VENEZUELA | Estamos famintos, queremos comida!

Editorial do jornal La Voz de los trabajadores N°54, Partido Socialismo y Libertad, seção venezuelana da UIT-QI. Traduzido por: Pablo Andrada

 


Nas últimas semanas, saques, protestos e até um panelaço parcial em algumas zonas de Caracas têm colocado em evidência o recrudescimento da crise social que já afligia o povo trabalhador venezuelano, agravada nos últimos dois meses pelo coronavírus.

Centenas de habitantes de áreas populares em estados muito deprimidos, gritando “estamos famintos, queremos comida” saquearam alguns negócios nas cidades de Upata, Guanare, Cumanacoa e protestaram exigindo gasolina em Barinas e Araya, entre outros lugares. Eles são movidos pelo desespero por não terem comida para os filhos.

No âmbito da quarentena, os preços dos alimentos dispararam. Comerciantes e empresários aproveitam a crise da saúde para fazer fartos negócios. Enquanto isso, o governo não responde à fome do povo, apenas se limita a fazer propaganda pela mídia “pública” e anunciar os chamados “preços acordados” com os empresários, uma política que já foi aplicada em outras ocasiões sem nenhum resultado favorável para o povo trabalhador.

A realidade é que milhões de trabalhadores e trabalhadoras precisam enfrentar a quarentena em condições precárias, com salários famintos e péssimos serviços públicos, sem água, sem luz ou gasolina. E quem trabalha no setor informal, sem renda nenhuma. Às já terríveis condições sofridas pelo povo venezuelano, acrescentam-se as consequências do coronavírus e do confinamento social, levando ao desespero milhões de pessoas dos setores mais pobres.

O governo Maduro está pressionando para que a quarentena seja realizada, mesmo de modo repressivo, apelando às forças policiais, mas não garante que possa ser feita nas melhores condições possíveis. Com os salários de fome que recebemos na Venezuela, é impossível cumprir a quarentena. Devemos sair para comprar comida ou dar um jeito de conseguir. Por outro lado, milhões de pessoas não têm emprego estável, trabalham no setor informal da economia e, devido às restrições impostas para evitar o contágio, não podem trabalhar ou levar comida para seus filhos e famílias.

Quarentena com fome não pode dar certo! Nesse sentido, propomos igualar o salário mínimo e as pensões à cesta básica e estabelecer uma Renda de Quarentena para todos os trabalhadores e trabalhadoras informais que, devido ao confinamento, não podem trabalhar.

Do mesmo modo, propomos que não haja demissões ou suspensões nas empresas privadas. O governo deve garantir que trabalhadores e trabalhadoras que labutam em empresas essenciais o façam em conformidade com os padrões mínimos de segurança.

Propomos que seja promovido um Plano de Emergência para enfrentar a crise social, contra a fome e a pandemia, criando um Fundo Social Especial que estabeleça uma taxa para grandes grupos econômicos, banqueiros e transnacionais. Esse fundo também deve ser nutrido pelo confisco dos bens dos corruptos da PDVSA e de importadores fraudulentos, com o não pagamento de dívida pública, a suspensão de gastos militares e o cancelamento de contratos de empresas mistas com as petrolíferas transnacionais. Todos os recursos econômicos devem ser usados para enfrentar a pandemia! Que a crise seja paga pelo governo, empresários e transnacionais, não os trabalhadores e trabalhadoras!

Com todos esses recursos, o governo deve promover um plano para a importação em massa de alimentos e remédios, e a recuperação dos hospitais e centros de saúde que estão destruídos, fornecendo os insumos necessários, não só para os 46 hospitais conhecidos como “sentinelas”.

É preciso a aquisição de testes para a triagem de vírus e sua urgente aplicação massiva. Também reabilitar as unidades de terapia intensiva, garantindo água potável, respiradores artificiais, leitos hospitalares, produtos de higiene e limpeza, materiais sanitários básicos como máscaras, luvas, algodão, sabonete, álcool-gel antibacteriano e aventais para médicos, enfermeiros e demais profissionais da saúde.

A máscara não é uma mordaça! O governo não pode continuar usando a quarentena e as restrições estabelecidas para impedir a propagação do contágio como um mecanismo para restringir ou limitar as liberdades democráticas, a liberdade de expressão e de imprensa e o direito de protestar, em conformidade com os padrões mínimos de segurança.

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