Reforma e para que isso ocorra é necessária a construção de um comando nacional e permanente de mobilizações com representantes eleitos na base.
  • Dinheiro público para a educação pública! Não para os bancos, nem para a Dívida Pública! No Brasil, todo ano quase metade do orçamento nacional é desviado legalmente para os cofres dos grandes banqueiros e multinacionais por meio do pagamento da Dívida Pública. Trilhões e mais trilhões de reais todos os anos servem para enriquecer ainda mais àqueles que já são muito ricos. Nós defendemos que toda essa verba, que é pública, seja destinada para o que nos interessa: educação, saúde, arte, esporte e lazer. É preciso Revogar a EC 55 que congelou investimentos.
  • Queremos um futuro de respeito! Não à reforma da Previdência! O governo Bolsonaro tenta a todos os custos aprovar a reforma que ataca os nossos direitos à aposentadoria e a um futuro digno. Quer aumentar o tempo de contribuição e a idade mínima para isso. Sem contar que para conseguirmos o nosso direito por completo, na proposta do governo, teríamos que somar o tempo de contribuição e a idade de vida. Em um país com mais de 13 milhões de desempregados e mais de 30 milhões de postos informais de emprego, quem conseguiria chegar aos 65 anos de idade com 40 anos de contribuição ininterruptos? É preciso derrotar essa Reforma e todas as suas variantes.
  • Universalização do ensino público! Acesso e permanência não combinam com a farra dos tubarões do ensino! É preciso lutar em defesa da universidade pública e contra o projeto privatista de Bolsonaro, como a proposta de cobrança de mensalidade nas IFES. Defender políticas de permanência estudantil, moradia e creches universitárias, transporte, e bolsas de auxílio a setores vulnerabilizados. Lutar contra o fim das cotas e das bolsas para indígenas e quilombolas. Por uma universidade pública, gratuita e de qualidade livre de machismo, racismo.

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