PERU | Não dá mais! Que mude tudo que for preciso mudar!

 

Editorial de UNIOS N°21, Unios Peru, seção peruana da UIT-QI.
Isto não dá mais! Abaixo o modelo de Vizcarra, a Confiep e o Acordo Nacional! Traduzido por: Pablo Andrada 

Em 50 dias, o governo não tem fortalecido o sistema de saúde, estamos piores do que antes e vemos o colapso dos hospitais nas diversas regiões, onde os médicos morrem contagiados e centenas de pessoas são atendidas nas portas dos hospitais.

Faltam leitos, respiradores, oxigênio e insumos. E, o que é pior, médicos, enfermeiros e técnicos precisam ir para a rua exigir máscaras, jalecos e acessórios básicos de segurança para garantir suas atividades e não acabar infectados.

A reativação econômica sem saúde ou segurança no emprego é crime

Apesar desta grave situação econômica, social e da saúde, com quase 55.000 pessoas infectadas, o governo pretende iniciar a reativação econômica de alguns setores produtivos com o único objetivo de garantir lucros aos empresários da CONFIEP (Confederação Nacional de Instituições Empresárias Privadas).

O governo abrirá atividades econômicas sem garantir a segurança ou a saúde dos trabalhadores, sem os respiradores necessários e com um exército de profissionais da saúde flexibilizados ou terceirizados. Milhares de trabalhadores não têm plano de saúde! O governo em nenhum momento nos explica como seria a reativação nos setores informais ou no mercado central, deixando de lado uma massa muito importante de trabalhadores que é forçada a trabalhar dia a dia na ausência de um salário de emergência que garanta uma quarentena sem fome.

O modelo de reativação será lançado sob a ameaça de demissão e arrocho salarial. Os trabalhadores serão movidos pela chantagem, a fome e o medo de ficarem demitidos. Enquanto isso, os grandes empresários que clamam pela reativação ficam sentados em suas luxuosas casas à espera dos lucros que roubam, mês após mês, ao esforçado povo trabalhador.

O que é voltar à normalidade?

Os empresários pedem para “voltar à normalidade”. Mas para os trabalhadores, voltar à normalidade é retornar a jornadas extenuantes de 12 horas de trabalho em troca de um salário miserável, enquanto a SUNAT (Superintendência Nacional de Alfândegas e de Administração Tributária) ajusta a dama do armazém de secos e molhados, exonera os impostos as grandes empresas nacionais e estrangeiras, as mesmas que o governo e o BCRP (Banco Central de Reserva do Peru) favoreceu em 30 bilhões de sois para garantir sua rentabilidade. Essa normalidade na qual o governo bota gás nos lucros das empresas, enquanto o povo é sufocado pelo Covid-19 e a miséria, nós não queremos.

Também não queremos a normalidade de demitir trabalhadores, especialmente os sindicalizados que resistem os atropelos capitalistas, de manter aposentados com pensões de fome. Rejeitamos essa normalidade impune que não castiga a corrupção, que envia para casa todos os corruptos como Keiko Fujimori, e reprime e aprisiona os que lutam, os jovens do ensino médio que pedem um desconto no sistema de transporte Metropolitano ou aqueles que vão à rua para vender produtos para se sustentar.

Não queremos mais a sua normalidade da exploração, precariedade e miséria para muitos, enquanto seguem os enormes lucros para poucos.

Por uma saída dos trabalhadores e do povo

O modelo em que o mercado resolveria todos os problemas das pessoas não funciona, é uma fraude. Os que encerraram nossa indústria incipiente e nos transformaram em exportadores de pedras foram todos parte de governos corruptos servindo ao CONFIEP. Eles tiraram e levam as riquezas do nosso solo e deixaram conosco a poluição e campos devastados. Eles também nos deixam aposentados mendigos, estudantes endividados e crianças com chumbo no sangue. Hospitais desmantelados, educação para o lucro e milhares de famintos, enquanto os ricos acumulam fortunas.

As tarefas são muitas e nós de Unios na Frente Ampla, propomos começar com uma medida para que os pobres não sejam os que paguem pela crise: promovemos a criação de um imposto às grandes fortunas de pessoas físicas e das grandes empresas, cancelando todas as exonerações e subsídios que recebem como prêmio pela exploração dos mais pobres. A crise do COVID-19 tem sido a gota d’água, e agora a crise deve ser paga por eles, os reais responsáveis por essa situação desesperadora.

O objetivo é criar um fundo para garantir que nenhum habitante deste país passe fome e necessidades, um fundo que garanta o fortalecimento da saúde pública, que ninguém fique sem saúde por falta de dinheiro e que os trabalhadores da saúde tenham salários dignos, estabilidade no emprego e os recursos necessários para evitar sua morte. Essas medidas não podem esperar, nem ocorrerão a partir dos ministérios, do parlamento ou do farsante Acordo Nacional; devem ser criadas na unidade e mobilização dos trabalhadores e os povos.

Convocamos à criação de um movimento nacional que promova um plano econômico alternativo, a favor dos trabalhadores e o povo, que reúna todas as organizações que queiram enfrentar o modelo do atual presidente peruano Martín Vizcarra, a CONFIEP e o Acordo Nacional em defesa dos direitos da classe trabalhadora, dos pobres e dos povos originários. Devemos lutar pela anulação do decreto da suspensão temporal sem remuneração dos trabalhadores (Suspensão Perfeita do Trabalho), proibir demissões individuais e coletivas, garantir a estabilidade total do emprego e terminar com a terceirização, o CAS (Contrato Administrativo de Serviços) e a informalidade. Temos de promover um sistema de pensões sem AFP (Administradoras de Fundos de Pensão) com garantias dadas pelo estado nacional e dirigido pelos próprios trabalhadores. Em defesa da saúde pública ao serviço do povo, acabar com o lucro da saúde privada e dos laboratórios privados. Temos que mudar tudo o que for preciso para conquistar uma vida digna para as maiorias populares. Com a unidade e a luta dos trabalhadores e dos povos podemos consegui-lo.

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