DEBATES / PSOL: construir frente eleitoral com PT ou frente de esquerda e socialista?

No último dia 28 de agosto a Executiva Nacional do PSOL aprovou uma resolução política denominada “Salvar o Brasil, antes que seja tarde” (http://psol50.org.br/psol-define-eixos-de-acao-para-o-segundo-semestre/). A resolução parte da correta denúncia do governo Bolsonaro, enquanto inimigo central dos direitos dos trabalhadores, do meio ambiente, da educação e dos direitos humanos e também aponta o aprofundamento da crise econômica e social que perpassa o país.

Resolução da Executiva do PSOL reafirma política de frente ampla eleitoral

Porém a resolução reafirma a orientação do partido em torno de uma “frente ampla em defesa da soberania, dos direitos e da democracia” seguindo no mesmo caminho do recente seminário em que fundaram o “Observatório da Democracia” uma iniciativa comum e permanente com as fundações do PT, PDT, PSB, PCdoB e PROS, pavimentando o caminho para possíveis chapas em comum com esses partidos no próximo processo eleitoral. Sabemos que muitos ativistas sérios e honestos podem a priori simpatizar com essa ideia, mas opinamos que ela não ajuda a derrotar o governo Bolsonaro e muito menos a construir uma alternativa real que atenda às demandas dos trabalhadores, das mulheres e da juventude do nosso país.  Neste sentido é importante a notícia acerca da pré-candidatura da companheira Sâmia Bonfim (deputada federal PSOL/SP) a Prefeitura de São Paulo, para reafirmar um perfil de enfrentamento a velha política.

Os maiores partidos da oposição desarmam a luta contra a extrema direita

Em primeiro lugar, porque tal como a resolução votada pela Executiva Nacional do PSOL esconde o papel nefasto que esses partidos vêm cumprindo dentro do campo da oposição. Exemplos não faltam: o apoio dos governadores do PT a reforma da previdência enquanto aplicam ajuste nos estados; voto do PCdoB para Rodrigo Maia na presidência da Câmara; alianças eleitorais do PT com partido que consideravam golpistas nas eleições de 2018; no corpo mole das centrais como a CUT e CTB (dirigidas pelo PT e PCdoB) que abandonaram as ruas no dia da votação da reforma da previdência; ou mesmo no voto direto contra os trabalhadores como praticam cotidianamente as bancados do PDT, PSB e PROS no Congresso Nacional. A resolução livra a cara da direção do PT e da CUT e dos demais líderes da oposição. Limita-se a dizer que “interesses eleitorais e diferenças de avaliação sobre a gravidade do momento político têm, frequentemente, dificultado essa construção” (da unidade). E pior, considerando “que os avanços, em termos da unidade partidária, parlamentar e nos movimentos sociais, são inegáveis”. Não é possível considerar uma avanço “inegável” a política de pacto e trégua com a extrema direita de Mourão e Guedes ou a atuação comum com a direita de Rodrigo Maia e o relator da reforma (um deputado tucano!).

Defendemos a mais ampla unidade de ação para lutar contra os ataques de Bolsonaro, para combater as medidas de ajuste, na defesa da educação, do meio ambiente e dos direitos humanos. Por isso construímos todos os calendários unificados e seguimos exigindo que a CUT, o PT, a UNE, o PCdoB, o PDT, os governadores da oposição construam um plano de luta unificado para enfrentar o ajuste e o autoritarismo de Bolsonaro e Mourão. Porém muito diferente dessa unidade pontual é uma frente política com partidos que não são do nosso campo de classe, que já governaram aplicando ajustes e participando dos mais diferentes esquemas e negociatas, partidos que não representam uma alternativa para o país e muitos menos são consequentes na luta contra o Bolsonaro, postergando a luta contra o governo para o próximo processo eleitoral.

BOX: Segue a necessidade de Frente de Esquerda Socialista

No lugar dessa “frente ampla” eleitoral, é preciso construir uma verdadeira Frente de Esquerda Socialista, que reúna os partidos do nosso campo de classe, como o PSTU, o PCB e a UP. Essa é a batalha de lideranças como Plínio de Arruda Sampaio Jr, vereadores Renato Cinco e Babá (no PSOL RJ), correntes radicais do PSOL, intelectuais e militantes que colaboram na plataforma digital Contrapoder. Desde a CST/PSOL (Corrente Socialista dos Trabalhadores) seguimos essa batalha no interior do PSOL para construir um campo com independência de classe.

Uma frente que seja um instrumento para fortalecer a luta agora e nas ruas contra Bolsonaro e que não se limite a uma “reforma tributária” e outras medidas superficiais, mas que parta da suspensão do pagamento da dívida como única forma de por fim ao ajuste e começar a atender as demandas da classe trabalhadora, das mulheres, da juventude e da população pobre, apontando para um governo dos de baixo.

A ótima votação da FIT-U na Argentina e sua consolidação enquanto quarta força política do país, mostra que é possível sim crescer e avançar na unidade da esquerda sem abrir mão de um programa com pautas anti-capitalistas e nos marcos da independência de classe, entendemos que o PSOL deve seguir esse exemplo.

Escreve Danilo Bianchi – CST/PSOL

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