Não à flexibilização do isolamento social em Niterói! Quarentena geral já!

 

O Brasil se afunda na pandemia do novo coronavírus. Já somos o segundo país em número de casos, o número oficial de mortos já ultrapassa 23 mil pessoas e cresce de forma descontrolada, com o país liderando o triste ranking de mortes diárias. Esses números são o resultado da política negacionista de extrema-direita do governo Bolsonaro, que sistematicamente combate o isolamento social, assim como dificulta o acesso dos trabalhadores ao já limitado auxílio emergencial e segue com a política de precarização da saúde, que já vem de governo anteriores e é aprofundada por Bolsonaro.  A situação é dramática tanto do ponto de vista sanitário quanto social e especialistas defendem que ainda nem chegamos ao pico de contaminação.

Em meio a essa situação, o prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT) anunciou um plano de flexibilização do isolamento social que não tem nenhuma base científica e só serve para atender aos interesses dos empresários da cidade e elevar as mórbidas estatísticas. O Estado do Rio de Janeiro supera países como a Índia e a Rússia em números de mortos e pesquisadores da UFRJ recomendam lockdown em todo o estado para diminuir o impacto no sistema de saúde. Escandalosamente, Rodrigo Neves vai na contramão da realidade e já começou a convocar as trabalhadoras e trabalhadores da educação para reabrir as escolas e deu início à reabertura do comércio. O prefeito  convocou trabalhadores da limpeza, cozinheiras e diretores escolares, divulgando a distribuição de kits com materiais didáticos e a disponibilização do espaço escolar para alunos que quiserem utilizá-lo para estudar. Houve uma assembléia que aprovou greve do setor, está claro que a quarentena só será conquistada com luta!

 

Os dados científicos contradizem o prefeito

Rodrigo Neves e seus assessores não apresentam nenhuma base científica em sua proposta de flexibilizar o isolamento, iniciada no dia 20 de maio, ainda que ele tente legitimar sua política com uma suposta “equipe científica”, liderada pelo reitor da UFF, Antônio Cláudio da Nóbrega, que lamentavelmente empresta o prestígio da universidade para legitimar uma medida absurda. A narrativa do prefeito de que “achatamos a curva” não passa de fake news. Durante o “lockdown” em Niterói o número de mortes dobrou e aumentou em 85% o total de infectados. Proporcionalmente, Niterói tem mais mortes que outros municípios da Região Metropolitana como São Gonçalo e Nova Iguaçu. E Niterói não é uma ilha isolada do mundo, a cidade está próxima da capital do estado que apresenta um brutal número de mortes, fruto da política criminosa da prefeitura de Crivella. O vírus não respeita o limite entre municípios.

A situação da rede de saúde na cidade demonstra por si só a total irresponsabilidade da prefeitura. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), a taxa de ocupação de leitos públicos alcança 80% de lotação e nas UTIs privadas já ultrapassa 90%.  O MPRJ também diz que o isolamento social em Niterói chegou a alcançar no máximo 53% da população, quando o mínimo desejado seria de 70%. Isso demonstra que mesmo o “lockdown” feito pela prefeitura, que durou do dia 11 ao dia 20, foi insuficiente.

 

Precisamos de quarentena geral já!

 É preciso derrotar essa política negacionista de Rodrigo Neves  em Niterói. Assim como é imperioso combater a política do governador Witzel, que em meio ao caos da pandemia continua com sua política de genocídio das favelas e periferias e cujo governo está envolvido em escândalos de corrupção na própria saúde estadual. Assim como é fundamental lutar para colocar para Fora Bolsonaro e Mourão, que são os principais responsáveis pela catástrofe em que o país se encontra. A necessidade hoje é de uma quarentena geral, que pare tudo o que não seja essencial imediatamente. E para garantir uma quarentena sem fome, é necessário proibir demissões, garantir salário e o pagamento de auxílio emergencial, que deveria ser ao menos de um salário mínimo, para todos que necessitem. É preciso também salvar a vida dos trabalhadores essenciais, em um momento em que o Brasil é o país em que mais morrem trabalhadores da saúde por Covid-19. Exigimos EPIs, contratações, liberação dos grupos de risco e testagem massiva!

O fundamental é a defesa da vida. Para fortalecer o SUS, criar novos leitos, comprar respiradores, EPIs e garantir renda na quarentena, é necessário um plano econômico alternativo. Que os ricos paguem essa conta: suspensão imediata do pagamento da dívida pública, taxação massiva das grandes fortunas e estatização dos bancos. Que os recursos oriundos dessas medidas sejam destinados para o combate à pandemia. 

Nesse sentido, é muito importante a luta que tem sido construída pelos trabalhadores da saúde em todo o Brasil, denunciando a situação precária de trabalho e atendimento nos hospitais. É necessário coordenar a nível nacional essas lutas, por isso somos parte da construção do Fórum de Lutas de Niterói e de iniciativas como a Ação Pública contra o “novo normal” na Praça Araribóia, no dia 27/5 às 8 horas, assim como do Ato Virtual no dia 28/5, às 18 horas, ambos contra a flexibilização do isolamento social em Niterói.

 

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