EDITORIAL CS 106 | Unidade nas ruas para enfrentar o capitão Bolsonaro e o general Heleno

O ano começa com uma onda de greves, cujo ápice foi a poderosa greve dos petroleiros, fortalecendo as lutas de moedeiros, do Dataprev e das demais categorias. Para responder a esse movimento nas ruas e refletindo a crise na cúpula burguesa, a extrema-direita está convocando uma nova manifestação nacional no dia 15 de março, com foco no fechamento do Congresso Nacional e do STF. O próprio presidente Jair Bolsonaro é um dos agitadores do evento. Trata-se de uma manifestação ultrarreacionária que mostra o projeto autoritário de Bolsonaro, General Heleno e outros ministros, parlamentares e defensores da ditadura militar de 1964.

O autoritarismo quer acabar com liberdades democráticas e direitos sociais

A proposta da extrema-direita de fechamento do Congresso e do STF visa implantar o autoritarismo escancarado, um projeto dos que defendem os torturadores do DOI-CODI, que fecharam sindicatos e entidades populares, proibiram greves e passeatas e assassinaram opositores. A ultradireita deseja cercear liberdades democráticas visando aplicar até o final o projeto de privatizações, arrocho e retirada de direitos.

É preciso unidade contra a extrema-direita nas ruas

É hora de todos os partidos e movimentos marcharem juntos contra o projeto ditatorial de Bolsonaro e Heleno. É hora de unificar tudo e todos, sem restrições, por esse ponto em comum, nas ruas. Em primeiro lugar a manifestação do movimento feminista ao redor do 8 e do 14 de março. Temos ainda o dia 18M, data da greve nacional da educação. A unidade deve se expressar em assembleias democráticas e comitês de base em cada categoria, em plenárias estaduais de sindicatos e federações, em assembleias estudantis por curso e fóruns de DCEs em cada estado, bem como fóruns de luta em cada universidade

As lideranças burguesas não se movem

Até agora os presidentes da Câmara, do Senado e do STF, alvos da extrema-direita, deram tímidas declarações se diferenciando de Bolsonaro e seus apoiadores. Não podemos esquecer que no primeiro semestre do ano passado eles protagonizaram um pacto dos três poderes logo após manifestações que também defendiam o fechamento do STF e do Congresso. Esses fatos demonstram que não se pode confiar nas lideranças burguesas para a luta contra o autoritarismo da extrema-direita

As lideranças dos maiores partidos de oposição devem construir o enfrentamento nas ruas

As maiores lideranças das oposições, tais como Lula, Ciro Gomes e os governadores do Nordeste (PT e PCdoB), criticam Bolsonaro, fazem discursos contra a extrema-direita, mas não jogam todo seu peso político na construção dos atos de rua. Infelizmente, os setores majoritários da oposição não têm como estratégia derrotar o governo Bolsonaro nas ruas. Os governadores do Nordeste pactuaram com Guedes a reforma da previdência em âmbito federal e a aplicaram em seus estados. Cabe às lideranças dos maiores partidos das oposições (PT, PDT, PCdoB, PSB) romper a inercia e convocar fortemente as manifestações para barrar o autoritarismo de Bolsonaro e Heleno.

Vamos com a CSP-CONLUTAS e o PSOL enfrentar a extrema-direita

Corretamente, a CSP-CONLUTAS e o PSOL, juntamente com outros movimentos combativos e partidos de esquerda, estão firmemente convocando o povo trabalhador e a juventude a ocuparem as ruas nas manifestações ao redor do 8 de março e na construção efetiva do 14M e do protesto nacional da educação e outras categorias em 18 de março. Temos de batalhar juntos para que as reuniões unificadas das centrais sindicais transformem o dia 18M numa nova Greve Geral. Greve que a UNE, UBES e ANPG também precisam encampar. É preciso seguir o caminho dos petroleiros e das demais greves e movimentos de março e dar continuidade a luta em abril, não depositar todas as fichas apenas no 1º de maio, que está muito distante. Será preciso uma nova Assembleia da Classe Trabalhadora convocadas pelas centrais e uma plenária nacional de todos os lutadores convocada pela Frente Povo Sem Medo e Brasil Popular e movimentos populares, feministas, negros, ambientais e LGBTs para organizar as lutas nos próximos meses. É preciso uma nova Greve Geral e colocar para fora Bolsonaro, o general Heleno e toda a extrema-direita, barrar as privatizações, reverter a retirada de direitos, conquistar reposição das perdas salariais, garantir verbas para educação, cessar o pagamento da dívida pública, garantir as pautas feministas, dos movimentos negro, LGBT e ambientalista.


 

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