ARGENTINA : Entrevista com a deputada Laura Marrone

Entrevistamos Laura Marrone, candidata a deputada nacional na CABA e dirigente nacional da Izquierda Socialista …

Entrevistamos Laura Marrone, candidata a deputada nacional na CABA ( Buenos Aires) e líder nacional da Izquerda Socialista, partido irmão do Brasil na Argentina. Laura sendo uma estudante do ensino médio ficou impactada em 1969 pelo “cordobazo”. Ela começou sua militância no PST em 1971, como professora se formou na Ctera em 1973 e, em seguida, foi presa política por três anos sob a ditadura de Videla. No exílio, ingressou no Sindicato Metalúrgico das Comissões de Trabalhadores na Espanha e participou na França da luta dos “imigrantes africanos e árabes” por seus direitos. Em 1988 foi líder do ” maestrazo” contra o governo de Alfonsin. Marrone tem 66 anos, 2 filhos e está exercendo seu segundo mandato como parlamentar em Buenos Aires.

Izquierda Socialista: Laura depois de tantos anos de militância política e luta de professores, conte-nos sobre sua experiência como parlamentar?

Laura Marrone: Realizamos a tarefa legislativa como representantes dos trabalhadores, sendo a voz de todos os oprimidos e apresentando projetos de lei, resoluções e pedidos de relatórios com as propostas de conteúdo que temos no programa da FIT ( Frente de Esquerda e dos Trabalhadores) . Por exemplo, na cidade há uma grande falta de vagas nas escolas públicas, sob o “macrismo” avançou muito a privatização, e hoje a matrícula de estudantes em escolas particulares e religiosas já ultrapassou a do ensino público. Apresentamos dezenas de projetos para construção de escolas e jardim da infância públicos. Também apresentamos projetos de lei para a reestatização sob controle de trabalhadores e usuários do Metrô, Edenor e Edesur, e para declarar a emergência no combate a violência de gênero, entre outros. Estávamos nas lutas, como a das enfermeiras, para serem reconhecidos como profissionais de saúde, as mobilizações em defesa dos 29 professores, contra a Unicaba (projeto educacional do governo) e contra o fechamento de escolas noturnas. A FIT se fortaleceu muito contra o governo de Macri e Larreta (Prefeito de Buenos Aires) , porque não transigimos como o peronismo e a burocracia sindical.

Izquierda Socialista: Que desafios temos nas eleições primárias de 11 de agosto?

Laura Marrone: Há uma tentativa de Macri e Fernández de polarizar a eleição, como se já estivéssemos em uma cédula, para tentar minimizar as outras propostas que são apresentadas. Isso representa um enorme desafio para a esquerda, porque temos que romper a polarização, que impulsiona todo o aparato midiático, para lutar e conquistar o voto de trabalhadores, mulheres e jovens. Nossa campanha de militantes e pulmões, sem financiamento de empresas, chega aos locais de trabalho, estudos e bairros populares. Nossa proposta de romper com o FMI e deixar de pagar a dívida externa gera um grande debate, que é muito profundo, pois discutimos se devemos nos resignar para sobreviver sob o capitalismo, como uma semicolônia com enorme pobreza, ou se podemos realmente fortalecer outra alternativa de esquerda, que para nós é o caminho para o governo dos trabalhadores e a necessidade do socialismo para alcançar todos os nossos direitos.

Izquierda Socialista: Como você vê a eleição na cidade de Buenos Aires?

Laura Marrone: Larreta largou com uma grande vantagem. Eles governam há doze anos, com uma oposição completamente cúmplice do ajuste. Tanto é assim que Lousteau (ex-ministro da economia), que quase ganhou a votação em 2015, agora vai com o macrismo como candidato a senador e até Roy Cortina, em nome do Partido Socialista, entra nas listas de Larreta. O Kirchnerismo leva Lammens (candidato a chefe de governo), que é outro banana, um candidato que não foi visto em nenhuma das inúmeras mobilizações de trabalhadores, mulheres e jovens contra o ajuste. É precisamente nessas lutas onde a FIT foi sempre e é por isso que somos reconhecidos e pedimos votos para 11 de agosto. Confio que a unidade e a coerência da esquerda darão bons resultados.

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