BOLÍVIA | Precisamos de uma agenda e de um instrumento político dos trabalhadores

Frente à profunda crise do coronavírus, da saúde e da economia do capitalismo mundial e nacional

Estamos perante uma catástrofe da saúde e também da economia do capitalismo mundial, que impactam gravemente a Bolívia e especialmente ao povo trabalhador do campo e da cidade. As transnacionais e grandes patrões tratam de salvar seus lucros sacrificando o povo, como já fizeram tantas vezes na história.

Não se chegou a essa crise somente por um vírus que apareceu repentinamente, mas sim por um sistema baseado na ganância de uma minoria super rica. Ganhos imensos sustentados pela exploração de milhões de trabalhadores, o saque e destruição da natureza e a precarização dos serviços de saúde. E isso é ainda mais grave na Bolívia e em outros países submetidos ao imperialismo.

Na Bolívia marchamos aceleradamente para uma crise econômica devastadora para o povo. O governo direitista de Añez respondeu à crise da saúde de maneira desastrosa, com ameaças, com enorme lentidão, em meio a renúncia de sua pasta principal (ministro da saúde) e agora nomeando um grande empresário dono de clínicas privadas como ministro desse ramo, o que evidencia que seu norte não é defender a saúde e nem a economia do povo. Todos os dias os médicos e os trabalhadores da saúde denunciam a dramática falta de insumos e de segurança. A crise agrava a já crônica crise da saúde na Bolívia e o SUS que foi prometido pelo MAS já veio sem orçamento.

Por outro lado, para a maioria da população sem rendimento fixo a quarentena é ampliada, inclusive com ameaças militares, e adota-se benefícios paliativos para prevenir uma revolta popular. Mas evidentemente são medidas totalmente insuficientes, e por isso, não evitarão os protestos legítimos.

Nós trabalhadores e trabalhadoras estamos sem instrumentos para defendermo-nos e lutar por uma solução ao serviço da maioria do povo. Nenhum dos atuais partidos eleitorais, nem o governo direitista de Añez, nem Mesa, tampouco o MAS, defendem os interesses dos trabalhadores. Todos dão aval para a política de favorecer os banqueiros, os grandes setores patronais e agroindustriais do governo de Añez. O candidato do MAS, Arce Catacora, foi como Ministro da Economia anteriormente aquele que desenvolveu essa política, que levou entre outras coisas ao incêndios da Chiquitania (área natural no leste da Bolívia que sofreu um forte incêndio em 2019).

A situação da Central Operária Boliviana (COB) é lamentável, talvez a pior de sua história. Em mãos de um grupo de burocratas sob liderança de Juan Carlos Huarachi, se submeteram ano passado à política do MAS, sem defender os trabalhadores, e quando veio a crise pediram a renúncia de Evo Morales, abrindo o caminho para o governo direitista. E agora integram com o vice-ministro do trabalho o governo de Añez, ao mesmo tempo que apoiam a candidatura de Arce Catacora (MAS). O governo de Añez lhes concedeu a prorrogação por dois anos do seu mandato, até 20220.

– Fora Huarachi e sua camarilha da COB. Por um Congresso Ordinário que eleja uma nova direção, retome a independência política e levante uma agenda dos trabalhadores.

– Por um programa econômico de emergência frente à pandemia e a crise: salário mínimo pago pelo governo enquanto dure a crise para as famílias que não tenham rendimento fixo. Proibição de demissões e por salário integral para todos os trabalhadores. Compra por conta do governo dos alimentos produzidos pelos camponeses para abastecer as cidades e cesta básica para as famílias sem rendimento fixo.

– Estímulos com benefícios especiais de um mínimo de 5 mil bolivianos por produtor, com base em contratos com organizações camponesas, supervisionado por prefeituras e governos, para a produção de alimentos camponeses, de acordo com o que reivindicaram as organizações de Ocurí e a CSUTCB Genaro Flores.

– Equipamento imediato para todos os hospitais e centros de saúde, com elementos de biossegurança, destinando a maior parte do orçamento estatal para esse fim.

– Nacionalização de todo o sistema de saúde sob controle das enfermeiras, enfermeiros e trabalhadores da saúde, para poder atender de forma igualitária todos os pacientes da pandemia e outras emergências de saúde.

– Criar fundos de emergência com imposto emergencial para as Transnacionais Repsol, Sumitomo, Petrobrás e outras, e aos grandes oligarcas agroindustriais de ao menos 20% dos seus ganhos. Que presidente, ministros, deputados, senadores, governadores, vereadores, prefeitos que ganhem mais de 10 mil bolivianos (a maioria ganha mais de 20 mil), entreguem seus salários, ficando com 2 salários mínimos no máximo enquanto dure a emergência.

– Impulsionar comitês populares de Emergência nos bairros e no campo, como exemplo de Ocurí, no norte de Potosí, com coordenação de diferentes organizações, para discutir e defender uma Agenda do Povo Trabalhador.

– Frente a crise política, eleições com lei antidemocrática, governo direitista que nos leva a um desastre e falta de alternativas populares, defendemos a necessidade de Assembleias Populares, com representantes direitos das organizações de base dos trabalhados da cidade e do campo, para governar o país. Uma COB e as CODes reorganizadas e com uma nova direção que responsa as bases, deveria impulsionar esse processo.

– É hora de unirmos os trabalhadores da cidade e do campo, os jovens estudantes da classe trabalhadora, para lutar por uma agenda própria, independente de todas as variantes capitalistas, tanto de direita, como do MAS. Todas as variantes atuais do sistema política eleitoral da Bolívia defendem o poder do capital, suas transnacionais e o agronegócio. Por um instrumento político dos trabalhadores independente dos capitalistas.

Assinam as seguintes organizações da Bolívia:

Partido dos Trabalhadores (PT)

Alternativa Revolucionária dos Trabalhadores (ARPT, construindo o PT)

Projeto Ecossocialistas (PES, construindo o PT)

Partido Socialista Revolucionário (PSR)

Organização Bases – Sucre

Professores por uma Proposta Educativa

15 de abril de 2020.

Traduzido por: Lucas Schlabendorff

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