#BoletimEletrônico | Unidade contra o projeto ditatorial de Bolsonaro: defender as liberdades democráticas, contenção ao coronavírus e direitos dos trabalhadores

Imagem: Facebook @cstpsol

O presidente Bolsonaro e seu grupo organizaram carreatas e manifestações em frente ao quartéis do exército no último final de semana. O movimento ultrarreacionário defende o fim de qualquer medida de contenção ao coronavírus (contesta a limitada quarentena parcial organizada em alguns estados) e agrupa os defensores do fechamento do congresso nacional e do STF. Ou seja, desejam dar plenos poderes ditatoriais a Bolsonaro e deixar ele livre para aplicar seus planos criminosos de morte via coronavírus, o colapso dos hospitais, a fome, miséria e desemprego.

No dia do exército eles estiveram em frente aos quartéis exigindo uma intervenção militar para garantir seus objetivos, visando um novo AI-5 (o nefasto mecanismo utilizado pela cúpula militar para consolidar a ditadura). O presidente da República em pessoa esteve na manifestação de Brasília e no dia seguinte declarou sobre si mesmo: “eu sou a constituição”. Bolsonaro deseja os poderes integrais de um regime absolutista onde o líder supremo é ele próprio a lei e a ordem. No regime ditatorial Bolsonarista repetiríamos o que já vimos em outras ditaduras como a dos militares de 64, o governo dos torturadores, dos assassinatos aos opositores, do fechamento dos sindicatos, centrais e entidades estudantis e populares, tudo para aumentar a exploração da classe trabalhadora e aplicar, sem voz dissonante, mais e mais retiradas de direitos.

A oposição burguesa se limita a criticar Bolsonaro

É hora de todos os partidos, lideranças, instituições, jornais, movimentos marcharem juntos contra o projeto ditatorial de Bolsonaro e seu bando fora da lei. É hora de unificar tudo e todos, sem restrições, por esse ponto em comum. Mas até agora a oposição burguesa, liderada por Rodrigo Maia, se limitou a tuitar críticas ao presidente e dar declarações em defesa do estado democrático de direito. Nada mais. O pior é Alcolumbre, do DEM, que tenta negociar com o governo, em meio a crise, uma nova edição da MP que retira direitos dos trabalhadores. Não podemos esquecer que no primeiro semestre do ano passado eles protagonizaram um pacto dos três poderes logo após manifestações que também defendiam o fechamento do STF e do Congresso. No mesmo espectro, os jornais burgueses se limitam a escrever editoriais críticos ao presidente ao mesmo tempo que defendem o ajuste fiscal. É como se apelassem ao ilusório bom senso daqueles que têm como ídolo genocidas como Brilhante Ustra. Esses fatos demonstram que não se pode confiar nas lideranças burguesas para a luta contra o autoritarismo da extrema-direita.

A CUT, UNE, centrais, FPSM e FBP, partidos de oposição devem convocar um forte panelaço nacional, realizar movimentos virtuais e organizar paralisações nas categorias!

Com a extrema direita não há diálogo possível, ou a destruímos ou ela nos destrói. E os que mais vão sofrer as consequências serão as entidades da classe trabalhadora. Em 64 a primeira entidade atacada foi a sede da UNE e os sindicatos metalúrgicos, bancários e de outras categorias sofreram intervenção. Na ditadura Vargas ocorreu o mesmo com a perseguição aos anarquistas, comunistas e trotskystas. Por isso, temos de agir e rápido. Aproveitar que Bolsonaro ainda não conseguiu um apoio sólido na burguesia e no imperialismo para seu projeto golpista. Ainda há fortes divergências na burguesia e mesmo no interior da cúpula governamental.

A força fundamental que pode impor um amplo movimento unitário contra a escalada autoritária e o projeto ditatorial do presidente é a classe trabalhadora, a juventude e os setores populares. Portanto é preciso unir a luta pelas liberdades democráticas a luta por medidas de contenção ao coronavírus, e de defesa dos direitos da classe trabalhadora. Paralisando qualquer votação contrária aos interesses dos trabalhadores no congresso nacional. Nesse sentido defendemos prioritariamente, dentre outras medidas o seguinte:

-Por direito de quarentena geral e salário integral. Por testagem massiva, principalmente para os e as trabalhadoras da saúde. Por EPIs e condições sanitárias adequadas nos serviços essenciais.
-Por suspensão das cobranças de água, luz, telefone, internet e dívidas com os bancos. Por controle do preço dos combustíveis, produtos farmacêuticos e da cesta básica.
-Pela suspensão do pagamento da dívida aos banqueiros, pela taxação das grandes fortunas e estatização dos bancos aplicando esses recursos num plano de reconstrução do SUS e renda básica digna aos desempregados, precarizados e informais.
– Fora Bolsonaro e Mourão! É impossível garantir o direito a vida, empregos e salários, bem como as liberdades democráticas, tendo como governantes um capitão e um general do exército defensores do regime militar de 64.

É preciso que as centrais, movimentos e partidos de oposição lancem um contundente plano de luta, organizando paralisações nas categorias e convocando panelaços, fortalecendo e unificando os movimentos espontâneos já existentes.

Precisamos construir uma Frente de Esquerda e Socialista

Em meio a contraofensiva de Bolsonaro, os partidos de esquerda (PSOL, PCB, UP, PSTU) precisam realizar uma reunião unificada de suas direções para traçar um plano de enfrentamento à crise, superando a conciliação de classes e a estratégia de unidade nacional que é aplicada pelos Lulistas (ver editorial anterior). Isso é necessário porque o diretório nacional do PT até agora se nega a incorporar o Fora Bolsonaro. Além disso, Lula aposta numa boa relação com Dória e Flávio Dino (PCdoB) que elogia o vice-presidente general Mourão.

A esquerda anticapitalista não pode seguir a reboque do PT (que espera os movimentos de Maia e Dória, que por sua vez aguardam o que fará o general Mourão e o que dizem os banqueiros). É preciso se organizar de forma independente ao mesmo tempo que se busca uma ampla unidade de ação contra Bolsonaro. Assim podemos construir uma alternativa política para a crise, iniciando uma Frente de Esquerda Socialista. Do contrário a esquerda apenas vai fortalecer alternativas burguesas como o DEM ou uma ala da cúpula do governo.

O forte movimento online pelo impeachment do Bolsonaro desde o início defende o Fora Bolsonaro. Nas últimas semanas tentou se vincular aos trabalhadores via o sindicato da saúde do RS. Esse movimento é encabeçado pela deputada Fernanda Melchionna (liderança do PSOL na câmara), deputada Sâmia Bomfim, deputado David Miranda, intelectuais como Safatle e Pablo Ortellado, dentre outros parlamentares e artistas, agrupou a ala mais combativa da oposição, além de organizações socialistas e plataformas digitais como o Contrapoder. Essa movimentação online precisa ter continuidade, dando um passo à frente na direção de uma frente anticapitalista que apresente ações unitárias pelo Fora Bolsonaro. Além de enfrentar o favorecimento aos bancos e os projetos de ajuste à classe trabalhadora que apresentam Rodrigo Maia e Alcolumbre no congresso nacional.

Precisamos organizar comitês de mobilização nos locais de moradia e comissões de base nos locais de trabalho que estão funcionando!

A crise e as mudanças bruscas da situação política colocam à prova os dirigentes e os vários projetos políticos. Está claro que as maiores lideranças da oposição são burguesas e não vão guiar nossa luta corretamente. Por outro lado o PT, Lula, o PDT de Ciro e o PCdoB de Dino não mudam sua velha conciliação de classes e apresentam variantes da ordem como alternativa, requentando velhas receitas capitalistas que não deram certo nos governos estaduais do nordeste. Isso é assim porque desejam apenas reeditar os governos em comum com setores da burguesia como foi nos governos Lula e Dilma, governando com a Odebrecht, FIESP, a Fenaban, CNI, o agronegócio, e as oligarquias do PMDB e demais partidos conservadores.

Teremos de nos organizar e lutar por uma outra política em nossos locais de moradia e de trabalho. Para defender nossas vidas, nossos salários e nossa liberdade de manifestação teremos de batalhar por uma Frente de Esquerda e Socialista. Por isso, a CST (Corrente Socialista de Trabalhadoras e Trabalhadores – tendência radical do PSOL) defende a proposta de um governo da classe trabalhadora e do povo, formado pelos trabalhadores e trabalhadoras, jovens e setores populares que estão nos panelaços e nas greves. Um governo operário e popular que garanta nossas reivindicações democráticas, sociais, de saúde pública, e defenda os empregos e os salários.

Convidamos você que lê nosso jornal a se somar à essa batalha divulgando nosso boletim em seus grupos, participando de nossos debates eletrônicos e fortalecendo as nossas reuniões. Além de adquirir nossa revista internacional e ajudar a financiar nosso projeto.


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