DIA DA VISIBILIDADE LÉSBICA! MULHERES NA LUTA CONTRA O MACHISMO E A LESBOFOBIA!

Dia 29 de agosto é comemorado o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. Criado em 1996, no primeiro Seminário Nacional de Lésbicas, o dia é um marco na luta pela vida e pelos direitos das mulheres lésbicas. Hoje, mais de 20 anos após a criação da data, ainda temos que avançar muito pra que nossas vidas, desejos e demandas sejam visibilizadas e respeitadas.

Na nossa sociedade, o machismo, a lesbofobia e o racismo andam juntos, subjugando e oprimindo as mulheres. A sociedade patriarcal e heteronormativa nos determina lugares, fazendo com que sejamos constantemente inferiorizadas, responsabilizadas pelo cuidado da casa e dos filhos, violentadas por familiares e companheiros, trabalhemos em condições mais precárias e ganhando salários inferiores. A relação afetiva entre mulheres foge do padrão imposto socialmente, o que nos faz sermos ainda mais oprimidas. Muitas vezes, precisamos esconder e negar nossa sexualidade e afetos, somos constantemente fetichizadas por homens, e inferiorizadas e agredidas.

A lesbofobia é uma realidade que atinge às mulheres lésbicas em todo o país. Entretanto, sabemos que a violência LGBTfóbica atinge mais intensamente áreas periféricas e marginalizadas. Assim, mulheres pobres e negras são as mais atingidas, revelando um grande descaso com sua segurança e saúde.

No inicio deste ano tivemos uma importante conquista com a criminalização  da violência contra a população LGBT, o que não quer dizer que a violência contra os LGBT tenha tido uma diminuição. Segundo o Ministério da Saúde, a população LGBT é mais vulnerável a violência física e psicológica. Além disso, as mulheres lésbicas sofrem com os chamados “estupros corretivos”, práticas de violência sexual que teriam como objetivo “corrigir” a sexualidade da mulher e que são, em geral, praticados por pessoas próximas a essas mulheres.

Há também um grande descaso com a saúde das mulheres que se relacionam sexualmente com outras mulheres. Por medo do preconceito, acessam menos os serviços de saúde e, quando acessam, os profissionais de saúde não são capacitados para atender essa população, não podendo intervir sobre as situações de vulnerabilidade das mulheres. Ainda acredita-se que a prática sexual entre mulheres não representa risco de transmissão de Infecções Sexualmente Transmissíveis e, com isso, muitas mulheres deixam de ser examinadas, rastreadas e medicadas, tendo maiores chances de desenvolver doenças, como câncer de cólo de útero. Além disso, o enfrentamento do preconceito, do machismo e da lesbofobia tem efeitos nocivos sobre a saúde mental das mulheres lésbicas, sendo muitos os casos de suicídio entre essa população.

Embora tenhamos conquistados alguns avanços nos últimos anos, como a união estável entre pessoas do mesmo sexo, a possibilidade de adoção entre casais homoafetivos e a criminalização da homofobia, estes foram fruto de muita luta e ainda são poucos frente à realidade que vivemos.

Se os últimos governos não estiveram comprometidos com políticas que ampliassem os direitos da população LGBT ou que combatessem a violência que sofremos, com a eleição do machista, misógino e homofóbico, presidente Bolsonaro, a situação piorou ainda mais com declarações do presidente incentivando o ódio e a violência contra os LGBT, trazendo a tona temas já superados como a “cura-gay”e outras fakenews, aumentando os casos de violência contra essa população.

Bolsonaro tenta a todo custo aprovar uma reforma da previdência, que atinge principalmente as mulheres e ainda mais as mulheres lésbicas, já tão precarizadas em seus postos de trabalho. As mulheres lésbicas devem sair às ruas contra essa reforma e tantas outras medidas desse governo que está vendendo nossos direitos, ao lado de cada trabalhador.

O dia da Visibilidade Lésbica tem que ser um dia de luta! A pauta LGBT precisa ser cada vez mais incorporada pela esquerda, mobilizando a população por uma forte luta que retire as mulheres lésbicas da marginalidade e construa saídas para dar fim à opressão que sofremos cotidianamente. Precisamos avançar na luta contra o machismo, o racismo e a LGBTfobia, em conjunto com a luta da classe trabalhadora e da juventude contra a retirada de direitos!

Ivana Furtado – CST/PSOL

Natalia Lucena – CST-PSOL

 

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