#BoletimEletrônico | Defender a vida do povo trabalhador: Quarentena Geral Já!

A classe trabalhadora está altamente exposta ao coronavírus. Setores não essenciais como a construção civil em São Paulo, mineração em Minas Gerais ou a siderurgia no Rio de Janeiro, não paralisaram as atividades. As refinarias e plataformas da Petrobras, a entrega de cartas dos Correios e vários serviços presenciais dos bancários, também não. No subúrbio carioca e paulistano, em Campo Grande ou Capão Redondo, muitas lojas funcionam. A realidade é que a maior parte da classe trabalhadora está sendo obrigada a trabalhar e não pode realizar o isolamento social através da quarentena. Segundo Henrique Meireles, secretário do Governo Dória, “74% das empresas do estado funcionam normalmente em SP, sem restrições” (g1.globo/sp/).

Já os trabalhadores desempregados, informais, ambulantes, são forçados a sair de casa e se expor à pandemia para tentar sobreviver. Por isso assistimos à continuidade da venda popular no mercado central de Belo Horizonte (MG), no Ver-o-Peso em Belém (PA), o funcionamento dos pequenos bares nas periferias do Rio, a continuidade dos ambulantes na Santa Ifigênia ou da “feira do rolo” na Praça da Sé, no centro de São Paulo.

A irresponsabilidade criminosa de Bolsonaro e dos governadores explica porque o Brasil é segundo país do mundo em contaminação. Segundo dados oficiais são mais de 21 mil mortes e 330 mil pessoas infectadas, números subnotificados.

O presidente Bolsonaro defende “abrir tudo”

No último domingo, 24/05, Bolsonaro liderou novas manifestações para exigir o fim das medidas de isolamento social que ainda estão em vigor em estados e cidades. Se trata de um movimento autoritário que defende uma ditadura no país. Bolsonaro deseja se fortalecer para acabar com a investigação da Polícia Federal em relação à sua família e do ex-assessor Queiroz. A proposta de Bolsonaro, de “abrir tudo”, beneficia grandes empresários do comércio e de outros ramos capitalistas. Para manter o lucro dos altos milionários eles querem ampliar a contaminação e as mortes. O momento é grave, pois estamos falando da possibilidade de morte para 100 mil ou 200 mil pessoas. Gente do povo trabalhador, como qualquer um de nós. Os milionários, como Bolsonaro e os empresários, vão se salvar em suas mansões na Barra da Tijuca ou outros bairros de luxo.  É preciso organização coletiva e luta unificada para defender nossas vidas.

Veja o editorial anterior Quarentena Geral já: com salário, renda e garantia de serviços públicos básicos!

Governadores e prefeitos estão flexibilizando o isolamento social

O prefeito de Belo Horizonte (MG) decretou o retorno do comércio. O prefeito do Rio, sob a absurda alegação de que “conseguiu reduzir a curva de contágio”, está estudando a retomada das atividades de comércio e outros setores. O governador do Pará suspendeu o Lockdown (o isolamento social intenso) e o mesmo vai ser feito em Niterói (RJ). Ao mesmo tempo em que fazem discursos criticando aspectos do projeto bolsonarista, os governadores e prefeitos querem mostrar serviço para todos os setores empresariais capitalistas. Por isso estão flexibilizando o isolamento social no momento em que o contágio explode e as mortes estão crescendo. É uma forma de “abrir tudo”, porem num ritmo mais lento. Não por acaso a maioria dos governadores e prefeitos apoiou Bolsonaro na última eleição e hoje estão apoiando a agenda de ajuste fiscal implementada pelo Ministro Paulo Guedes e Rodrigo Maia no Congresso Nacional. Independente do ritmo, o fundamental é que todos eles governam a serviço do lucro dos empresários e prejudicando a saúde da classe trabalhadora e setores populares ao impedir o isolamento social. No caso do Rio de Janeiro temos de acrescentar a violência policial nas favelas ordenada pelo governador Witzel. São operações contra o povo negro do Morro da Providência, Cidade de Deus, Complexo do Alemão, comunidades de São Gonçalo, etc.

Protestar no dia 27/05 com os servidores federais

Os servidores federais estão programando ações de protesto, ao estilo dos atos da saúde e dos moradores de Paraisópolis, com distanciamento físico e medidas sanitárias adequadas, para o dia 27/05. Será um dia para lutar por quarentena geral e defender nossas vidas. Para ter direito à licença remunerada com manutenção dos direitos para toda a classe trabalhadora poder ficar em casa; para ter condições dignas de trabalho e proteção adequada nos serviços essenciais, com EPIs (equipamentos de proteção individual) adequados na saúde, limpeza e demais funções necessárias ao combate ao coronavírus e ao abastecimento. Ao mesmo tempo em que temos de lutar por renda básica aos trabalhadores desempregados, informais, ambulantes e recursos para manter pequenos bares e o pequeno comércio popular das periferias. Lutar para ter ampliação de leitos, UTIs, produção e aquisição de ventiladores mecânicos, equipes de saúde da família nas periferias, distribuição de sabão e garantia de agua e álcool em gel nas comunidade populares. Reivindicar que os recursos para isso devem vir dos lucros dos banqueiros, das multinacionais e grandes empresas, suspendendo o pagamento dos juros e amortizações da dívida pública com o sistema financeiro e taxando as grandes fortunas dos grandes capitalistas e os lucros dos bancos

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Organizar e coordenar os protestos

As ações dos servidores federais do dia 27/05 são parte de alguns protestos que estão ocorrendo, a exemplo do dia 12 de maio da enfermagem, com distanciamento físico e respeito as orientações sanitárias. Tivemos no domingo, 24/05, um protesto da comunidade de são Gonçalo contra a violência policial. O mesmo foi visto na ação dos movimentos e torcedores antifascistas em Porto Alegre. É preciso que a CUT, CTB, UNE, UBES, demais centrais e movimentos populares coordenem esses protestos e marquem a data de uma jornada nacional unificada de lutas na primeira semana de junho. As Frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular também poderiam incluir na sua campanha pela taxação das grandes fortunas a pauta da suspensão do pagamento da dívida. Os partidos que protocolaram o impeachment e estão na campanha pelo Fora Bolsonaro (PSOL, PCB, PSTU, UP, PT e PCdoB) deveriam impulsionar comitês locais unificados em cada cidade para fortalecer os atos do dia 27/05, lutar pela quarentena e pelo Fora Bolsonaro e Mourão. Sem dúvida a tarefa das Centrais e dos partidos de oposição deve ser garantir um efetivo movimento de protesto para defender salários, empregos, renda, direitos sociais, conter o avanço do coronavírus e lutar pelo Fora Bolsonaro e Mourão.


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