ADIA ENEM! Enfrentar a política negacionista de Bolsonaro e Weintraub.

Juventude vamos à luta

Em meio à pandemia global do coronavírus, o governo Bolsonaro e seu ministro da Educação Abraham Weintraub tentam dar prosseguimento ao cronograma do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) como se nada estivesse acontecendo, mantendo a data de aplicação em 1 e 8 de novembro e o prazo para pedido de isenção da taxa de inscrição no último dia 17 de Abril. O ENEM é a principal forma de acesso às universidades públicas do país, um funil pelo qual milhões de estudantes tem que se submeter todos os anos para tentar o sonho de uma vaga na universidade. Ainda que a Justiça federal de São Paulo tenha decidido pelo adiamento do exame e definiu mais 15 dias para o pedido de isenção, não temos confiança de que está resolvido. O próprio Weintraub já declarou que irá recorrer.

As escolas estão fechadas, em cumprimento ao isolamento social recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelos principais especialistas em infectologia. Nesse momento, em que a principal preocupação deve ser salvar vidas, não faz sentido algum definir o cronograma de uma prova tão importante quanto o ENEM. Primeiro, porque não se sabe por quanto tempo as escolas seguirão fechadas. E, fundamentalmente, porque a questão do coronavírus aprofunda a desigualdade social do vestibular, que naturalmente já funciona como um mecanismo de exclusão, impedindo os estudantes pobres, negros e das favelas e periferias de terem as mesmas oportunidades que os estudantes ricos.

Com a pandemia, não há possibilidade dos estudantes do Ensino Médio aprendem o conteúdo normalmente sem desrespeitar o isolamento social. A modalidade de Ensino à distância (EAD), que o governo tenta vender como uma saída, não é uma solução para esse problema. Afinal, é basicamente um consenso entre os especialistas em Educação que existe uma defasagem enorme entre a modalidade presencial e a de EAD. Diversos conteúdos só podem ser transmitidos com qualidade na sala aula. E, claramente, existe uma inviabilidade técnica na aplicação de EAD, em especial na rede pública mas também nas escolas privadas. Mesmo que algumas das redes de educação privada ofereçam opções de estudar para o ENEM de casa, é necessário lembrar que 80% dos estudantes de ensino médio estão nas escolas públicas e um terço dos brasileiros não têm acesso à internet, por isso a maior parte não teria condições de estudar.

Essa medida está inserida no projeto de extrema-direita do governo Bolsonaro, de retirada de direitos democráticos e sociais, uma cartilha também ultra-reacionária para a educação. Na última edição do Exame, ficou claro o desprezo desse governo pelos estudantes, com erros graves na distribuição e correção da prova. Além, claro, de uma patrulha ideológica nas questões do exame; Por exemplo, foi a primeira vez desde 2009 que o exame não tratou do tema da ditadura militar, regime nefasto o qual Bolsonaro se espelha, que torturou, prendeu e matou opositores e governou beneficiando os grandes empresários do país.

Após o presidente participar de mobilizações ultra-reacionária que reivindicavam intervenção militar e um novo AI-5, ganha muita importância, mais do que nunca, denunciar e combater o projeto de ataques às liberdades democráticas encabeçado por Bolsonaro. Nós propomos a mais ampla unidade nessa batalha, afinal a extrema-direita quer dar plenos poderes ditatoriais a Bolsonaro para que ele tenha mais facilidade de aplicar seu projeto de morte, fome e desemprego. Manter a da data do ENEM é parte do plano global bolsonarista, ele quer que as escolas voltem a funcionar na marra, quer acabar com o isolamento social de forma precoce. Bolsonaro não se preocupa se vão morrer milhares de brasileiros, seu único propósito é garantir o lucro dos grandes empresários do país.

Unidade para enfrentar Bolsonaro, conter o coronavírus e adiar o ENEM!

A UNE e a UBES convocaram um abaixo assinado pelo adiamento do ENEM, que é uma iniciativa muito importante, um chamado que nós apoiamos e somos parte. Porém, infelizmente, isso não é o suficiente e precisamos ir além. É urgente que as entidades estudantis, dirigidas pela UJS (PCdoB) e pela juventude do PT, convoquem novos panelaços, o método de luta que se espalhou de forma espontânea pelo Brasil desde o ínicio do isolamento social. UNE e UBES deveriam organizar dias nacionais de luta, com chamados nacionais de panelaços centralizados. E construir essa luta pela base, junto aos CAs e DAs, DCEs, UEEs e Federações de Curso. Caso a direção majoritária não o faça, acreditamos que é papel do campo de oposição de esquerda, do qual nós da juventude Vamos à Luta somos parte, encabeçar esse processo.

Além disso, é urgente apontar a necessidade de construir uma greve geral nesse país, se apoiando nos exemplos internacionais como a greve geral de 25 de março na Itália que conquistou o direito à quarentena ou dos trabalhadores em luta no Brasil, como a greve dos operários da Cherry e as mobilizações de trabalhadores da saúde e entregadores de aplicativos. Exigimos às centrais sindicais como a CUT, CTB, Força Sindical, a construção de uma efetiva greve geral de todos os setores não essenciais, esse é o caminho para derrotar todo o projeto ditatorial, de retirada de direitos, destruição da educação de Bolsonaro. Por um plano alternativo de enfrentamento à pandemia, que pare tudo que não for essencial, como o cronograma do ENEM, e que suspenda o pagamento da dívida pública imediatamente para ter dinheiro para fortalecer o sus, a pesquisa e os direitos sociais.

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