A situação nacional e as tarefas da CSP-CONLUTAS  

COMBATE SINDICAL

A situação nacional e as tarefas da CSP-CONLUTAS
 
Escrevemos esse texto à SEN como uma contribuição ao debate da nossa central em uma conjuntura nova e bastante complexa. Se por um lado vemos uma divisão na burguesia (Bolsonaro x Congresso e Governadores), por outro lado há uma grande unidade na política de acelerar o ajuste e a retirada de direitos.

A divisão da burguesia em meio à pandemia

A divisão na burguesia no combate ao coronavírus é evidente e se reflete na superestrutura política. De um lado o bolsonarismo, comandado pelo presidente e pelos chefes das igrejas evangélicas, nega a existência ou o impacto do vírus. Essa linha é apoiada centralmente por setores do empresariado do comércio. Uma linha criminosa e genocida, que se opõe ao isolamento social e felizmente não tem apoio da maioria da população. Segundo a última pesquisa Datafolha, 76% da população apoia o isolamento social. Do outro lado, os governadores, a maioria do congresso e a imprensa, que apesar de discursarem em favor do isolamento social, se negam a tomar medidas drásticas nesse sentido para não afetar os lucros dos patrões e as “contas públicas”. Por isso em diversas cidades grandes os transportes seguem lotados nos dias de semana, ampliando a propagação do vírus. Nessa semana, os governadores ainda começam a prever o “relaxamento da quarentena”. Pressionados pelos patrões, mostram que estão dispostos a sacrificar milhares de vidas. Essa linha em geral é apoiada pela maioria da burguesia, que defende esse isolamento social bastante limitado desde que ele se combine com a retirada de direitos dos trabalhadores.

Bolsonaro mostra as garras de seu projeto autoritário

Impulsionados pelos bolsonaristas, as carreatas deste domingo tiveram certa  expressão em São Paulo e Brasília, ainda que tenham ocorrido em dezenas de cidades brasileiras.

É simbólico que Bolsonaro tenha ido a Brasília discursar em frente a um quartel do exército. O projeto autoritário do “não vamos negociar nada”, que pedia a reedição do AÍ-5 e a “intervenção militar com Bolsonaro” ficou evidente. O atual presidente vai subindo o tom em meio ao caos da pandemia. A falta de uma resposta contundente da oposição parlamentar e das centrais sindicais majoritárias favorece que Bolsonaro e sua família sigam aumentando o discurso de enfrentamento.

Acreditamos que é preciso desde já um calendário de mobilizações contra a escalada autoritária de Bolsonaro. Um plano de luta com greves e paralisações das diversas categorias que seguem trabalhando, retomar os panelaços e uma grande campanha nas redes sociais em defesa das liberdades democráticas e direitos dos trabalhadores.

Os patrões e governos defendem um ajuste brutal contra o povo

A partir da MP 936 houve uma ofensiva dos patrões da iniciativa privada para acelerar os cortes de salários em todo país. O governo estima que 24,5 milhões o de trabalhadores serão atingidos pela medida. Cortes salariais que chegam a 70% são comuns pelo país.
Como parte do ajuste para que os trabalhadores paguem a conta da crise do coronavírus, os patrões promovem milhares de demissões em todo pais.
Essa política é defendida tanto pelo Bolsonarismo quando pelo congresso, governadores e imprensa, que buscam descarregar a crise nas costas dos trabalhadores.
Na própria MP 905, Alcolumbre fez um acordo com Bolsonaro, para que ele apresentasse outra proposta de ataque contra os trabalhadores. Isso mostra que, apesar dos atritos nos discursos, o tempo todo o congresso busca pactos com o governo da extrema-direita para arrebentar com os direitos do povo trabalhador.

As maiores centrais sindicais entregam direitos

Chama atenção a política das maiores centrais sindicais de entrega de direitos. Seus sindicatos em geral defendem as diminuições de salários como no caso dos metalúrgicos do ABC. Em geral a burocracia sindical apresenta os acordos que reduzem salários como vitórias para os trabalhadores, o que é bastante absurdo. Em rodoviários de São Paulo a redução salarial de 50% foi apresentada colo uma vitória para a categoria.
Fora isso não chamam nenhum plano de luta mais geral, com paralisações e greves para defender direitos.
Vai nesse sentido o ato de 1° de maio chamado pelas centrais. Com um eixo abstrato de “solidariedade”, não exige o aumento da quarentena, a paralisação dos serviços não essenciais, nada. Menos ainda exige o Fora Bolsonaro, pauta que poderia unificar a classe e fortalecer o combate à pandemia.
Ou seja, esse ato de 1° de maio não servirá para enfrentar nossos inimigos que estão condenando nossa classe à morte com o alastramento do coronavírus.

As tarefas da CSP-Conlutas

A CSP-Conlutas vem cumprindo um papel político importante desde o início da pandemia. Acreditamos que o exemplo mais importante foi a greve metalúrgica na Cherry, onde foram revertidas as demissões anunciadas pela patronal e mantido os salários dos trabalhadores da produção durante a quarentena. Também é importante ressaltar o trabalho da central junto ao Luta Popular nas periferias de São Paulo e em outros estados.

Esse exemplo deve ser um marco de atuação. Sabemos que pela política das centrais majoritárias e pela ofensiva patronal contra nossos direitos nem sempre será possível barrar todos os ataques em meio à pandemia. Porém é preciso que nossos sindicatos tenham uma sempre posição clara contra qualquer rebaixamento salarial ou demissões e façam campanha pedindo apoio para outras categorias no sentido de buscar fortalecer a luta unificada e não deixar isolado nenhum sindicato, pois o isolamento ajuda os ataques do patrão. A luta contra a MP 927 e 936 deve está bem unificada na base dos sindicatos da Conlutas que serão atingidos por essa medida.

Além disso, a política de exigência às maiores centrais da construção de uma greve geral em defesa da vida vemos que é chave. Ainda mais nas próximas semanas onde viveremos infelizmente uma explosão da contaminação e das mortes pelo coronavírus.

Esses dois contrapontos, da central que não aceita demissões e retirada de direitos e que propõe um plano de luta rumo a greve geral, é chave nesse momento para o fortalecimento da central enquanto alternativa.

A central tem que seguir e apoiar o exemplo dos profissionais da saúde do Pará que diariamente vem protestando contra a falta de condições de trabalho ou os entregadores de São Paulo que realizaram uma paralisação essa semana e seguem com um calendário de manifestações.

Esses exemplos demonstram que existem inquietações em vários setores que hoje padecem com a falta de condições de trabalho. Por exemplo, os trabalhadores da educação vem enfrentando os governos estaduais contra a aplicação do EAD. A CSP deve ser parte da luta desses setores.

É fundamental que a CSP Conlutas impulsione uma política de exigência às centrais para que no dia 1 de maio se realize um panelaço nacional pela Fora Bolsonaro, por direitos sociais e pelo combate a Pandemia.

Combinados a esses pontos, seguir reafirmando e agitando nosso programa de estabilidade no emprego, investimentos maciços em saúde pública, distribuição de EPIs, testes massivos, quarentena para todos os trabalhadores dos serviços não essenciais, suspensão do pagamento da dívida pública, é também fundamental nessa batalha por uma alternativa de direção para a classe trabalhadora.

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