Balanço do 1° de maio – Ato das maiores centrais não preparou a luta contra o governo

 

O 1° de maio aconteceu no momento em que se combinam a maior pandemia dos últimos 100 anos, com o caos social, aumento da fome e uma crise política fortíssima no governo Bolsonaro, agravada nas últimas duas semanas, com a saída dos ministros Mandetta e Moro e a participação de Bolsonaro nos atos pró-ditadura militar. 

A esse cenário se soma uma série de ataques aos direitos dos trabalhadores encabeçados pelo congresso corrupto e que geram redução e congelamento salarial em diversas categorias e milhares de demissões. 

Precisamos avaliar essa importante data e discutir os próximos passos da luta dos trabalhadores. 

As centrais majoritárias dividem o ato do 1° de maio para dar palanque a políticos patronais

Infelizmente não tivemos um ato do dia internacional dos trabalhadores unificado. Isso ocorreu porque a prioridade de centrais como CUT, Força Sindical, CTB e UGT foi convidar para o ato políticos patronais ao invés de construir um ato classista. Para isso, se negaram a colocar o Fora Bolsonaro como pauta e a denunciar a feroz retirada de direitos trabalhistas em curso no país. 

A presença de políticos patronais como o governador do Rio de janeiro, Wilson Witzel, e o ex-presidente FHC mostra que essas centrais colocaram em último plano as demandas dos trabalhadores. Witzel, além de reivindicar seu governo (que tem sido um desastre para os trabalhadores e aumentou muito a repressão policial nas favelas), disse que ainda “o Brasil precisa fazer as reformas necessárias”, se referindo obviamente a reformas que nada de bom trarão para a nossa classe.

Ainda foram convidados ao ato das centrais majoritárias Rodrigo Maia e David Alcolumbre, parlamentares do DEM que presidem a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, respectivamente. Políticos que encabeçam a retirada de direitos dos trabalhadores. Por exemplo, Alcolumbre acabou de encaminhar no senado a aprovação do congelamento salarial dos servidores públicos por 18 meses. Esse mesmo senado que aprovou destinar quase 1 trilhão para os bancos agora congela o salário do servidor.

Além de dividir as centrais, esses convites e presenças afastaram a Frente Povo sem Medo e o PSOL desse ato.

Diante dessa situação a CSP Conlutas não participou do 1° de maio das centrais majoritárias e junto com a Intersindical corretamente construiu um ato alternativo.

A importância do 1° de maio classista da CSP-CONLUTAS e Intersindical

Duas centrais se levantaram contra a política de colaboração de classes das centrais majoritárias: a CSP-Conlutas e a Intersindical – Instrumento de Luta da Classe Trabalhadora. Essas centrais realizaram um ato classista, com a presença de sindicalistas combativos, lideranças do movimento popular e artistas que apoiam a luta da classe trabalhadora. 

Com o eixo de defesa da ampliação da quarentena e do Fora Bolsonaro, esse foi o ato que representou os interesses da nossa classe em meio à pandemia. 

Nós apoiamos com todas nossas forças esse ato e aproveitamos nosso espaço para denunciar Bolsonaro, os governadores e a burocracia sindical. Nossa companheira Bárbara Sinedino, diretora do SEPE-RJ e militante da Combate Sindical, na sua fala no ato colocou: “É inaceitável o que fizeram as demais centrais, realizando o 1° de maio junto com aqueles que atacam a classe trabalhadora, como é o caso de Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre, e governadores que seguem aplicando a mesma política de ajuste fiscal de Bolsonaro”.

Dar continuidade à luta dos trabalhadores

A pandemia só cresce porque não existe uma quarentena de verdade no Brasil. Boa parte dos trabalhadores dos serviços não essenciais segue sendo obrigado a trabalhar. Os transportes nas grandes cidades seguem lotados. 

O colapso do sistema de saúde já começou e tende a se generalizar nas próximas semanas. 

Na semana que antecedeu o 1° de maio em diversos estados do país vimos protestos dos trabalhadores da saúde como, por exemplo, no HU da USP, em Belém e no DF onde os manifestantes foram agredidos por Bolsonaristas. É nesses exemplos de luta que temos que nos apoiar. A solidariedade e a unificação das lutas em curso são ações fundamentais.

É preciso urgentemente construir uma reunião nacional virtual de todos e todas os que querem seguir a luta contra Bolsonaro e Mourão contra os planos de ajuste de Maia e Alcolumbre, dos governadores Witzel e Dória, contra os banqueiros, as multinacionais, os grandes empresários do campo e da cidade. Ao mesmo tempo exigimos das centrais sindicais um plano de luta, com paralisações e greves nos serviços não essenciais que seguem funcionando, assim como apontar um dia de greve geral em defesa da quarentena e pela derrubada do governo autoritário de Bolsonaro e Mourão.

 

 

 

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