UMA PARTIDA PARALISADA CONTRA LGBTFOBIA 

Após a partida entre Vasco e São Paulo pela 16° rodada do Brasileirão (Série A) ter sido paralisada pelo arbitro Daronco, após gritos homofóbicos ecoarem nas arquibancadas de São Januário entoados pela torcida do Vasco, ascendeu o debate para além do campo.

FUTEBOL UM HISTÓRICO DE PRECONCEITO

O Futebol assim como grande parte das modalidades esportivas é reprodutora da lógica heteronormativa, machista e racista, ou seja qualquer forma que fuja do padrão hetero e higienizado é tido como repugnante, pois a modalidade é um símbolo da heteronormativa mais truculenta e durante algum tempo foi privilegio dos membros brancos da classe burguesa. Assim a carga histórica e estrutural ajuda a reproduzir todas as formas de opressões. Isso está presente no questionamento da orientação sexual das jogadoras de futebol e na taxação de que é um esporte para lésbicas, muitas vezes repreendido pelos pais. Ou nos gritos de “viadinho” como relação de inferioridade. Desse jeito passam a questionar as capacidades físicas e profissionais de jogadores. Além do que esse mesmo questionamento serviu por anos para o não desenvolvimento e apoio ao futebol feminino.

Todos lembram que o jogador Richarlyson do São Paulo foi por diversas vezes hostilizado, em um dos episódios que foi parar na justiça, o juiz Manoel Maximiniano Junqueira Filho, da 9ª Vara Criminal de São Paulo, arquivou o processo dizendo que “o que não se mostra razoável é a aceitação de homossexuais no futebol brasileiro porque prejudicaria a uniformidade de pensamento da equipe. O entrosamento, o equilíbrio, o ideal.”. Por vezes piadas entre jogadores como o vídeo do Felipe Bastos no início do ano e após vitória do Vasco contra Fluminense, ou a hostilidade que afasta torcedores LGBTs dos estádios, que já sofreram ameaças, como a de torcedores do Palmeiras no final de 2018 na Estação do Metro de SP gritavam “O bicharada, toma cuidado, o Bolsonaro vai matar veado”.

DEFINIÇÃO DO STJD E DA FIFA

A paralisação de partidas e registro na sumula após o apito final é uma orientação do Superior Tribunal de Justiça desportiva (STJD) e da Federação Internacional de Futebol (FIFA), um passo importante após a tipificação da LGBTfobia como crime discriminatório no Brasil. Algo que foi inédito no futebol Brasileiro de clubes, mas as multas não, o Atlético Mineiro já pagou R$ 5 mil reais de multa e a CBF já respondeu e foi penalizada (pela FIFA) em jogos da seleção Brasileira por xingamento e gritos homofóbicos. Além de multas a perda de 3 pontos está prevista no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD.

A possibilidade de punição aos times irá forçar que tomem posição. Infelizmente a primeira posição do Vasco e de seu técnico foi o questionamento e a indignação a uma provável punição, demonstração nada desportiva e respeitosa, mas já enviaram explicações. Independente do time que torcemos, queremos combater todas as formas de preconceito. Imaginemos como se sentem os torcedores e jogadores LGBTs com esses gritos e ações, num espaço que deveria ser da confraternização e celebração do esporte, a hostilidade tem vencido. Precisamos dar um basta!.

OCUPAR OS ESTÁDIOS É NOSSO DIREITO – SEM LGBTFOBIA

As/os torcedores LGBTs precisam pressionar o grupo dirigente de cada time para que criem campanhas educativas em todas as suas formas para conscientizar seus torcedores de que não é só pela multa e/ou perda de pontos, mas sobretudo  pelo respeito a diversidade sexual de suas torcidas, como fez o Bahia ao chamar os dirigentes de suas torcidas organizadas. Cobrar da CBF campanhas institucionais debatidas com as federações estaduais e times de todas as séries do futebol Brasileiro, de como podem de forma conjunta combater a LGBTfobia dentro e fora do campo.

Nós LGBTs queremos frequentar sem temor de sofrer violência psicológica ou física nos estádios ou arredores. Queremos manifestar o amor não só pelos nossos times que aprendemos a gostar, e poder cada vez mais ocupar as arquibancadas e cantar dias de festa do esporte.

Eziel Duarte – Coordenação Nacional da CST/PSOL

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