Mulheres nas ruas contra Bolsonaro

por Mulheres da CST-PSOL

Mulheres mexicanas reproduziram a perfomance feminista nascida no Chile “El violador eres tú”, contra o machismo e o feminicídio. Novembro, 2019. Foto: EFE/Sáshenka Gutiérrez

A primavera feminista segue

As mulheres têm sido protagonistas das lutas contra a retirada de direitos e contra os Governos inimigos do povo nos últimos anos. Seja no chile lado a lado com aquelas que ocuparam as ruas contra os ajustes de Piñera, na Argentina com a “onda verde” que contagiou o mundo pela legalização do aborto, nos EUA contra Trump ou no Brasil com os multitudinários atos do #EleNao, nós já não aceitamos a precarização e a violência sem lutar. Aqui no Brasil, tentando responder a onda de mobilizações que estão ocorrendo desde o início do ano, a extrema-direita convocou um ato nacional no dia 15 de Março, com a pauta de fechamento do Congresso e do STF, sendo o próprio Presidente um dos agitadores. Essa manifestação quer concretizar o projeto autoritário de Bolsonaro, General Heleno e militares do Governo. Não podemos permitir!

Basta de violência contra mulher

Somos o 5a país com maior número de feminicídios, sendo que 71% das vítimas são as mulheres negras, além disso somos o país que mais mata pessoas trans e travestis no mundo. Em 2019, Bolsonaro zerou a verba do programa “Casa da Mulher Brasileira”, deixando ainda mais vulnerável as mulheres negras, pobres e de periferia.

Segundo pesquisa do IBGE de 2019, as mulheres brancas recebem 20,5% a menos que os homens, já as negras recebem menos da metade dos homens brancos (44,4%). Nós cumprimos duplas ou triplas jornadas de trabalho e também somos as que ocupam os postos mais precários.

Casos brutais de violência desde janeiro foram noticiadas, como as mulheres estupradas e assassinadas em Marituba, sendo que os casos de feminicídio aumentaram 76% no estado do Pará nos últimos dois anos, já em SP o aumento foi de 44% no primeiro trimestre de 2019. Isso é fruto direto da política do governo, que legitima crimes de ódio por questão de gênero, a violência física e verbal contra mulheres, apoia a criminalização do aborto e corta o orçamento das áreas sociais.

Bolsonaro e Damares: inimigos das mulheres

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, coleciona declarações machistas, racistas e LGBTfóbicas. Recentemente ela declarou que “as meninas ribeirinhas são estupradas porque não usam calcinha”. Damares lançou em janeiro a campanha “prevenção da gravidez na adolescência”, apontando como “saída” a abstinência sexual, ao invés dos debates de educação sexual nas escolas. A “saída” de Damares, além de ter um conteúdo moralista, isenta completamente os homens da responsabilidade pela gravidez, sendo que em 59,7% dos casos o pai têm entre 21 e 30 anos, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde.

O governo quer acabar com os serviços públicos

Após a aprovação da Reforma da Previdência, o governo segue com seu projeto para arrebentar os trabalhadores. Entre as propostas do novo pacote está a Reforma Administrativa e as PECs 186 (“Emergencial”) e 187 (“Pacto Federativo”).
Esses projetos preveem o fim da estabilidade, fim de planos de carreira, redução de salários em até 25%, adoção de critérios para possibilitar demissões, ampliação da contratação temporária, entre outros.

Essas medidas, somadas aos cortes da educação, saúde e privatizações não atingirão apenas os trabalhadores desses serviços, mas toda população que depende deles. É necessário unificar as lutas que estão em curso e mobilizar outras categorias rumo a construção de uma Greve Geral no país que barre a escalada autoritária e derrote as reformas e ataques contra o povo. Por isso, neste 8 de Março vamos colocar nosso bloco na rua para dizer basta ao feminicídio, a violência de gênero e para barrar a Reforma Administrativa e as PECs!


No centro da foto, Marielle Franco, vereadora do PSOL-RJ brutalmente assassinada em 2018. | Foto: Bárbara Dias/Fotoguerrilha

Justiça para Marielle e Anderson

É inadmissível que às vésperas de completar 2 anos da brutal execução de Marielle e Anderson ainda não saibamos quem foram os mandantes do crime. Não se pode descartar nenhum envolvimento, inclusive do clã Bolsonaro que possui relações íntimas com a milícia. Defendemos a criação de uma comissão independente de investigação, composta pela família de Marielle, a ABI, OAB, Anistia Internacional, representantes do movimento de negras e negros, de LGBTs e feminista, a comissão de direitos humanos da ALERJ e PSOL.
Nesse dia 14 de Março, ocupemos novamente as ruas! Exigimos saber QUEM MANDOU MATAR MARIELLE E ANDERSON?

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