CHILE | Carta de solidariedade e apoio aos dirigentes secundaristas

Foto: Instagram @juventudevamosaluta

Nós, os abaixo assinados declaramos:

 

Após o boicote à Prova de Seleção Universitária (PSU), que foi liderado por alguns agrupamentos estudantis, entre eles a Assembléia Coordenadora de Estudantes Secundaristas (ACES), e os efeitos que esta mobilização acarretou nesse processo de admissão às universidades chilenas, o governo, com o presidente Sebastián Piñera, anunciou a aplicação da Lei de Segurança do Estado contra os porta-vozes da ACES, Ayelén Salgado e Víctor Chanfreau, acusando-os de instigadores da campanha contra a PSU.

Esta é uma medida judicial que, longe de visar soluções concretas para mudar o sistema de acesso ao ensino superior, o que faz é criminalizar, por meio de um decreto, o movimento social, perseguir lideranças e incentivar que o Estado castigue aqueles que se levantam contra o modelo predominante no país.

Assim como em outubro de 2019 com o chamado a pular catracas no Metrô, a atual mobilização dos secundaristas contra a PSU teve como objetivo acabar com um dos pilares que sustentam a desigualdade no Chile: o sistema de ensino em todas as etapas, principalmente no superior. A PSU é o instrumento que melhor demonstra que o poder do dinheiro garante aos mais ricos e à elite o acesso às melhores universidades, enquanto força a grande maioria dos jovens que não receberam educação de qualidade no ensino básico a estudar onde o sistema e a pontuação os permitem, às custas de um alto endividamento familiar. Não é, como querem alguns, uma disputa que coloca estudantes contra estudantes, mas uma luta contra um sistema de acesso educacional subserviente ao modelo econômico, que perpetua a desigualdade mesmo para futuros profissionais.

A mobilização dos estudantes faz parte do surto social que o país está enfrentando. Não é uma expressão alheia às demandas da sociedade chilena, nem em sua essência nem na forma como foi impulsionada, com manifestações, paralisações e greves massivas para exigir mudanças profundas nas pensões, na saúde, nas lutas feministas e pela igualdade de gênero, na habitação, no meio ambiente e na educação.

Os estudantes exigem mudanças profundas no sistema de acesso ao ensino superior, mas também se opõem à educação de mercado, que vê este direito como um negócio. Ao mesmo tempo, os secundaristas têm sido a linha de frente na defesa da educação pública que hoje está morrendo e é a expressão mais clara do fracasso retumbante das políticas educacionais dos últimos 30 anos.

Os estudantes conhecem, como ninguém, as políticas repressivas, entre elas a Aula Segura, e não se surpreendem com as ações tomadas pelo Estado contra os porta-vozes da ACES e outros estudantes. Eles começaram a revolta social que mudou o cenário político e pagaram com mortos, torturados, feridos e mutilados pelo direito de se rebelar contra um país injusto e desigual. É o momento em que deve existir bastante solidariedade da sociedade para frear todo tipo de repressão contra a juventude mobilizada e, por sua vez, impedir que aqueles que se apegam a um modelo que nós, chilenos, queremos mudar em todos os sentidos, responsabilizem os líderes estudantis. O Chile acordou!

Chile Despertó!

  • Todos somos Ayelén Salgado. Todos somos Víctor Chanfreau.
  • Somos todos secundaristas. Nunca os deixaremos sozinhos.
  • Não à criminalização do protesto.

 Envie assinaturas de apoio para o email asambleacoordinadora.aces@gmail.com

Tradução Bianca Damacena
Postado originalmente em http://uit-ci.org/
Santiago, 8 de Janeiro de 2020.

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