Future-se financeirizando-se e ideologizando-se!

Com pompas, no dia 17 de julho, o MEC apresentou à sociedade brasileira o programa Future-se colocando-o como a fina flor da liberdade e da inovação, um mundo paradisíaco que aumentaria a autonomia e as verbas das universidades e dos institutos federais os levando ao patamar dos países desenvolvidos.

O próprio Abraham Weintraub tem se apressado a dizer que a adesão à essa maravilha por parte das instituições federais será “voluntária”. Uma verdadeira gafe que nos revela as reais intenções do governo com o programa.

Para começar temos um governo que não tem respeitado os resultados das eleições dos reitores, o que configura um ataque a autonomia universitária. Assim os cargos de confiança de Bolsonaro nas instituições federais de ensino decidiriam “voluntariamente” aderir ao Future-se.

O programa será financiado por um fundo de direito privado, que permitirá o aumento da autonomia financeira das instituições federais de ensino. A administração do fundo é de responsabilidade de uma instituição financeira e funcionará sob regime de cotas.” (MEC lança programa para aumentar a 
autonomia financeira de universidades e institutos. MEC, 17/07/2019)

Um fundo de investimento de direito privado! É o capital financeiro, do qual o próprio Weintraub é originário e representante, estendendo seus tentáculos sobre a educação pública que, em vez de ter sua autonomia ampliada, ficaria aprisionada aos interesses dos rentistas.

As unidades no interior das instituições de ensino seriam estimuladas a competir entre si na busca pelos recursos dos rentistas, à privatização do seu próprio patrimônio, à cedência de espaços para propagandas das empresas, assim como firmar acordos que interessem às empresas privadas. Mas os planos privatistas vão ainda além:

A operacionalização do Future-se ocorrerá por meio de contratos de gestão. Estes serão firmados pela União e pela instituição de ensino com organizações sociais cujas atividades sejam dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à cultura e estejam relacionadas às finalidades do Future-se. Os contratos de gestão poderão ser celebrados com organizações sociais já qualificadas pelo MEC.” (ibidem)

Famosas pelo apadrinhamento político e corrupção as Organizações Sociais (OSs) vão poder fazer, como disse o próprio Weintraub, “um zilhão de coisas” (Entre o joio e o trigo. UOL,23/07/2019), que iriam desde atividades meio até a atividade fim de professores, em contratos variados e sem licitação, tudo bem ao gosto da prática do atual governo de beneficiar amigos e parentes.

Como o Future-se impõe um limite de gasto de pessoal novas contratações viriam sem concurso público através das OSs o que facilitaria a entrada de olavistas nas instituições de ensino para lecionar suas maluquices e promover perseguições políticas e ideológicas.

Se Vélez Rodríguez era apenas um olavista estúpido Weintraub é um olavista do mercado financeiro. O seu Future-se conseguiu aliar a estupidez ideológica com a conveniência econômica do rentismo. Seu recado verdadeiro é: financeirize-se e ideologize-se!

Acreditamos é na rapaziada! Mobilize-se!

Apesar dos evidentes malefícios de tal programa há os que desejam discutí-lo e negociá-lo para despiorá-lo. É o caso de alguns reitores e de políticos da oposição, como Ciro Gomes. Uma postura equivocada.

Tal ataque deve ser derrotado integralmente e as ruas – e não os gabinetes – são o melhor espaço para isso. A exemplo dos dias 15 e 30 de maio os estudantes estão organizando para 13 de agosto outra primavera da educação contra os ataques ideológicos e financeiros de Weintraub e Bolsonaro.

As entidades estudantis e sindicais da educação devem construir desde a base das comunidades acadêmicas, escolares e com a população em geral outro grande dia de greve geral da educação para derrotar o Future-se, os cortes/contingenciamentos, garantir verbas públicas para as universidades e institutos federais, defender a autonomia universitária, liberdade de cátedra e de expressão nos espaços escolares de todo o país e colocar Weintraub e o olavismo para fora do MEC.

Contra o Future-se, Mobilize-se! Dia 13 de agosto tod@s às ruas!

Por Jorge Nogueir – Professor da rede estadual do RS

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