“É muito fácil convencer mulher a votar, é só você seduzi-la”, diz médico cotado para Ministério da Saúde

por Comissão de Mulheres da CST

O médico psiquiatra Ítalo Marsili (indicado por Olavo de carvalho) é um dos nomes cotados pelo Governo Bolsonaro para assumir o Ministério da Saúde, após a saída de Nelson Teich. O médico deu uma entrevista essa semana ao “Brasil Paralelo” (site que se destina ao revisionismo da história) e declarou que “Quando todo mundo pode votar, a gente vê que tem uma crise na regência do estado. Porque é muito fácil convencer mulher a votar, é só você seduzi-la”. E completa: “Quando as mulheres têm direito ao voto, a campanha eleitoral fica muito fácil de ser feita, é só fazer uma campanha populista, é só seduzir”. Ele ainda declarou que “curou” um paciente pedófilo “receitando” que o paciente contratasse prostitutas com aparência infantil.

A fala do médico Bolsonarista é mais um ataque desse setor às mulheres! Essas falas, além de machistas, tentam criar uma narrativa dos motivos da falência do Estado capitalista Brasileiro. Estamos vivendo uma das maiores crises econômicas, sociais, políticas e ambientais da história. As razões são o modo de produção vigente, que prioriza o lucro de banqueiros, multinacionais, rentistas do sistema financeiro e o agronegócio, tudo isso às custas do suor e do sangue das mulheres e homens da classe trabalhadora!

Nós mulheres ainda sofremos com a opressão machista e patriarcal, sendo que recebemos menos do que os homens (segundo pesquisa do IBGE de 2019, as mulheres ganhamos 20,5% a menos que os homens, em todas ocupações), e ainda temos a dupla e tripla jornada de trabalho, porque o Estado não se responsabiliza pelas creches, pela alimentação, roupas limpas e cuidados médicos. Essa sobrecarga recai sobre nossas costas. Segundo relatório da Oxfam de Janeiro de 2020, o trabalho doméstico não remunerado vale US$10 trilhões não pago às mulheres, por ano!

Cada uma das poucas conquistas que temos foram garantidas após muitos anos de luta, como o direito ao voto no Brasil, que só passou a incluir as mulheres em 1932! Mas ainda sim, estamos muito distantes de uma realidade de igualdade. Nos últimos anos saímos a lutar em todos países do mundo, contra a desigualdade salarial, a violência doméstica, a cultura do estupro e os políticos machistas que querem legislar sobre nosso corpo. Foi esse processo que ajudou a derrotar Eduardo Cunha.

A fala de Ítalo, reforça a ideia de que nós mulheres não podemos nos envolver em política, que esse não é nosso espaço. Essa concepção, busca que 50% da população não se sinta apta a debater sobre os fatos da realidade que levam a nossa condição precarizada de vida e trabalho. Mas a cada dia que passa nós derrubamos os muros que nos separavam da vida política, e precisamente por esse motivo, construímos uma gigantesca mobilização em 2018 contra o, então candidato, Jair Bolsonaro. As 2 marchas do #ELENÃO deixaram muito claro que nós não aceitaremos mais ataques aos nossos direitos.

Nesse momento, as mulheres seguem atacadas. Dessa vez, através da precarização da saúde pública num momento em que a pandemia de COVID-19 supera 16 mil mortos no Brasil. Aqui, mais de 70% das categorias da saúde são compostas por mulheres, e o COFEN registrou 10 mil casos de COVID-19 entre profissionais da Enfermagem. É essa realidade que impulsiona atos e paralisações em todo país, como em Barros Barreto em Belém, o Hospital Universitário da USP, e o Hospital Júlia Kubitschek em Belo Horizonte.

Não aceitaremos mais declarações machistas! É urgente que o Estado garanta condições de trabalho para as trabalhadoras da saúde! As mobilizações devem seguir para derrotar a política machista, reacionária e ultraliberal de Bolsonaro e seus cúmplices!


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